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Qwerty Editorial – E a festa do Covid, aconteceu ou não?

Acusações, denúncias e investigação do Ministério Público marcaram o tema

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Não há em Dom Pedrito quem não tenha ouvido falar sobre uma suposta festa que teria sido promovida em uma residência particular, em plena vigência de decretos municipais, onde um determinado número de pessoas, (alguns mencionaram 30, 60 pessoas até) onde algumas estariam contaminadas por Covid-19, e que por conta disso, o número de casos subiu consideravelmente na cidade.

O boato atingiu tamanha proporção que nomes foram citados como sendo os responsáveis por promover a tal festa que teria contado, inclusive, com a presença de autoridades municipais. Entre acusações e fofocas, o certo é que caso foi parar na polícia, com pelo menos uma pessoa registrando um Boletim de Ocorrência.

Foi então que o Ministério Público entrou na questão, pedindo para que a prefeitura de Dom Pedrito apurasse mais a fundo as acusações que foram feitas. Pessoas que testaram positivo para Covid-19 depois da dita festa foram ouvidas e todas elas negaram que teriam participado do referido evento. Aliás, nenhuma imagem, seja foto ou vídeo mostrando o que teria acontecido, veio a público, o que seria difícil se isso realmente aconteceu. E outra, os vizinhos teriam visto movimentação de carros na frente da casa onde a tal festa teria acontecido, afinal, os boatos davam conta de que seriam dezenas de pessoas presentes.

Nossa reportagem conversou com o Promotor de Justiça Francisco Saldanha Lauenstein, autoridade que pediu informações à prefeitura. O representante ministerial falou que não chegou ao ponto de instaurar uma investigação, uma vez que não foram encontrados indícios de que o evento tenha efetivamente acontecido. O mais perto disso que se chegou foi a constatação de uma reunião privada na casa de uma das pessoas citadas, mas nada semelhante ao que rolava no falatório popular.

É certo que se a festa aconteceu, nada ficou provado, nem por parte das autoridades, nem por conta dos comentários generalizados que agora correm o risco de seus autores terem que dar explicações na justiça por aquilo que poderá, agora sim, ser considerado crime, como injúria e difamação, sem falar na repercussão negativa que as vítimas e seus familiares possam ter sofrido.

Quanto a realização da tal festa, não dizemos que ocorreu. Chamamos a atenção somente para o perigo que existe de que a partir de um boato, prejuízos possam ser causados a pessoas muitas vezes inocentes, aliás, é o que frequentemente acontece no âmbito das redes sociais, onde a maioria dos usuários não percebe que a tela diante de seus olhos representa uma extensão de suas vidas. Seus contatos, seu currículo, sua identidade está literalmente na internet e qualquer palavra ou ação que se tenha nessa seara, pode repercutir imediatamente e com uma força imensamente grande na vida de outros indivíduos.

Sabemos que mesmo depois dessas considerações, haverão aqueles que continuarão afirmando a realização da suposta festa, mesmo sem terem visto nada, mesmo sem poderem provar, mesmo tendo apenas ouvido alguém falar. A estes, infelizmente, só resta lamentar e torcer para que a sucessão das gerações se encarregue de formar consciências mais éticas e dotadas de senso crítico.

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