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Soro obtido de cavalos pode ser arma contra a covid-19

Anticorpos detectados em cavalos chegam a ser até 50 vezes mais potentes contra o coronavírus que os de humanos

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Um estudo de pesquisadores brasileiros detectou em cavalos a presença de anticorpos neutralizantes dezenas de vezes mais potentes contra o novo coronavírus do que os encontrados em humanos por ele infectados. Nesta quinta-feira (13/08), será registrado um pedido de patente nacional do soro obtido a partir dos animais.

No estudo, cinco cavalos do IVB, no Rio de Janeiro, receberam injeções da proteína S do novo coronavírus – a que forma espículas ou “pontinhas” ao redor do vírus – ao longo de seis semanas.

“Essa proteína é a que está presente na parte mais externa do vírus e em grande abundância, e é conhecida por estimular a produção de anticorpos – para os coronavírus em geral – com alto poder de neutralizar o vírus, ou seja, impedir que entre na célula e se propague”, explica Leda Castilho, coordenadora do Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares (Lecc) da UFRJ, que participou do estudo. 

Ainda em fevereiro, Castilho modificou geneticamente células cultivadas em laboratório a partir de um gene do vírus, cedido por colaboradores dos Estados Unidos para fazer uma cópia da proteína. Na prática, portanto, a proteína não é retirada do vírus para ser diretamente inoculada em animais, mas reproduzida ou “copiada” em laboratório. Além de ser usada em pesquisas diversas, tem sido utilizada em testes de diagnóstico da covid-19 e em algumas formulações das vacinas que estão em desenvolvimento. 

Os pesquisadores acompanharam a reação às inoculações semana a semana por meio de exames de sangue, e detectaram, em quatro dos cinco animais, anticorpos neutralizantes de 20 a 50 vezes, em média, mais potentes do que os encontrados no plasma de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, o Sars-Cov-2. 

“Em alguns pontos, chegou a ser 50 vezes maior [do que a potência dos anticorpos produzidos por humanos]”, afirma o pesquisador da UFRJ e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), Jerson Lima Silva, um dos autores do estudo. Segundo ele, um dos cinco animais teve maior lentidão para apresentar resposta imunológica, mas também produziu anticorpos. 

A ideia é que o soro obtido a partir do sangue de cavalos possa ser utilizado para tratamento de pessoas já infectadas, a exemplo do que é feito com casos de quem é contaminado por raiva ou picado por cobra e recebe soroterapia. Diferentemente da vacina, que contém agentes infecciosos capazes de fazer o corpo produzir anticorpos, o soro já vem com os anticorpos.

Para que possa ser aplicado em humanos, o plasma dos cavalos precisa ser purificado e filtrado. Os estudos clínicos, se aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), ocorrerão em parceria com o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). 

A pesquisa foi resultado de uma parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Vital Brazil (IVB). Conforme os pesquisadores, enquanto não há vacinas aprovadas – e se quando houver, deve haver dificuldade em atender à grande demanda por vacinação –, a soroterapia pode ser uma opção para o tratamento de covid-19. 

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