VARIEDADES

Conheça a trajetória da soja no Brasil

Primeiro cultivo comercial do grão no Brasil data de 1914, no município de Santa Rosa

A soja chegou ao Brasil por volta de 1882. O responsável pelos primeiros estudos com a cultura no país foi o professor Gustavo Dutra, da Escola de Agronomia da Bahia. Naquela época, porém, o interesse pela cultura não era pelo seu material nobre, o grão, era mais pela planta como uma espécie a ser utilizada como forrageira e na rotação de culturas. Os grãos eram administrados aos animais já que ainda não havia o seu emprego na indústria.

O primeiro registro de cultivo comercial de soja no Brasil data de 1914, no município de Santa Rosa, Rio Grande do Sul. Mas, foi somente a partir dos anos 40 que o seu cultivo adquiriu alguma importância econômica, merecendo o primeiro registro estatístico nacional, em 1941, no Anuário Agrícola do Rio Grande do Sul. Nesse mesmo ano, instalou-se a primeira indústria processadora de soja do País, também em Santa Rosa. Em 1949, com produção de 25.000 toneladas, o Brasil figurou pela primeira vez como produtor de soja nas estatísticas internacionais.

A partir da década de 1960, devido à política de subsídios ao trigo visando auto-suficiência do país desse grão, foi que a soja se estabeleceu como cultura economicamente importante para o Brasil. Naquela década, sua produção multiplicou-se por cinco (passou de 206 mil toneladas, em 1960, para 1,056 milhões de toneladas, em 1969). A maior parte desse volume,  98%,  foi produzido nos três estados da Região Sul, onde prevalecia a dobradinha, trigo no inverno e soja no verão.

Apesar do significativo crescimento da produção no correr dos anos 60, foi na década seguinte que a soja consolidou-se como a principal cultura do agronegócio brasileiro, passando de 1,5 milhões de toneladas (1970) para mais de 15 milhões de toneladas (1979). Esse crescimento deveu-se, não apenas ao aumento da área cultivada (1,3 para 8,8 milhões de hectares), mas, também, ao expressivo incremento da produtividade (1,14 para 1,73 ton ha-¹), graças às novas tecnologias disponibilizadas aos produtores pela pesquisa brasileira. Mais de 80% do volume produzido na época ainda se concentrava nos três estados da Região Sul.

Na década de 70, menos de 2% da produção nacional de soja era colhida na região do cerrado. Porém, nas décadas de 80 e 90, a soja teve forte expansão na região conhecida como polígono dos solos ácidos (Triângulo Mineiro, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da Bahia). Em 1980, esse percentual passou para 20% e em 1990 atingiu a marca de 40% da produção nacional. Hoje em dia, a região produz cerca 60% da soja nacional, com tendências a ocupar maior espaço a cada nova safra.

Com isso, a região do cerrado tornou-se a maior região produtora do país e o estado do Mato Grosso passou de produtor marginal a líder nacional de produção e de produtividade de soja. A expansão para essa nova fronteira agrícola deveu-se, basicamente, aos estudos de fertilização dos solos do cerrado, à sua topografia plana e favorável à mecanização, e o desenvolvimento de plantas aptas à região

Notícias relacionadas

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios