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Médico gabrielense anuncia ter descoberto tratamento para covid-19

Vice-presidente do CREMERS, destacou que o caso está sendo analisado pela Corregedoria da entidade

O anúncio feito pelo médico gabrielense Luiz Cristiano Maciel Cardoso em suas redes sociais, da adoção de um tratamento para a covid-19 e que estaria dando resultados está repercutindo no Estado. O profissional disse estar usando flutamida para o tratamento de pacientes que contraíram o coronavírus e segundo ele, tendo êxito. Mas a iniciativa também já é vista com preocupação por entidades da classe médica, pois ainda é considerada experimental e não há estudos científicos que atestem a eficácia para acabar com a covid-19.

Divulgação

No vídeo, Cardoso, que tem divulgado estudos com a flutamida e proxalutamida, afirma que com a medicação que aplicou, “…Encontramos a cura, a Covid-19 está conquistada, está vencida. A Covid-19 como nós conhecemos acabou. Ela vai voltar para onde ela veio. Entre nós ela não tem mais guarida”. Ele diz que o medicamento utilizado é somente com prescrição médica e que pacientes que estariam em situação crítica teriam revertido o estado após ministrar flutamida, ”…A medicação que começamos a usar é impressionante: os pacientes que estavam indo para o tubo, todos recuperados. Agora só nos falta preparar a logística para distribuição desta medicação. Ela só pode ser usada com receituário médico,e com acompanhamento médico. Este tratamento não pode ser feito por conta própria…”.

Segundo ele, 300 pacientes receberam a medicação e 300 o placebo. Resultado foi assombroso: dos 300 com placebo, perto de 150 morreram. Do grupo de 300 que receberam a flutamida, apenas 12 pacientes morreram. “…A diferença é assombrosa, eu nunca tinha visto algo assim desde que começamos a batalha contra o Covid-19. A notícia ruim é que essa medicação não existe no Brasil.”

A partir daí, segundo o médico, ele começou a buscar uma saída, já que questões comerciais começaram a dificultar o uso de medicações similares. As duas medicações são de um grupo de bloqueadores de segunda geração. Ele explica que uma pesquisa levou a uma medicação alternativa que ele passou a utilizar, “…Com surpresa positiva e resultados impressionantes…”, asseverou.

Maciel encontrou um similar nacional, “…e a impressão que causa uma reviravolta assombrosa nos casos de Covid-19…”. “…Esta medicação não tem patente, ela é manipulada, e custa R$ 1,70 o comprimido. Com 40 reais em manipulação e 150 reais em farmácia comum, as pessoas têm condições de receber o tratamento para esta doença gravíssima. Acabou…”, afirma o médico no vídeo, que já teve mais de 3,4 mil compartilhamentos na rede social.

Vice-presidente do Cremers se manifesta

O assunto gerou manifestações de médicos, visto que o medicamento, que é recomendado para tratamento de câncer de próstata, está em uso experimental mas não há publicações científicas ainda que comprovem sua eficácia para. O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS), Eduardo Trindade, destacou que o caso está sendo analisado pela Corregedoria da entidade.

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“Estamos vendo com preocupação esta disseminação do conteúdo, de forma sensacionalista de um tratamento ainda não-comprovado cientificamente. Infelizmente, ainda não surgiu uma cura e as medicações ditas pelo profissional não encontram respaldo científico para seu uso e nem gera custo-benefício”, afirmou.

Trindade afirmou que as medidas serão tomadas segundo o código de ética profissional que rege a Medicina e frisa que o tratamento é experimental ainda. “…É um tratamento um tanto quanto revolucionário, mas frisamos que é experimental, com uso dentro de protocolos de pesquisa, além de ter o consentimento do paciente e dos familiares, e ao mesmo tempo que tem os benefícios, existem os riscos e seguem um rito para adoção do tratamento…”, alertou.

Ainda chamou a atenção sobre a forma de divulgação nas redes sociais, considerada não-científica. “É mais um apelo comercial do que científico e isso nos preocupa porque gera uma falsa esperança para os pacientes e famílias já abaladas pelo coronavírus”, dizendo que medidas como esta podem levar a um relaxamento dos cuidados.

O médico ainda reforça que os colegas devem tomar cuidado pois tratamentos como este são experimentais. “…Torcemos que surjam tratamentos eficazes, mas até agora, não temos comprovações reais e científicas de sua adoção, e tememos que isso leve ao relaxamento das medidas de prevenção…”, recomendando que todos tenham cuidado com o uso de tratamentos experimentais.

“…Orientamos tanto os colegas quanto a sociedade em geral que tenham muito cuidado com estes tratamentos, consultem as sociedades de infectologia, pneumologia e atente ao que é realmente usado no mundo para o tratamento da covid-19, para garantir a segurança da população. Precisamos dar soluções com segurança do que dar falsas esperanças…”, concluindo que qualquer irregularidade pode ser denunciada direto ao site do CREMERS.

Desde o início da pandemia, o que não faltaram foram mensagens que alardeavam que a “cura” havia sido encontrada em um remédio já existente. Além dos casos mais famosos (e derrubados pela ciência) da cloroquina (incluindo a hidroxicloroquina) e ivermectina, remédios como a nitazoxanida e carvativir se apresentaram como promissores, mas as expectativas não se concretizaram.

Sites especializados informam que a situação com a flutamida é parecida e o que reforça a falta de relatos concretos é a ausência de estudos envolvendo o remédio ou informações de autoridades em saúde sobre o uso desse tratamento. Para além disso, é importante citar que, além de não ter a eficácia comprovada, a medicação pode causar problemas se tomada em excesso. Estudos apontam para o grau de hepatotoxicidade da flutamida. Em 2004, a Anvisa chegou a alertar que o remédio (que também chegou a ser usado para tratamento de acne e alopecia de forma off-label) causou a morte de quatro mulheres.

Finalizando: apesar do alarde nas redes sociais e a esperança que isso deu, infelizmente, as informações apontam que “a covid-19 acabou”, não procedem até o momento, são necessários estudos científicos comprovados.

Fonte: Caderno7 / Por Marcelo Ribeiro

Em nota Santa Casa de São Gabriel também se posicionou contra indicação do médico

O Corpo Clínico da Irmandade da Santa Casa de Caridade de São Gabriel comunica a toda a Comunidade Gabrielense, que os profissionais médicos que prestam serviços a esta Instituição, estão seguindo todos os protocolos médicos oficiais emitidos pelo Ministério da Saúde para tratamento de pacientes internados com Covid-19.

Esclarecemos que não reconhecemos o tratamento lançado em redes sociais pelo médico Dr. Luiz Cristiano Maciel, pois não há comprovação cientifica de que esta medicação cure a doença e também não há informações de que o médico tenha curado algum de seus pacientes, nas dependências da Santa Casa.

Pedimos a Comunidade que continue seguindo as orientações emitidas pelos Órgãos Públicos, pois ainda estamos em um momento crítico, devido à elevação de casos. Devemos aguardar a vacinação da população, que no momento, é a única medida que pode diminuir as chances de contágio.

São Gabriel, 19 de Março de 2021 / Dra. Kátia Raposo – Diretora Clinica / Dr. Ricardo Coirollo – Diretor Técnico

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