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Qwerty Entrevista – Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii)

Em entrevista a Qwerty Portal de Notícias, artista declarou que espera tocar em Dom Pedrito em breve.

Humberto Gessinger; vocalista, baixista, tecladista, guitarrista, gaitista, violeiro, compositor e escritor. É o líder da banda Engenheiros do Hawaii, fez turnê ao lado de Duca Leindecker no projeto Pouca Vogal, e agora está com seu mais recente projeto: “Não Vejo a Hora”.

Humberto possui uma carreira cheia de conquistas, incluindo uma indicação ao Grammy Latino. O compositor de hits como “Infinita Highway”, “Terra de Gigantes” e “O Papa É Pop” concedeu uma entrevista exclusiva a Qwerty Portal de Notícias falando sobre sua carreira.

Você pode conferir a entrevista na íntegra abaixo:

Qwerty Portal de Notícias: Como foi o teu primeiro contato com a música e quando decidiste que queria ser artista?

Humberto Gessinger: Sempre fui fascinado por música. Ganhei meu primeiro violão quando tinha seis anos, mas só na adolescência fiz algumas aulas de bandolim e violão. Nunca pensei em ser artista, as coisas aconteceram de forma muito natural na minha carreira. Um passo e cada vez. Pensando mais como um maratonista do que como um corredor de 100m.

Qwerty: Neste ano de 2020 a coletânea “Rock Grande do Sul” e o festival Rock Unificado completam 35 anos, como tu vê a importância destes acontecimentos?

HG: Foram sinais de que o mainstream estava começando a se dar conta da força da música que se fazia em Porto Alegre desde os anos 70.

Qwerty: O LP “A Revolta dos Dândis” lançado em 1987 e marca uma mudança na sonoridade da banda, mais voltada para o pós-punk. Foi uma mudança natural?

HG: Há uma mudança natural no som, pela mudança de formação e por minha passagem da guitarra para o baixo. Quanto a minhas ideias e composições, não acho que tenham mudado muito. O que houve foi um amadurecimento muito grande no ano que passamos na estrada entre os dois discos.

Qwerty: Em outubro o disco “O Papa é Pop” completa 30 anos; e o papa está mais pop do que nunca, tu concordas que o “pop” está tomando conta do mundo?

HG: Nunca quis fazer de meus discos tratados sociológicos. O disco O Papa é Pop fala com naturalidade sobre vários temas, um deles é a forma como as coisas são simplificadas quando caem no liquidificador da comunicação de massa.

Qwerty: Falando sobre outros projetos, tu também tem uma carreira de escritor. Transmitir sentimentos através de texto é semelhante ao que acontece nas canções?

HG: Literatura e música têm suas especificidades. A primeira tende a ser mais introspectiva, a segunda mais celebratória. Mas a palavra sempre foi muito importante na minha música assim como o ritmo é importante nos meus textos. Então, às vezes a fronteira entre ambas fica imprecisa mesmo para mim.

Qwerty: Como tu vê o cenário da música brasileira atualmente?

HG: Não tenho nenhuma saudade dos anos 80. Esteticamente, acho que há muita diversidade hoje, pra quem souber procurar. Mas obviamente a arte sofre (e muito) com os problemas estruturais de um país subdesenvolvido.

Qwerty: A rotina de turnês, gravações não fica cansativa com o tempo e a idade?

HG: Não saberia viver de outra maneira. Me divirto mais trabalhando do que em férias. A cada novo disco e tour, me sinto como o garoto que começou uma banda em 85. Produzo de forma mais lenta hoje pois já fiz muita coisa e não faria sentido ficar me repetindo. Isso me obriga a ser mais seletivo. Mas a rotina de shows segue a mesma.

Qwerty: Em 2019 tu lançaste o disco “Não Vejo a Hora”, que em muitas músicas se vê uma sonoridade mais tradicionalista em algumas canções. Como foi o processo de “maturação” desse projeto?

HG: Há mais continuidade do que ruptura no meu trabalho. A partir do AO VIVO PRA CARAMBA, comecei a trabalhar minhas músicas com dois trios, power e acústico. Essa dualidade foi muito importante na construção do disco. Além disso,me impus a disciplina de não fazer overdubs, para preservar a simplicidade dos trios. E, claro, ficar atento ao que as músicas pediam. Às vezes basta prestar atenção aos caminhos que já estão traçados nas próprias músicas.

Qwerty: A sonoridade tradicionalista também já é bem conhecida no teu trabalho, vista em músicas clássicas como “Herdeiro da Pampa Pobre” e “Ilex Paraguarienses”. Como é o teu contato com a música gaúcha?

HG: A família do meu pai é de imigrantes alemães, a da minha mãe, italianos. Do vale e da serra. Não tenho origens no campo, mas sempre gostei da música feita aquiu. Principalmente pela geração que misturou o som regional com o universal, nos anos 70, como Bebeto Alves e Musical Saracura.

Qwerty: Qual é a tua relação com Dom Pedrito, já vieste na cidade, já se apresentou aqui?

HG: Infelizmente nunca toquei em Dom Pedrito. Montei a banda em 85 e, a partir de 87, comecei a tocar mais Brasil afora do que dentro do RS. Espero que role show por aí em breve.

Qwerty: Humberto, para finalizar, citando a última faixa do “Não Vejo a Hora”, qual é a tua missão?

HG: Fazer música e seguir minha intuição, pensando mais no caminho do que no ponto de chegada.

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Por: Antonio Pedro Soares

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