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Sementes da China: pacotes misteriosos alertam para cuidado com dados pessoais

Golpe chamado de "brushing scam" pode estar por trás do caso que intriga autoridades e cidadãos

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Nos últimos meses, um caso tem intrigado autoridades e cidadãos do Brasil, Estados Unidos e países europeus: embalagens com sementes têm chegado às casas de muitas pessoas. Com origem na China, elas vêm em pacotes lacrados, às vezes acompanhando uma compra feita num site local, ou mesmo sem qualquer solicitação do consumidor. O mistério tem sido investigado no Brasil e em outras nações. Por enquanto, a orientação é de que as pessoas entreguem as sementes para as autoridades agropecuárias, uma vez que esses itens podem trazer riscos, como microorganismos e pragas. Uma hipótese é de que esse seja parte de um golpe chamado de “brushing scam”.

Nesse golpe, são feitas compras não solicitadas para um cliente qualquer, com o objetivo de postar uma avaliação falsa do comprador sobre essa venda. Assim, os sites têm melhores notas, buscando aumentar a comercialização de seus produtos. Uma situação que traz alerta para o cuidado que se deve ter com os dados pessoais. “Há relatos de pessoas que nunca fizeram compras em sites chineses e, mesmo assim, estão recebendo essas sementes”, ressalta o advogado Luiz Paulo Germano, sócio do escritório Medeiros, Santos & Caprara na Área Digital. “Essas informações foram obtidos de alguma forma, podendo ser vazado de algum banco de dados, ou fornecida conscientemente a um site que o cidadão julgou como legítimo”, acrescenta.

Germano enfatiza que os consumidores devem ter cuidado ao fazer cadastros em sites, especialmente de compras online. “É preciso observar criteriosamente o site, verificando se possui credibilidade, comprometimento com as normas de segurança de dados e histórico de problemas nesse sentido. Informações como endereço, contatos e documentos pessoais são valiosos — e podem representar riscos nas mãos de pessoas mal intencionadas”, alerta.

O advogado e professor universitário reforça que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que já está em vigor no país, traz mais direitos e deveres no cuidado com as informações pessoais. “O consumidor tem mais formas de assegurar seus direitos e buscar reparações em caso de vazamentos, por exemplo. Já as empresas devem redobrar a atenção no tratamento desses dados, para evitar qualquer tipo de prejuízo”, explica Luiz Paulo.

Fonte: Antonio Felipe Purcino – Jornalista – Critério

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