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Do réis à nota de R$ 200: conheça um resumo da história do dinheiro no Brasil e suas curiosidades

O país teve nove moedas desde sua independência em 1822. A atual entrou em vigor em 1994 e, em agosto, ganhará nova cédula

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Basta um olhar de relance à história do dinheiro no Brasil, com seus inúmeros padrões monetários, cédulas de variadas estampas e incontáveis “zeros”, para perceber que, em certa medida, a sucessão de moedas traduziu nacos da trajetória brasileira. Anunciado na última quarta-feira (29), o lançamento da nota de R$ 200 desencadeou uma onda de memes na internet (que são montagens ou tiradas irônicas) e, mais uma vez, fez relembrar o passado de tantas mudanças, em especial do século 20 para cá. 

Do réis ao real, o Brasil já teve nove moedas — que podem ser vistas no rico acervo do Museu Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro. A seguir, confira um breve resumo e algumas curiosidades sobre o assunto, com base na cartilha Dinheiro no Brasil, produzida pelo Banco Central.

Réis

Reprodução / Ver Descrição
Cédula de Mil-réis, de 1833 – Reprodução / Ver Descrição

Nos tempos da colonização e mesmo com a independência do Brasil, em 1822, o réis se impôs como unidade monetária vigente. Conforme a cartilha do Banco Central (BC), as patacas foram as moedas que circularam por mais tempo no Brasil (139 anos), de 1695 a 1834, nos valores de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis. 

Outra curiosidade: a moeda mais valiosa da coleção braseira também é dessa época. 

Reza a lenda que Dom Pedro I, para marcar a coroação como imperador do Brasil, em 1822, mandou cunhar moedas de 6,4 mil réis, em ouro (que ficaram conhecidas como peças da coroação). Só que ele não gostou nada do resultado e mandou parar a produção. Acabaram sendo fabricados somente 64 exemplares, que se tornaram uma raridade.

Cruzeiro (Cr$) – 1942 a 1967

  Na imagem, Santos DumontReprodução / Ver Descrição

Em 1942, de acordo com o histórico do BC, foi instituída a primeira mudança de padrão monetário no país. O antigo Réis foi substituído pelo Cruzeiro, que correspondia, na época, a mil réis. 

Cruzeiro Novo (NCr$) – 1967 a 1970

  Veja o carimbo no centro – Reprodução / Internet

No fim dos anos de 1960, o Cruzeiro estava desvalorizado. Isso levou a uma mudança temporária, até que ficassem prontas novas cédulas e que a população se adaptasse ao corte de três zeros. Resumindo, as notas do Cruzeiro receberam carimbos e viraram Cruzeiros Novos (uma unidade correspondia a mil cruzeiros).

Cruzeiro (Cr$) – 1970 a 1986

  O Cruzeiro em 1970 – Reprodução / Ver Descrição

Em março de 1970, como detalha a cartilha do BC, o dinheiro brasileiro voltou a se chamar Cruzeiro, mantendo a equivalência com o Cruzeiro Novo. Um Cruzeiro Novo correspondia a um Cruzeiro.

Cruzado (Cz$) – 1986 a 1989

  Na imagem, Vila Lobos – Reprodução / Ver Descrição

A partir daí, os brasileiros testemunharam a explosão da inflação, que perdurou por anos. Esse foi o motivo da mudança para o Cruzado, que veio no bojo das medidas do chamado Plano Cruzado, anunciado pelo então presidente José Sarney (e cuja principal marca foi o congelamento de preços, que eram tabelados pelo governo). Um cruzado era igual a mil cruzeiros. 

Cruzado Novo (NCz$) – 1989 a 1990

  Na cédula, Cecília Meireles – Reprodução / Ver Descrição

A partir de janeiro de 1989, os brasileiros viveram mais uma modificação de moeda e tiveram de se adaptar outra vez. Com o chamado Plano Verão, do governo Sarney, foi instituído o Cruzado Novo (uma unidade equivalia a mil Cruzados). Durou pouco mais de um ano e não deu o resultado esperado, isto é, o controle da inflação.

Cruzeiro (Cr$) – 1990 a 1993

  Na estampa, Mário de Andrade, poeta – Reprodução / Ver Descrição

Mal começou o ano de 1990 e, em março, já no governo de Fernando Collor, a moeda nacional foi novamente alterada e voltou a se chamar Cruzeiro (um Cruzeiro era igual a um Cruzado Novo). Mais uma vez, circularam cédulas carimbadas, e a população teve de se adequar. A inflação seguia fora de controle. Em março, batia a casa dos 2.000% ao ano. Também é dessa época o famigerado confisco da poupança.

Cruzeiro Real (CR$) – 1993 a 1994

  O gaúcho – Reprodução / Ver Descrição

Em meados de 1993, na gestão de Itamar Franco, que tomou o lugar de Collor após o impeachment, surgiu o Cruzeiro Real. Uma unidade equivalia a mil cruzeiros. Foram aproveitadas cédulas do padrão anterior e emitidas cédulas novas. 

Real (R$) – de 1994 até os dias atuais

Ver Descrição / Ver Descrição
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Finalmente, no governo de Itamar Franco – tendo Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda -, foi instituído o Real no Brasil, em 1º de julho de 1994. Isso ocorreu após um período de transição, com a adoção da Unidade Real de Valor (URV).

Na época, um real equivalia a 2.750 cruzeiros reais. Não houve corte de zeros ou carimbagem de cédulas, como no passado. O Banco Central determinou a substituição de todo o dinheiro em circulação. 

A moeda vigora até hoje e garantiu o controle da inflação galopante, mudando a vida da população brasileira. Apesar disso, não significa que inexista inflação. Desde o surgimento do real, houve desvalorização da moeda. Isso levou, agora, ao anúncio do lançamento de uma nova cédula, no valor de R$ 200, previsto para agosto. 

  Brincadeira feita no Twitter com a nova nota – Reprodução / Twitter

A nota, segundo o Banco Central, será estampada com a imagem de um Lobo-guará. A novidade levou muita gente a brincar com o fato e espalhar “montagens” nas redes sociais, sugerindo outras estampas, entre elas a do “vira-lata amarelo”.

Brincadeiras à parte, o fato, segundo destacou a colunista de GaúchaZH, Marta Sfredo, é que a nota de R$ 200 poderia ser de R$ 500, dado o tamanho da desvalorização sofrida pelo Real nos últimos anos.

Fonte: GaúchaZH

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