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Descoberto caso raro de covid-19 em felino em Caxias do Sul

Gata apresentou sintomas cerca de duas semanas depois que os donos tiveram a doença

Um caso raro de comprovação de covid-19 em animais foi descoberto em Caxias do Sul. Uma gata doméstica apresentou sintomas cerca de duas semanas depois  de os tutores dela terem tido a doença. A felina foi examinada, testada e confirmou o diagnóstico. Segundo autoridades sanitárias, esse é o primeiro caso em que houve a identificação no Estado.

O caso que veio a público agora começou em 18 de fevereiro, quando os donos da gata, que tem dois anos, levaram-na para atendimento veterinário. Ela estava com falta de ar, rouquidão ao vocalizar, tosse, perda de apetite e leve perda de peso. Exames não revelaram alterações sanguíneas nem em funções renais ou hepáticas. Porém, um exame mostrou que ela estava com inflamação nos pulmões, compatível com doenças infecciosas. 

Como os donos informaram que ambos tinham tido diagnóstico positivo para covid e que os três felinos da casa não foram isolados deles durante o tempo em que tiveram a doença, suspeitando de uma possível relação, o veterinário coletou amostra nasal. Ele encaminhou o material para diagnóstico por exame RT-PCR na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Isso ocorreu porque está em desenvolvimento na UCS um projeto de pesquisa que estuda os agentes envolvidos nas doenças respiratórias de felinos na Serra. O projeto é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Animal da universidade e realizado pelo Laboratório de Diagnóstico em Medicina Veterinária da UCS, em parceria com o Serviço de Testes e Diagnósticos para covid-19.

De outra forma, segundo o veterinário Rogério Peletto, da Vigilância em Saúde do município, não existem laboratórios que façam esses testes em animais.  

O diagnóstico foi confirmado no dia 5 de março: a gata testou positivo para coronavírus. A UCS notificou a Secretaria Municipal de Saúde, que informou ao Centro de Vigilância Estadual em Saúde (CEVS) e, este, à Secretaria Estadual de Agricultura do Rio Grande do Sul e ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 

Sete dias depois do atendimento veterinário inicial, a gata teve piora do quadro, precisou de apoio respiratório. Após quatro dias de internação apresentou melhora e foi liberada para seguir tratamento sintomático em casa. Mas acabou morrendo dias depois. Os outros dois felinos da família não apresentaram sintomas, mas também passaram por coleta de amostras que foram encaminhadas para o diagnóstico molecular. Os resultados foram negativos.

Segundo as autoridades sanitárias, é importante ressaltar que a descoberta revela que os animais estão suscetíveis a serem contaminados pelos humanos e não o contrário. Não há divulgação de estudos que comprovem que os animais possam transmitir a doença ao homem. Ou seja, eles não representam risco aos humanos.

– É uma informação importante porque essa é uma doença nova. Possivelmente, vai gerar novas pesquisas e, com isso, se descobrirá mais informações. Para os veterinários, vão ter que colocar essa doença no rol de possibilidades que vão atender. Não há tratamento específico, mas terão que ser feitos tratamentos de suporte. Até onde sabemos, não há risco de saúde pública, porque, pelo que sabemos as pessoas que transmitem principalmente para os felinos – declarou Poletto.

Segundo o professor e pesquisador da UCS André Streck, que foi o responsável pelo diagnóstico, já existem casos de animais infectados por humanos em outros países no mundo. O projeto de pesquisa também pretendia ver se iria acontecer na região e como seria esse processo. O material coletado na gata está sendo enviado para a Feevale, parceira na pesquisa, onde será feito o sequenciamento genético. 

– Podemos ver se é a cepa nova, P1, se existe uma nova variação dentro do vírus, se essa variação causaria preocupação ou não. Outro objetivo desse projeto é servir como uma sentinela, para ver se outros gatos estão se infectando. Por enquanto, tudo nos indica que seja um achado extremamente raro. Os animais podem, muito raramente, se infectar, mas não há relatos de transmissão de animais infectados para seres humanos. Até onde se sabe, não tem risco. Os animais podem ser vítimas da covid também, por isso, devemos  protegê-los. Não tratá-los mal ou expulsá-los do nosso convívio por causa disso – ponderou o pesquisador.

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) informou que infecções de animais pelo SARS-CoV-2 já foram relatadas por vários países. Que diversas espécies animais provaram ser suscetíveis à infecção, tanto naturalmente quanto/ou por infecção experimental. E que no “caso especifico dos cães e gatos, principais animais de companhia, um pequeno número foi  notificado como infectado. No entanto, com base na informação limitada disponível até o momento, não é possível afirmar que eles sejam mais suscetíveis a alguma variante especifica.” 

A SES disse ainda que “nenhuma espécie animal foi descrita como de importância epidemiológica na transmissão da doença ou na manutenção da pandemia.”

Orientações de prevenção sobre convívio com animais domésticos

– Para pessoas que contraírem covid-19, os cuidados são os mesmos que deve ter em relação a outras pessoas na casa, ou seja, distanciamento dos animais de estimação, principalmente, gatos;

– Evitar fazer carinho, porque as mãos podem passar o vírus para o pelo do bicho, que ao se lamber ele pode se contaminar. Ou, usar máscara e lavar bem as mãos antes de tocar no animal;

– Evitar deixar o animal dormir na cama com a pessoa;

– Quando for dar comida e água, lavar bem as mãos antes de tocar na ração, no bebedouro e comedouro.

Fonte: GaúchaZH

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