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QWERTY EDITORIAL | O que te diz essa imagem

Direitos e deveres, aplausos e vaias, os dois lados de uma moeda. Encontrar o denominador comum é palavra de ordem para que passamos ultrapassar esse terreno minado chamado pandemia

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Na manhã deste domingo, nossa reportagem foi surpreendida por mais uma ação do Executivo municipal. O tema amplamente noticiado, mais uma vez dividiu opiniões, foi alvo de críticas e elogios, recebeu o aplauso e a condenação daqueles que, a semelhança de um magistrado, sentenciam, e como um especialista, teorizam sem arregaçar as mangas.

Referimo-nos ao fato de a prefeitura de Dom Pedrito ter, através de sua Secretaria de Planejamento, Gestão Estratégica e Meio Ambiente, juntamente com o Núcleo de Trânsito, tomado a medida de isolar os espaços públicos da Capital da Paz, com destaque para algumas praças.

Certamente, uma simples “fita zebrada”, não impedirá aqueles que quiserem avançar sobre as áreas interditadas, do contrário teriam que ser construídos muros, instaladas cercas eletrificadas, dispor guardas armados por entre balanços, gangorras e bancos. Mas aí estaríamos nos comparando ao homem do passado, quando cidades eram fortificadas, muralhas construídas e muros dividiam cidades ao meio, exemplos que a história mostrou não se sustentarem como medidas de proteção.

Essa simples fita zebrada, assim como um frágil lacre, tem um papel simbólico e educativo. Ela fala o óbvio, mas como já disse um sábio, o óbvio, as vezes precisa ser dito. Ao estar amarrada a bancos, brinquedos e acessos, ela faz um apelo a quem por ela passa.

Muitos dizem que a medida não tem efeito, que é preciso fiscalização. Certamente, a fiscalização é importante, mas além de servidores da prefeitura e da Brigada Militar nas ruas, é preciso que as pessoas assumam o seu papel como membros de uma comunidade. O momento é grave, vidas estão sendo perdidas, economias estão caindo por terra, pessoas estão desenvolvendo quadros de depressão. E tudo por que, porque alguns dizem que não aguentam ficar em casa – egoísmo e falta de empatia, simples definição de quem só pensa em si. Mas que fazer, a humanidade ainda se arrasta na senda da evolução moral.

Na imagem acima, retira-se importantes ensinamentos a cerca da história antiga e recente. Ao fundo, uma das estruturas mais emblemáticas da arquitetura pedritense – a estação ferroviária, palco de tantas partidas e chegadas, tantos abraços de adeuses e de reencontros. Altaneira, desafiando o tempo e a negligência dos governos, ela deu lugar a escolas, quarteis e bibliotecas. Como guardiã de uma história, ela mostra que o tempo não para e que com paciência tudo se resolve.

Um pouco mais perto, propositalmente desfocado, aparecem os brinquedos e bancos da praça. Outrora, repletos de famílias tomando mate e crianças a brincando, agora o que se vê são fitas a indicar que não é o momento de sair. Educando, informando e protegendo, as fitas atuam como guardiãs de algo que só vemos o valor quando somos impedidos de utilizá-los.

Em primeiro plano, a máscara. Incorretamente descartada, ela aparece como um dos símbolos da pandemia. Antes usada quase que somente por profissionais de saúde, ela ganhou status, inflacionou e no começo da pandemia sumiu das prateleiras das farmácias, obrigando a que muitos passassem a confeccioná-la. Jogada no chão, simboliza a negligência do indivíduo diante da necessidade que há em cuidar de si mesmo e dos outros.

Há os que os que defendem que as pessoas tem o direito de estarem aonde bem entendem, mas aqui aparece uma premissa – o direito de um, termina quando começa o do outro, simples assim.

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