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Qwerty Editorial – Agosto Lilás, o mês de prevenção à violência contra a mulher. Uma análise do contexto social onde as mulheres ainda são tratadas de forma desigual e são violentadas física e moralmente, é o que você vai encontrar no editorial dessa semana

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Muita gente não sabe, mas agosto é o mês escolhido para simbolizar a luta pela conscientização e prevenção à violência contra a mulher, e faz alusão à data de aniversário da Lei Maria da Penha, que foi sancionada em 7 de agosto de 2006.

Mas o que todos sabem, é que Dom Pedrito vive uma onda de violência em todas as faixas da sociedade, porém, existe uma que se ressente mais que as outras, e diz respeito às mulheres – a violência doméstica.

O problema, certamente, não é privilégio de nossa cidade, mas como abordamos o tema de maneira local, analisaremos o contexto pedritense dessa prática. É sabido que o fato de as mulheres serem violentadas pelo dito sexo dominante é histórico, e faz parte, inclusive, do processo evolutivo do homem enquanto espécie. Felizmente, as constituições, notadamente a brasileira, com o tempo passaram a garantir direitos e deveres iguais para todos os seus cidadãos, muito embora, na prática os direitos estejam longe de serem efetivamente garantidos.

O grande questionamento que se impõe é com relação ao fato de que na atualidade, mesmo diante de tantos avanços, diariamente a Delegacia de Polícia de Dom Pedrito, registra casos de violência contra a mulher, que não é apenas física, a chamada lesão corporal culposa. Também existem as ameaças, estupros, crimes contra a honra e finalmente o feminicídio, que é o crime de homicídio cometido contra a mulher motivado por violência doméstica ou discriminação de gênero.

Esse tema já foi destacado aqui outras vezes, frente ao impositivo de sua reiteração diária nas residências de todos os bairros de Dom Pedrito. Muitos casos apresentam um histórico de registros bastante extenso, onde as vítimas procuram as autoridades uma dezena de vezes, o que mostra que, embora exista uma rede de proteção voltada para a mulher vítima de violência, alguma coisa ainda não funciona plenamente.

Analisando o problema em sua fonte, ou seja, o que gera o ato da violência, pode-se conjeturar que ele é o resultado e não a causa de um problema maior pelo qual atravessa a sociedade como um todo. É como a ponta de um iceberg, o que se vê é apenas uma parte, uma mostra do que realmente está gerando esse quadro dramático que aparece nos veículos de comunicação.

As medidas instituídas nos últimos anos são avanços, é verdade, mas é preciso também, criar medidas preventivas e educacionais para que o resultado, ou seja, a violência em si não venha a se materializar. Do contrário, estaremos somente apagando incêndio, isto é, agindo depois do mal instalado.

Talvez as gerações atuais possam ver num futuro próximo, um cenário mais condizente com o século XXI. Talvez a diminuição do machismo, traço cultural ainda muito forte, notadamente nos gaúchos, resultado de uma herança de bravura e que muitas vezes é confundida com truculência, possa fazer com que situações desse tipo diminuam naturalmente, ao ponto de serem consideradas lembranças amargas de um tempo longínquo.

Até lá, cabe a todos nós enquanto sociedade organizada, procurar fazer jus a essa denominação. Às vítimas e testemunhas, cabe denunciar os agressores. Ao poder público, criar e melhorar as medidas protetivas já existentes, e manter o tema sempre em evidência, de forma a promover uma consciência coletiva de proteção e amparo a toda pessoa, notadamente à mulher que, por questões culturais, ainda é tratada de forma desigual.

Agosto lilás, mais que um mês para refletir, proteger e conscientizar, é um período que deve servir para a sociedade como um todo – crianças, jovens e adultos, cultivarem uma prática de harmonia e respeito, onde o forte protege o mais fraco; onde o instruído impulsiona o ignorante; onde aqueles que dispõem de mais recursos, promovam o desenvolvimento dos menos favorecidos, onde a comunidade protege suas mulheres.

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