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Qwety Editorial – Caso Emanuelle e o alerta para a Saúde em Dom Pedrito

Morte de menina por falta de atendimento especializado mostra a precariedade da estrutura no atendimento médico local

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Não é de hoje que Dom Pedrito enfrenta um problema no atendimento médico, notadamente em algumas especialidades e a morte da menina Emanuelle Lemos Simões de Lima é mais uma mostra do quão desaparelhada está a saúde nessa cidade que contabiliza mais de um século e meio. Com um ferimento grave é verdade – a artéria femoral de uma das pernas foi atingida por um disparo de arma de fogo. Emanuelle recebeu o atendimento imediato no Pronto Socorro, mas o procedimento cirúrgico que poderia salvar a sua vida, até agora estamos sem saber o porquê de não ter sido realizado. Poderão dizer que não havia um cirurgião vascular, sim é verdade, mas diante da gravidade da situação, não é o caso de pensar o que seria mais arriscado: um cirurgião da cidade, competentes, aliás, realizar o procedimento, ou arriscar transferir uma paciente em estado grave, por uma estrada ruim, para uma cidade a 240 km? É uma pergunta que precisa de resposta.

O fato é que a Capital da Paz não dispõe nem de um serviço de traumatologia, por exemplo, e o paciente com uma fratura, por mais simples que seja, tem que ser, necessariamente, transferido para Bagé. Não somos especialistas na área, mas como usuários, sentimo-nos preocupados com essa situação que não vem, é bom que se diga, recebendo a atenção dos governantes nas últimas décadas, até porque, muitos serviços que antes eram disponibilizados, foram extintos ao longo dos anos.

A morte da menina Emanuelle é o cúmulo de um cenário em que o atendimento médico local mostrou o seu sucateamento e o descompromisso do poder público municipal, que é o responsável por tal serviço.

Alguns atribuíram essa morte à ação da polícia que realizou a operação em um horário supostamente impróprio, mas esquecem de que essa ação aconteceu justamente para a proteção das pessoas de bem. A fatalidade aconteceu por conta de circunstâncias alheias a vontade das forças de segurança que tão logo a menina foi atingida, prestaram todo o socorro necessário.

Se há alguém ou algum órgão que deva ser responsabilizado, deve-se iniciar essa relação com o poder Executivo de Dom Pedrito que é por lei, o responsável por oferecer uma saúde minimamente adequada para a comunidade, e isso deveria incluir serviços que diminuíssem a transferência de pacientes para outras localidades, como ocorre atualmente.

Mas e qual é a receita? Bom, esse é um problema para os gestores, afinal são eles que ganham, e muito bem, para se dedicar a demandas como essa.

Não é possível que um município rico como Dom Pedrito, com mais de 150 anos, referência nacional quando se fala em agricultura e pecuária, esteja até hoje negligenciando áreas como a saúde. O que mais será preciso para que tenhamos um atendimento médico local que salve vidas em vez de coloca-las em risco? Será preciso que mais pessoas morram?

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