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QWERTY EDITORIAL | Quem será a próxima vítima?

Parafraseando o título da novela exibida em 1995, Dom Pedrito não vislumbra para o problema da criminalidade, nada além de ações pontuais que aqui desembarcam, para logo deixar o vazio da insegurança ser preenchido pela audácia dos criminosos

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Embora tentemos trazer nessas linhas assuntos mais amenos, somos forçados pelas circunstâncias a registrar o momento pelo qual passa a sociedade pedritense. Engana-se quem pensou que falaríamos do mal que assola a humanidade desde o final de 2019, a Covid-19, que mesmo invisível aos olhos humanos, causa morte por onde passa. Pelo contrário, aqui tratamos de um inimigo que é bem conhecido que tem suas raízes bem fincadas no tráfico de drogas, e é responsável por um sem número de crimes cometidos em cascata.

Dom Pedrito chega ao final do mês de agosto com dois homicídios e três tentativas de homicídio, números que por si só assustam a comunidade que não vê nas autoridades, notadamente as estaduais, qualquer movimento que indique uma resposta aos altos índices de criminalidade registrados em 2020.

Nesse cenário, a comunidade se pergunta: “Quem será a próxima vítima?” Quem nasceu em meados da década de 1980 certamente se recordará de uma novela de grande sucesso da Rede Globo, e que leva esse nome. Tudo girava em torno de um Chevrolet Opala preto que seguia as vítimas. O suspense dava o tom da trama que teve o começo e o fim, bem diferente da sensação que o pedritense tem em ralação ao momento atual, onde ele não vislumbra um final feliz, ao menos em curto prazo.

Outro fato triste de se ver é com relação à postura que o governo estadual vem tendo para com a segurança publica em geral, e quando se fala em Dom Pedrito, a constatação beira a tragédia. Como município, é sabido que inúmeras repartições foram sendo simplesmente fechadas ao longo dos anos e o desaparelhamento das polícias causa preocupação por causa do “andar da carreta”.

A Delegacia de Polícia local, só para se ter uma ideia, há tempos não tem sequer um delegado tampouco plantão, restando aos poucos inspetores e escrivães se revezarem para cumprir uma apertada escala de sobreaviso, que fazem em paralelo às suas funções nos respectivos cartórios, o que dificulta também, as investigações, que acabam focando nos crimes de maior gravidade. Recentemente, por causa do baixo efetivo, o atendimento que já estava restrito por causa da pandemia, ficou por vários dias ainda menor para os registros de ocorrência, retornando somente agora ao horário habitual.

A Brigada Militar, valente por seus integrantes, sofre há décadas com o descaso e o desaparelhamento em seus recursos humanos. Com um efetivo que não nos encorajamos a mencionar os números, a designação “esquadrão”, fica somente no nome, tornando a cidade cada vez mais dependente de Bagé, onde fica o comando. E que a cada operação mais pontual ou crime de maior gravidade despacha brigadianos para apoiar as ações locais.

É bem provável que o governo do Estado, diante da grave situação na área da segurança, onde o mês de agosto vem sendo um sinistro expoente, promova alguma ação, como aconteceu em 2019, depois que o Secretário Adjunto de Segurança Pública do Estado, o Coronel Aposentado da Brigada Militar Marcelo Frota esteve aqui ouvindo das autoridades locais, os apelos de uma comunidade que continua apavorada.

Infelizmente o que se viu foram somente algumas operações pontuais que através de reforços nos efetivos das duas polícias, deram uma ligeira sensação de segurança nas pessoas, sentimento que foi logo abafado pela onde de crimes que voltava sempre a crescer.

As únicas ações que efetivamente fazem parte do dia a dia dos policiais, veio por conta de ações de forças vivas ligadas ao município, como o Consepro, Poder Judiciário e empresários locais.

Em um futuro próximo haverá a formatura de 800 novos brigadianos, o que poderia significar uma possibilidade de aumento no efetivo local, mas como sempre, Serra e região metropolitana deverão ser as áreas priorizadas, restando a este rincão afastado, continuar sua luta por dias melhores.

Enquanto o Estado não cumpre sua obrigação, a comunidade pedritense continuará a se perguntar quem será a próxima vítima?

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