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Na Espanha pedritense fala sobre como tem sido os dias de quarentena por conta do COVID-19

Rafaela Marchezan, que mora em León na Espanha e estuda na universidade daquela cidade

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Mais um pedritense conta como está a situação do COVID-19 na Europa. Desta vez nosso contato foi com Rafaela Marchezan, que mora em León na Espanha e estuda na universidade daquela cidade. O balanço de hoje (17) revela que as infecções já são 11.178 e as mortes, 491. Madrid continua a ser a comunidade com mais casos (4.871) e após o encerramento das fronteiras, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, não descarta igual medida para o espaço aéreo.

– Rafaela Marchezan, pode nos passar alguns dados do Coronavírus aí na Espanha ?

A Espanha até então era um país que estava levando a situação do coronavírus de uma forma muito tranquila. Já Itália que fica ao lado, não foi tomada nenhuma medida que chegasse na situação que estamos agora, pois é o primeiro país com mais casos, não fechou fronteiras e não tomou nenhuma atitude antes para evitar o que está acontecendo agora.

A universidade em que eu estudo, recebe cerca de 180 nacionalidades para uma cidade muito pequena, que regula com Santa Maria no Rio Grande do Sul. Até uns cinco dias atrás o número era bem baixo aqui em León, cerca de 29 pessoas de casos confirmados, e agora já são 431 casos. No país inteiro já são mais de 11.000 casos, e número é muito alto pela proximidade que temos com a Itália. Por isso, se medidas tivessem sido tomadas, o panorama poderia ser outro. Saiu um decreto bem rígido no sábado (14), para cumprir quarentena, e só podemos sair na rua para ir no hospital, na farmácia e no mercado. Cerca de 80 viaturas policiais vigiam para manter as pessoas em casa.

– Você acha que o vírus foi de alguma forma subestimado ?

Na minha opinião o vírus ainda está sendo subestimado, inclusive eu e um grupo de brasileiros levávamos muito na brincadeira, até ver a proporção que tomou. E temos que ter responsabilidade, principalmente com os idosos que fazem parte do grupo de risco. É um vírus que não é letal, mas se espalha muito facilmente. Acredito que em algumas semanas tudo vá se tranquilizar, até porque tudo está bem rígido. Tem muita gente no Brasil que também está subestimando o vírus. Aqui as pessoas valorizam muito o profissional da saúde, inclusive com manifestações diárias às 20h, e escutamos muito longe.

– Sobre o anúncio da quarentena, houve alguma corrida ou pânico por suprimentos por aí ?

Muito, muito. Até fizemos uma crítica sobre isso, porque é uma situação desnecessária, pois em momento algum faltaria suprimentos. Basta nos mantermos em casa e se proteje, mas não é proíbido ir no mercado. Nos primeiros dias faltou carne e frango, papel higiênico, mas agora já estão repondo.

– Como é estar em casa, morando numa cidade como León ?

Bem triste porque hoje é meu aniversário, estou fazendo 20 anos. Mas é uma situação necessária, além disso, eu gosto muito da cidade de León, é uma cidade bem universitária e tem muita coisa para fazer, embora neste momento esteja sendo bem chato. Daqui a duas semanas vai iniciar a semana Santa, que é um feriado bem grande na Europa, quase dez dias sem aula. Eu gosto tanto da cidade, que vim para ficar seis meses, e vou estender o intercâmbio por mais seis meses.

– O que as autoridades estão fazendo para enfrentar a situação ?

Por enquanto as medidas que eu tenho conhecimento estão funcionando, como por exemplo a quarentena onde policiais passam de meia em meia hora com megafone, restrições de saídas e cancelamento de aulas e eventos.

– Você acha que as pessoas estão mais protegidas ficando em casa ?

Acredito que sim, porém não é a única coisa, pois não adianta ficar em casa e sair para ir no mercado ou na farmácia, e quando voltar não lavar as mãos e tomar os cuidados necessários, até mesmo o uso do celular que tocamos toda hora, mas fazendo isso acho que se estabiliza esta situação.

– Além das perdas humanas, já é possível mensurar os prejuízos financeiros decorrentes de uma crise como essa ?

Os prejuízos são em cima de alguns produtos que estão subindo muito e a maioria das pessoas não terão condições de comprar.

– Tem acompanhado a situação do Brasil ? O que acha das medidas tomadas até agora para combater e prevenir a contaminação no país ?

Pelo que vi o Brasil foi bem mais prudente do que a Espanha, pois tomou muitas atitudes antes, como fechar escolas e cancelar eventos. No caso de vocês ainda não chegou no auge, deve piorar um pouco, ao contrário da Espanha que o auge está sendo agora. Mas medidas foram tomadas, embora ache que deveriam fechar as fronteiras do Brasil.

– O que você diria para os brasileiros, especialmente seus conterrâneos, sobre tudo que está vivendo e que ensinamentos se pode tirar disso tudo ?

Me vem muitas coisas na cabeça, porque o intercâmbio para mim sempre foi um sonho. Já havia viajado para os Estados Unidos, mas nunca havia ficado tanto tempo fora de casa. Mas sempre disse do meu desejo de morar fora, e os meus pais sempre apoiaram, principalmente se fosse essa minha vontade.

É difícil em alguns momentos como hoje, mas é uma experiência que me ensina tanto sobre mim, sobre convivência e sobre as outras pessoas, novas culturas e lugares. As pessoas tinham uma imagem dos brasileiros, e com nossa presença mudaram um pouco, se encantaram e nós também. Sou muito apegada aos meus pais, mas estou vivendo um sonho, mesmo com essa situação do coronavírus que tem limitado muita coisa. Mas isso é só um momento.

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