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Alterações bucais e cuidados Odontológicos em pacientes transplantados de órgãos e tecidos

Os transplantes de órgãos e tecidos são procedimentos indicados em situações clínicas específicas e vêm crescendo nas últimas décadas. Entende-se por transplante de órgãos sólidos os de coração, pulmão, pâncreas, fígado e rim e transplante de tecidos, os de córneas, medula óssea (MO), ossos e pele.

Como a Odontologia é inserida neste contexto?

Os protocolos de atendimento são importantes, pois os pacientes com indicação de transplante de órgãos ou medula óssea serão submetidos à imunossupressão sistêmica e existe uma preocupação com infecções prévias aos transplantes que podem exacerbar durante o período de imunossupressão. A Odontologia é inserida neste contexto quando fazemos a associação entre a imunossupressão, risco de infecção sistêmica e infecção odontogênica. Portanto, atualmente, temos evidência científica que sinaliza que é fundamental o preparo da cavidade oral dos pacientes receptores de transplante de órgãos ou medula óssea, com atenção em eliminar os focos de infecções orais, orientação de higiene oral, e acompanhamento odontológico para prevenir quaisquer intercorrências.

A participação do Cirurgião-dentista no atendimento aos transplantados deve ocorrer desde o momento em que há a indicação médica para o transplante, para que se possa providenciar, em tempo hábil, a adequação bucal dos pacientes. Essa participação se estende para o período após o transplante, na manutenção da saúde bucal e no diagnóstico e tratamento das manifestações bucais, fatos que podem ocorrer em virtude do uso de medicações imunossupressoras.

Há uma preocupação quanto ao preparo do Cirurgião Dentista para o atendimento correto do paciente transplantado, pois são exigidos cuidados especiais e conhecimentos sistêmicos aprofundados, o Cirurgião Dentista especialista em ESTOMATOLOGIA, é o mais preparado e capaz de fazer essa ligação entre a Medicina e a Odontologia.

Alterações na cavidade oral em pacientes receptores de órgãos e tecidos

A doença periodontal é uma infecção crônica que inicia como uma inflamação na gengiva e avança ao osso que dá suporte aos dentes, em pacientes imunussuprimidos, a presença dessas bactérias no sangue pode levar sepse grave e risco a vida. É obrigatória a remoção de tártaro e placa bacteriana por intermédio de profilaxia dentária e em algumas situações a extração dentária é indicada. Dentes com indicação de tratamento de canal que estejam inflamados ou não e ainda dentes que já tenham sido tratados o canal, mas que apresentem indicação de retratamento de canal devem ser tratados ou retratados os canais, deve-se considerar a possibilidade de extração dentária. Raízes residuais de dentes e dentes inclusos (que estejam parcialmente exposto na cavidade oral) devem ser extraídos. Dentes com Cárie devem ser restaurados, visto que podem evoluir para tratamento de canal. Pacientes que estejam em tratamento ortodôntico devem remover o aparelho, pois dificultam a higienização, favorecendo o acumulo de placa bacteriana e tártaro. É importante salientar que os tratamentos Odontológicos devem se realizados previamente ao transplante de órgãos e antes do inicio do preparo do paciente receptor de medula óssea.

Assim como no transplante de medula óssea, no transplante de órgãos sólidos existe a preocupação de adequação da cavidade bucal prévia ao tratamento, com a remoção e a redução de focos de infecção bucais. Diferentemente dos transplantes de medula óssea, os transplantados de órgãos sólidos, geralmente, recebem drogas imunossupressoras para prevenção da rejeição pelo resto da vida. Essas drogas desencadeiam alterações bucais, como: Mucosite oral (lesões avermelhadas e ulcerativas que acometem o vermelhidão dos lábios e mucosa oral) causa dor, dificuldade de mastigação e deglutição. infecções oportunistas causadas por vírus, Fungos e bactérias. Dentre essas, as mais comuns são a candidíase oral (infecção fungica) e as infecções por herpes simples (infecção viral). A mucosite oral e as infecções oportunistas também são comuns em pacientes submetidos a transplante de medula óssea, principalmente na fase pré – transplante, onde os pacientes estão mais imunodeprimidos.

Alterações nas glândulas salivares e xerostomia, Xerostomia é a sensação de boca seca, é evidente quando a saliva torna-se viscosa e pegajosa, essa modificação do fluxo salivar acarreta desconforto oral, dor e aumento do risco de cáries e de outras infecções, bem como dificuldade de fala, mastigação e deglutição.

Outra alteração frequentemente relatada é o crescimento da gengiva, associado ao uso de drogas imunossupressoras.

Pacientes que recebem transplante de medula óssea recebem a infusão intravenosa de células progenitoras hematopoéticas com o objetivo de restabelecer a função medular. Esses indivíduos estão sujeitos a Doença do Enxerto contra o Hospedeiro (DECH). Células do doador reconhecem tecidos do receptor como estranhas e, desencadeiam uma resposta imune, a cavidade bucal é um local de alta predileção para acometimento da DECH, podendo ser o primeiro ou mesmo o único local detectável, por isso se faz necessário o acompanhamento do paciente por um longo período. A Doença do Enxerto contra o Hospedeiro é a principal causa de mortalidade e morbidade em pacientes submetidos a transplante de medula.

Observa-se, portanto, que a cavidade bucal representa um órgão de grande importância no controle de complicações de transplantes de órgãos e de medula óssea, devendo receber especial atenção durante os períodos de preparação e acompanhamento dos pacientes transplantados. Diante dessas evidências, é de grande importância a participação do Cirurgião Dentista nas equipes multidisciplinares de atendimento aos pacientes receptores de órgãos e de medula óssea, em especial o especialista em Estomatologia, que é responsável pela prevenção, diagnóstico e tratamento das lesões e doenças da boca, maxilares e face.

O papel do Estomatologista é de trabalhar a prevenção, afastando os fatores de risco, como cárie, doença periodontal, focos de infecção (raízes residuais, dentes inflamados), preparando o paciente e tratando possíveis alterações bucais que ocorram no decorrer do tratamento e acompanhando a longo prazo, para identificar possíveis alterações bucais tardias.

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