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QWERTY EDITORIAL – A Capital da Paz está em guerra

A audácia dos bandidos; a lei de oferta e procura; a resposta das forças de segurança; a sensação da comunidade, são temas abordados nas linhas abaixo

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O que fazer, senão lamentar a atual fase pela qual atravessa a comunidade pedritense? Não bastasse os reveses da vida, naturais a toda pessoa humana, a criminalidade aparece como um ingrediente indigesto nessa sopa que é a sociedade.

Nos mais diferentes bairros de Dom Pedrito, pessoas referem ouvir e ver tiroteios, onde grupos rivais, a semelhança do Oeste americano, onde as populações, muitas vezes isoladas, precisavam se cuidar dos problemas e dificuldades inerentes aquela recuada época, como o ataque de índios às caravanas; grupos de bandidos que amedrontavam vilarejos, Dom Pedrito a despeito de todo o esforço de nossas forças de segurança, não está conseguindo vencer essa guerra.

Parece irônico, mas a Capital da Paz está em guerra. Uma guerra que infelizmente não é, sequer, silenciosa, uma vez que entre um tiroteio e outro, as famílias, acuadas, presa em suas próprias casas, escutam os estampidos das armas.

Na semana que passou, em entrevista ao Programa Opinião, veiculado pela Qwerty Portal de Notícias, o Juiz Titular da 1ª Vara da Comarca de Dom Pedrito falou que a maioria dos crimes cometidos atualmente está ligada ao tráfico e ao consumo de drogas, e que é difícil combater esse comércio ilegal, uma vez que existe um imenso grupo de consumidores de drogas. Prende-se um ou dois traficantes, surgem outros em seu lugar porque existe a procura pelo produto que este comercializa, simples assim.

É um problema social e as medidas eficientes para enfrenta-lo são muitas, porém, também de muito longo prazo. Enquanto não se consegue transformar a sociedade, precisa-se de medidas punitivas, como que as que as policias, o judiciário, o Ministério Público e outras instituições realizam.

Infelizmente, só a construção de escolas não elimina com a criminalidade, muito embora elas sejam mais do que nunca necessárias. Então se lança mão das alternativas imediatas: mais policiamento, mais casas prisionais, mais políticas governamentais que promovam a segurança. Claro, essas são alternativas que não são aplicadas e desenvolvidas como deveriam ser. Sem recursos ou competência para tal, os governos, impotentes diante desse monstro que ajudou a criar, atua como quem apaga um incêndio, ou seja, até chega a debelar as chamas, mas o estrago já está feito. A prevenção falhou.

A semana que passou, por exemplo, a guerra do tráfico deixou mais uma vítima. A vítima que cumpria pena no Presídio Estadual de Dom Pedrito, estava de dispensa e retornaria no dia seguinte à casa prisional. Infelizmente, a disputa por pontos de venda de drogas, rixas com grupos rivais ou razões que a massa comum nem imagina, não permitiram que Marcos Ricardo Moreira da Luz fosse dormir naquele dia. Por ironia do destino ele foi morto em frente a sua casa, local conhecido como Beco da Punhalada.

No dia seguinte, outro indivíduo que em vezes anteriores trocou tiros neste local, foi alvo de um cumprimento de Mandado de Prisão Preventiva. Dionatan da Silva Ernesto, resistindo à prisão, tentou matar um policial com um facão. Para se defender, os policiais precisaram atirar contra o criminoso, que foi atingido por alguns disparos.

A população que a tudo observa, até fica feliz quando um criminoso é morto ou ferido, sem perceber que o próprio desejo de vingança, de retaliação, é um comportamento que a aproxima de quem promove a violência.

Já que a sociedade brasileira, que contabiliza pouco mais de 500 anos não consegue promover o bem comum, de forma a harmonizar sua sociedade, talvez se espelhar em nações que já superaram essa fase, possa ser um primeiro passo rumo à resolução de problemas básicos como a falta de segurança.

Quem sabe, modificando o código penal, investir em educação, esporte, lazer, desenvolvimento social na sua mais ampla definição, como podem ser vistas em países de primeiro mundo, estejamos nos aproximando do ideal para uma sociedade que se considera civilizada.

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