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Um cervejeiro na Capital da Paz

Sexto melhor cervejeiro do Brasil, convidado por várias cervejarias e dono de um baita carisma. Conheça como o pedritense Rui Farias foi do hobby a um reality show com os melhores cervejeiros do país

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Cerveja! São poucas as pessoas que não apreciam esta bebida que remonta há 6 mil anos A.C, líquido já conhecido pelos egípcios, sumérios, mesopotâmios e iberos. Apreciada em muitos países, sua formula recebeu inúmeras variações durante os séculos, mas os ingredientes básicos se mantiveram: água, malte de cevada ou trigo e lúpulo.

Tradicional no Brasil, a bebida, além da indústria, é produzida por entusiastas que, fazem de suas receitas, verdadeiras paixões. As cervejas artesanais como são conhecidas, ganharam força nas últimas décadas e tomaram conta do gosto de muitos apreciadores.

Em Dom Pedrito, alguns expoentes também começaram a se aventurar no preparo dessa bebida milenar. Foi o que aconteceu com Rui Farias, nome que em pouco tempo alcançou um destaque que o levou a participar de um reality show, momento em que ele sagrou-se o sexto melhor cervejeiro do Brasil.

Preciso de um hobby

 

Rui nos contou que, como profissional da área de informática desde 2004, envolvido com a resolução de problemas de clientes, procurava uma forma de relaxar, um hobby por assim dizer. Como já apreciava uma cervejinha no final do dia, e como uma cerveja de qualidade geralmente tem um valor mais alto, pensou: “vou aprender a fazer”. Começou então, a estudar junto com um amigo. Juntou dinheiro para comprar os primeiros equipamentos. Iniciaram-se, então as primeiras receitas. Algumas cervejas ficaram boas, outras nem tanto. Rui conta que sentiu a necessidade de começar a estudar mais para melhorar e padronizar sua produção.

 

Em dado ponto de sua recente trajetória como cervejeiro pensou: “Vou enviar minha cerveja para um concurso, para saber o que está errado, o que tem que melhorar”. Foi, então, que o concurso da Eisenbahn surgiu como possibilidade. Com mil participantes, o concurso é muito exigente. Rui enviou uma Berliner Weiss, que segundo ele, é uma cerveja que tem como ingredientes o trigo e é complicada de produzir, por que foi um estilo que ele se dedicou bastante. A surpresa foi quando ele recebeu uma ligação dizendo que tinha ficado entre os trinta melhores do Brasil. Imaginem a alegria. A pessoa ainda disse que haveria mais uma seleção e que ele poderia ficar entre os dez melhores do Brasil e em caso de classificação, participar de um reality show. A partir daí uma exigência: não poderia contar para ninguém. E não deu outra: Rui se classificou e sem contar para ninguém, além das pessoas mais próximas, fez a mala e foi para São Paulo. Foram quinze dias de gravações. Quando Rui voltou, já sabia que tinha ficado em sexto lugar. O programa passava na Multishow e na Globo semanalmente. “Pra mim foi uma baita experiência, foi uma parte da minha vida que eu achei que nunca iria viver”, disse o cervejeiro.

Depois disso o hobby virou coisa séria e a vida mudou. Convites de cervejarias para fazer parcerias e tal, mas havia um tempo contratual em que ele não pode participar dessas atividades. Findo o período de seis meses, Rui continuou seus estudos e também pensando como iria fazer daquele momento em diante. Cervejeiro Cigano, que em síntese é um cervejeiro sem cervejaria – para produzir sua bebida, ele aluga a estrutura de uma cervejaria que presta esse serviço. Em casa ele só põe a panela no fogo para estudar alguma receita e não perder o hobby.

“Em breve estarei indo ao Paraná para, em colaboração com uma cervejaria de lá, fazer uma cerveja de butiá. Vou levar nossa cultura para essa cerveja” disse Rui. Sobre o futuro, o cervejeiro pensa em montar um BrewPub, ou seja, um bar com cervejaria, porém como gosta de viajar como cervejeiro cigano, essa possibilidade ainda precisa ser avaliada.

O surgimento da cervejaria

Quando Rui saiu do reality show, começaram a surgir muitos convites para fazer cervejas colaborativas e outras parcerias. Em função do contrato, os primeiros movimentos nesse sentido começaram somente depois de seis meses, tempo que aproveitou para refletir bastante sobre o que iria efetivamente fazer. Rui consultou as legislações pertinentes e percebeu que para montar uma estrutura de cervejaria em Dom Pedrito seria muito dispendioso, tanto financeiramente como burocraticamente. Qual seria, então, a forma mais viável de produzir sua própria bebida? Ser um cervejeiro cigano, é claro. Em novembro de 2019, veio finalmente a decisão de levar adiante esse projeto, mas ainda com a ideia em mente de no futuro montar uma estrutura em Dom Pedrito. Depois de algumas viagens procurando bares parceiros para distribuir sua cerveja, mais alguns estudos e parcerias, Rui percebeu depois do último Farm Show, que Dom Pedrito poderia ser o ponto inicial para mostrar a qualidade do seu produto. E a procura foi grande. Veio o lançamento do Chopp no final de 2019, e a participação em duas feiras. Em março desse ano deverá começar a produção de cerveja em garrafas além de outros rótulos que estão previstos para o decorrer do ano

A escolha do nome

Desde a participação do reality, Rui estava com o nome em mente, uma vez que lá cada um precisava ter um apelido. Como seus avós sempre o chamaram carinhosamente de Ruizoca, o nome da cervejaria veio como uma homenagem aos avós. Como muitos amigos e parceiros o conhecem por esse apelido, a marca só tinha a ganhar com o nome. “Nosso primeiro rótulo, aliás, é uma homenagem a Dom Pedrito e aos meus avós. Com a caixa d’água ao fundo, eu fazendo uma cerveja em um fogo de chão e os meus avós do lado” disse Rui com orgulho de seu trabalho.

 

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