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Uma pedritense em quarentena na Europa

Morando em Madri onde foi estudar um mestrado, Kellen Pohlmann conta como os espanhóis vem enfrentando a pandemia pelo Coronavírus

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Com o aumento dos casos e na tentativa de conter o avanço do coronavírus no país, o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, declarou “estado de alarme”, onde a população deve fazer quarentena de 15 dias. Todos devem ficar em casa, saindo somente para comprar comida, remédios, ir ao hospital ou outras urgências.

A reportagem da Qwerty conversou com a pedritense Kellen Pohlmann, pedritense, publicitária que vive em Madrid, na Espanha, onde foi estudar Mestrado em Marketing Digital. Ela trabalha como especialista na área, atendendo empresas brasileiras (inclusive empresas pedritenses) e espanholas.

Acompanhe abaixo a entrevista:

– Kellen, pode nos passar alguns dados do Coronavirus na Espanha?

A metade dos casos registrados do país se concentram em Madrid e 40% dos pacientes estão hospitalizados. O governo fala em um crescimento de casos nos próximos 10 dias e o estado de alarme provavelmente se estenderá por mais de 15 dias. Os hospitais estão colapsados devido à falta de respiradores e outros equipamentos para os idosos. Por enquanto, a taxa de letalidade na Espanha é de 3%. Apenas 5% dos casos requerem atenção intensiva. Até o momento, o país tem 335 mortes (número oficial até às 15h de hoje), sendo a idade dos falecidos entre 73 e 99 anos. O fechamento das fronteiras já é uma possibilidade comentada pelo governo. 

– Você acha que o vírus foi de alguma forma subestimado?

Sabemos que é “apenas uma gripe”, mas o que precisamos entender é a VELOCIDADE de propagação do vírus e o risco aos idosos. Tudo está acontecendo muito rápido e não temos recursos suficientes para atender tanta gente. Não existe outra maneira de conter o vírus, para reduzir a rápida transmissão, temos que fazer quarentena. 

– Sobre o anúncio da quarentena, houve alguma corrida ou pânico por suprimentos?

Quando soube do aviso na terça feira passada, corri para o supermercado como medida de prevenção e muitos fizeram o mesmo. Foram uns 4 dias de movimento intenso nos supermercados, com filas enormes e falta de alguns produtos como carne, verduras, congelados e o famoso papel higiênico (!), nestes primeiros dias. Todos os supermercados continuam funcionando normalmente, alguns com avisos de entrar apenas um número limitado de pessoas e mantendo a distância de 1m nas filas. Todos estão sendo abastecidos e agora, nesse momento, não há falta de nenhum alimento.


– Como é estar em casa, vendo uma cidade tão vibrante como Madrid, praticamente parada por causa de uma pandemia?

Madrid é uma das capitais mais visitadas do mundo, conhecida pelo grande movimento das ruas, com suas bares sempre lotados, uma vida muito ativa devido ao excelente clima e hoje está parecendo cena de filme. Madrid está enclausurada. Escolas, universidades, bares, restaurantes, museus, lojas do comércio, academias e parques estão fechados. Apenas supermercados, farmácias, postos de gasolina, bancos e Correios ainda estão abertos. Estamos tentando manter a calma, pensando que esse momento vai passar e logo poderemos voltar às ruas. Particularmente, sou abençoada por poder trabalhar de casa, mantendo uma rotina de trabalho como se eu estivesse em um escritório e minha única saída é para levar o lixo nos contenedores de rua. Ainda podemos ir ao supermercado e farmácia, respeitando a ordem de ir apenas um membro da família e em casos emergenciais. 


– O que as autoridades estão fazendo para enfrentar a situação?

O Presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, fez um esclarecimento ao vivo na televisão na última sexta feira, orientando a população a não sair de casa e quais estabelecimentos ainda podem estar abertos. O maior pedido é para a população não sair de seu domicílio, aumentar a higienização e cuidar dos idosos. A Polícia Nacional e a Guarda Civil estão nas ruas pedindo que as pessoas retornem a suas casas, usando até drones com megafone. Esse controle está se intensificando a cada dia e multas de 600 euros já estão sendo aplicadas para os cidadãos que descumprirem as ordens das autoridades. 


– Você acha que as pessoas estão mais protegidas ficando em casa?

Para medidas de controle e propagação do vírus, estar em casa é o melhor remédio! Mas estar em casa fazendo isolamento social não é sinônimo de estar em férias. As crianças não poderão ir para as calçadas e praças. Os alunos precisam estudar em casa se possível, e aqueles que conseguem trabalhar home-office que façam. Aqui na Espanha, muitas escolas estão enviando conteúdo de estudo aos seus alunos por internet e a grande maioria das empresas já são preparadas para os funcionários trabalharem de casa. 


– Além das perdas humanas, já é possível mensurar os prejuízos financeiros decorrentes de uma crise como essa?

As previsões sobre as consequências econômicas que a Espanha irá sofrer ainda são difíceis de fazer, pois vai depender da duração e nesse momento ninguém consegue determinar nada. Os espanhóis dizem que a crise vai ser muito grande e que serão tempos difíceis. 

– Como você avalia a situação no Brasil e as medidas tomadas até agora para combater e prevenir a contaminação?

Viram o presidente Bolsonaro cumprimentando o povo ontem? O ato foi de extrema falta de educação e conhecimento! As autoridades precisam dar exemplo, mas também não podemos esperar que o Governo faça algo, a população precisa ser consciente de seus atos. Vejo que as empresas, escolas e universidades já estão tomando medidas e estão no caminho certo. Agora é cada um fazer o a sua parte e de forma rápida. 


– O que você diria para os brasileiros, especialmente seus conterrâneos, sobre tudo que está vivendo e que ensinamentos se pode tirar disso tudo?

Precisamos estar dispostos a mudar radicalmente nosso estilo de vida pelas próximas semanas. Não é apenas para ajudar a si mesmo, é para ajudar a sociedade como um todo e principalmente, as pessoas mais frágeis, como nossos pais e nossos avós. É hora de pensar nos outros! Não é fácil estar isolado em casa, mas é necessário para evitar a propagação do vírus. 

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