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De Queenstown, Nova Zelândia, Augusto Dias fala sobre a rotina na terra dos “Hobbits”

Tenham força, fiquem em casa, evitem aglomerações desnecessárias, cuidem uns aos outros. Comprem só necessário, pois alguém mais pode precisar e principalmente, respeitem uns aos outros. Essas foram algumas das palavras desse pedritense que há 12 anos mora naquele país

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A Nova Zelândia é um país conhecido por suas belas paisagens, com lagos, vulcões e uma fauna distinta, formada principalmente em razão do seu isolamento. Contudo, ela é um dos países mais desenvolvidos e industrializados do mundo com altas taxas de desenvolvimento humano, qualidade de vida e outros índices que a colocam em destaque no cenário mundial. Suas paisagens ficaram mundialmente famosas na trilogia “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”.

A despeito de tudo isso, o país e seus habitantes vêm se ressentindo dos efeitos da pandemia. Para saber mais a respeito, nosso jornalismo conversou com mais um pedritense que mora naquele país.

Augusto Dias é pedritense e está em Queenstown, Nova Zelândia. No dia 6 de abril ele completará 12 anos morando naquele país. Guto, como é conhecido pelos mais próximos, conta que lá trabalhou em diversas áreas, colheita de frutas, plantio, poda, camareiro em um hotel, mas hoje em dia trabalha numa empresa de controle de pragas, restauração de áreas atingidas por incêndio e enchentes.

1- Como o avanço do coronavírus apanhou a população local

No começo do mês a população estava tranquila em relação ao vírus, pois desde janeiro, pessoas vindas da China, Irã e alguns outros países com alto risco, estavam proibidos de entrar. Mas tudo mudou em duas semanas.

2- Quais medidas foram tomadas pelo governo e o que mudou na rotina depois disso?

O País estava no “level” dois de segurança, pois não havia muitos casos, o que significa, a fronteira estava fechada para qualquer pessoa que não seja residente ou cidadão. Ontem (22) havia 66 casos no País inteiro hoje (23) de manhã, 36 novos casos surgiram. O aumento de casos fez a Primeira Ministra anunciar que a partir de hoje à tarde o país entra em “level” três, fecharam escolas, academias, cinemas, museus, igrejas, bares, restaurantes, etc. Em 48 horas muda para “level” quatro, tudo fecha. Por quatro semanas nada abre, só o que funciona são farmácias, hospitais, bombeiros, polícia, supermercados e postos de combustíveis. Todo mundo tem que ficar em casa a não ser que tenha que ir a um desses lugares, mesmo assim manter distância de 2 metros e sem contato físico. Inicialmente é por quatro semanas mas pode se estender.

3- Como as pessoas em geral estão lidando com essa nova realidade?

É difícil dizer como as pessoas estão lidando pois está começando a partir de hoje, mas muitos estão apavorados, pois não se sabe por quanto tempo vamos ter que viver assim.

4- Há falta de alguns produtos, como álcool gel, por exemplo, semelhante ao que acontece no Brasil?

Sim, falta. Hoje no mercado não tinha mais pão, álcool, paracetamol, lencinho de papel, arroz, etc. Os mercados tem o produto, mas como a demanda é muito grande, eles não conseguem repor rapidamente. E as pessoas estão fazendo o contrário do que o governo está pedindo.

5- Além da preocupação com as pessoas, o governo já projeta perdas financeiras em decorrência da crise?

A projeção é que demore uns cinco anos para se recuperarem e que 80% das empresas tem grande chance de falir. Onde eu moro a economia gira em torno do turismo, mas não tem turista, então, muitas empresas estão fechando as portas e demitindo gente, locadoras de carro, companhias aéreas, taxis, restaurantes, cafeterias, academias, quase todas não conseguiram abrir novamente. A estação de esqui provavelmente não vai abrir o que gera muito capital para a cidade.

6- como o fechamento das fronteiras foi recebido pelos neozelandeses e pessoas que estavam em visita ao país?

Pelos Neozelandeses foi muito bem aceito, pois todos os casos do vírus aqui estão relacionados com alguém que estava viajando e voltou ao país. Aos turistas não foi recebido muito bem, pois estão cancelando todos os voos então eles estão trancados no país e não se sabe por quanto tempo.

7- O que você espera, particularmente, sobre o futuro, depois que a crise for controlada?

A única coisa que espero é que possamos ver o futuro e que possamos aprender com isso tudo.

8- O que você diria para os brasileiros, em especial para os familiares e amigos de Dom Pedrito?

Tenham força, fiquem em casa, evitem aglomerações desnecessárias, cuidem uns aos outros.  Comprem só necessário, pois alguém mais pode precisar e principalmente, respeitem uns aos outros, pois em algum ponto todos vamos precisar de ajuda. À minha família e amigos, meu coração e pensamentos estão com todos vocês.

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