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Pedritense que está em quarentena em Lisboa conta como tem sido os últimos dias

Morando em Portugal onde trabalha na Sky Europe, Nilton Garcez conta como os portugueses estão enfrentando a pandemia pelo Coronavírus

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O avanço e o aumento dos casos de coronavírus não param. Em Portugal, em 24 horas, o número de casos confirmados de Covid-19 registou esta terça-feira (17) o maior aumento em número absoluto até agora, subindo o número de doentes infetados para um total de 448, com 117 casos novos identificados desde segunda-feira (16). A reportagem da Qwerty Portal de Notícias conversou com o pedritense Nilton Garcez, que é formado em Ciência da Computação pela PUCRS e mestrança em Gestão de Projetos pelo ISEG LISBOA, trabalhando atualmente na Sky Europe empresa daquele país.

– Nilton Garcez, pode nos passar alguns dados do Coronavírus na portugal ?

Isso é um pouco amplo. Atualmente há 448 diagnosticados. Oficialmente. Mas existem muitos ainda à espera de resultados. Uma pessoa que faleceu por conta disto. Portugal está, ao que tudo indica, prestes a declarar estado de emergência. A reunião entre o presidente da república e o primeiro ministro vai ocorrer amanhã pela parte da manhã.

– Você acha que o vírus foi de alguma forma subestimado ?

Sim. A mentalidade das pessoas por aqui era “é só mais uma gripe”. Como em boa parte dos países que hoje revêm o modo de como mitigar a situação. Não é só mais uma gripe, não atinge fatalmente somente os mais idosos e grupos de risco. Mais que isso. Se não houver isolamento social, há grande chances de a pandemia crescer exponencialmente. Caso que estamos atualmente passando por aqui

– Sobre o anúncio da quarentena, houve alguma corrida ou pânico por suprimentos por aí ?

Estou de quarentena, em casa, pois minha empresa permite trabalho remoto. Não são todos que tem essa possibilidade. Há filas em supermercado. O abastecimento de comida não dá conta da demanda. Estabelecimentos como: supermercado, farmácias, shopping centers tem limitações de números de clientes. O espaçamento de um metro entre pessoas tem de ser respeitado e as filas contornam quarteirões.

– Como é estar em casa, morando numa cidade como Lisboa ?

É bom, porque sinto que estou a ajudar a não propagação do vírus, num país maioritariamente de idosos. É mal, pois me sinto um pouco isolado. Mas um isolamento necessário, dadas as circunstâncias. Temos serviços de compras on-line de mercados e farmácias. Mais que isso, os bairros se organizaram de forma a ter pessoas que vão as compras para aqueles que estão em quarentena, por hora, voluntária. Há um grande suporte.

– O que as autoridades estão fazendo para enfrentar a situação?

Pra além do que já foi referido, há uma série de providências sendo tomadas. Já há fecho das fronteiras com países vizinhos (terrestre, fluvial e aéreo). Há possibilidade de exame pra despiste do Covid-19 em casa. Não haverá corte de energia ou gás por falta de pagamento (se for o caso). Há pagamento assegurado para os que são autônomos e não estão a trabalhar (até 70% do vencimento). Escolas, faculdades, creches, estão fechadas. Acho que as medidas cabíveis estão sendo tomadas. Na minha opinião, tardiamente, mas estão.

– Você acha que as pessoas estão mais protegidas ficando em casa ?

Não há dúvida sobre isso. Isolamento social é a melhor forma de evitar que o vírus se propague. Aqui agora há um senso comum: “Se eu posso vir a ter covid-19 mas sou saudável, que ajude a não passar isso a frente para pessoas que não tem tanta sorte.

– Além das perdas humanas, já é possível mensurar os prejuízos financeiros decorrentes de uma crise como essa ?

Sim. Prejuízo com o turismo, comércio e restaurantes já são vistos e sentidos. Restaurantes e bares, pra já, são obrigados a encerrarem às 21 horas. A proibição do consumo de bebidas alcoólicas nas ruas, pra evitar aglomerações, é uma das medidas adotadas.

– Tem acompanhado a situação do Brasil ? O que acha das medidas tomadas até agora para combater e prevenir a contaminação no país ?

Tenho acompanhado de longe. Honestamente, me surpreende positivamente, que algumas pessoas, empresas e mesmo instituições de ensino, estejam adotando medidas que dificultam a propagação do vírus, de forma autônoma. Entretanto, prevejo uma situação calamitosa, face aos números já conhecidos e a extensão do território.

– O que você diria para os brasileiros, especialmente seus conterrâneos, sobre tudo que está vivendo e que ensinamentos se pode tirar disso tudo?

Fácil: Não é só uma gripe. Cuidem-se. Cuidem de vocês para que possam assim, cuidar dos demais. Previnam que esse vírus propague-se de uma maneira que o sistema de saúde não de conta do tratamento. Olhem a Itália, observem a França, Alemanha. Não há sistema de saúde no mundo preparado pra isso. Não cometam o erro de achar que isso que está acontecendo é banal. Não é. Pessoas estão sofrendo, morrendo por isso. Ta nas mãos (literalmente) de cada um mudar o curso dessa pandemia.

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