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Dom Pedrito – Policial civil deixa a cidade após dez anos de serviços

Na tarde de ontem (04), entrevistamos o Escrivão de Polícia, Márcio Bruno Santos, de 39 anos, que está se transferindo para a cidade de Santana do Livramento, após dez anos de serviços prestados na Delegacia de Polícia de Dom Pedrito. À nossa reportagem, o policial falou sobre o período em que atuou na DP, sua experiência profissional e casos em que participou.

Portal Qwerty – Há quantos anos na você está na polícia?
Márcio Bruno – Estou há onze anos na Polícia Civil, sendo que após os seis meses de Acadepol, tomei posse em Porto Alegre, em dezembro de 2003, e fui lotado em Dom Pedrito, em fevereiro de 2004.
Portal Qwerty – Em quais cidades já atuou além de Dom Pedrito? 
Márcio Bruno – Além de Dom Pedrito, já trabalhei prestando apoio em diversas cidades como Camaquã, Jaguarão, Bagé, Gramado, Rosário do Sul, além de ter participado de operações nas mais diversas cidades.
Portal Qwerty – O que faz o escrivão de polícia e qual a maior responsabilidade?
Márcio Bruno – O Escrivão de Polícia é o responsável pelo serviço cartorário, confecção de Inquéritos Policiais e envio destes para o Poder Judiciário. Na prática, Escrivão e Inspetorde Polícia, embora sendo cargos diferentes, excutam os mesmos serviços, sendo que trabalhei apenas seis meses em cartório, e após vim para a Seção de Investigação, onde desempenhei minhas funções nestes quase onze anos em Dom Pedrito.
Portal Qwerty – Hoje você aconselharia um filho a seguir este mesmo caminho?
Márcio Bruno – Com certeza aconselharia e aconselho minhas filhas a seguirem minha profissão, até mesmo pela qualificação que a Polícia Civil possui hoje em dia, exigindo curso superior desde o concurso de 1998, o que fez com que o nível de conhecimento dos policiais se tornasse cada vez mais elevado, e o que fez com que o governo reconhecesse esta evolução, melhorando os salários dos policiais civis gaúchos.
Portal Qwerty – Qual a maior satisfação que sua profissão lhe trouxe?
Márcio Bruno – A satisfação no serviço policial é algo passageiro, vivemos entre altos e baixos. O que nos traz satisfação é o reconhecimento da população, quando um serviço é prestado, quando uma operação policial rende frutos, quando traficantes são presos, quando um homicida é condenado.
Portal Qwerty – Qual foi à experiência mais marcante nestes dez anos?
Márcio Bruno – As experiências marcantes foram muitas, iniciei numa época, sobre a coordenação do Delegado de Polícia José Renato Moura, em que algumas gangues tentavam tomar conta em seus bairros, gangues como a Gangue do Meu Norte, que cobrava pedágio dos populares, Gangue da Promorar, que infernizava a vida dos moradores do bairro com arrombamentos de casas, tiroteios e assaltos, a Turma da Júlio, da qual muitos ainda vão lembrar, sendo que, nesta época, éramos apenas cinco policiais para tomar conta de uma Delegacia cheia de inquéritos pendentes, e com diversos delitos acontecendo, e mesmo assim conseguimos dar fim a estes grupos.
Já a experiência negativamente, foi à tentativa de salvamento de um bebê que foi enterrado vivo, logo após o nascimento, e que tenteida melhor forma possível, salvar, prestando socorro e encaminhando ao atendimento médico, mas a criança infelizmente não sobreviveu. Para mim que sou pai de duas filhas, aquilo foi terrível.
Portal Qwerty – Qual sua opinião sobre a requalificação dos Policiais Civis, acha que é necessária?
Márcio Bruno – Quanto à requalificação dos policiais civis gaúchos, acredito que estamos no caminho certo, com policiais cada vez mais qualificados, e buscando aprimoramento através de cursos de especialização na área.
Portal Qwerty – Está atuando na Delegacia de Polícia de Dom Pedrito há dez anos. Neste período desvendou diversos casos de homicídio, dentre eles o de maior destaque o caso do “Cabeludo”. Fale sobre este caso?
Márcio Bruno – O caso do homicídio do Cabeludo foi, sem dúvida, um dos mais complicados de desvendar, primeiramente em razão de ter sido noticiado apenas como um desaparecimento, e posteriormente pela dificuldade na localização do corpo do mesmo, que somente foi localizado depois de vários meses. Porém, através de uma investigação realizada com campanas e escutas telefônicas, logo a verdade veio à tona, com a prisão dos culpados, que posteriormente resultou em condenação dos mesmos pelo Tribunal do Júri.
Outro caso de grande repercussão foi o assassinato do Mercinho, no qual trabalhamos com afinco na parte investigativa, em apoio a Inspetora responsável pelo inquérito.
Portal Qwerty – Você também desvendou casos de estupro de grande repercussão como o de uma menor de quatro anos em 2011. Fale sobre ele?
Márcio Bruno – Infelizmente os casos de estupro resolvidos foram muitos, um delito repugnante, que nem mesmo os aprisionados toleram, e um delito difícil de provar, vez que nunca ou raramente possui testemunhas.
Portal Qwerty – Você se arrepende de alguma coisa nestes dez anos?
Márcio Bruno – Nestes dez anos não tenho do que me arrepender, tudo o que veio foi aprendizado, tudo veio para somar, tudo são experiências.
Portal Qwerty – Que mensagem gostaria de deixar a comunidade pedritense?
Márcio Bruno – ?Para a comunidade pedritense deixo o meu muito obrigado, aqui sempre me senti em casa, pois sempre fui tratado com cordialidade e respeito, e sempre procurei tratar a todos da mesma forma. Peço desculpas por algum erro cometido, com certeza foi na tentativa de fazer o melhor. Um grande abraço a todos.

Por: Marcelo Brum – MTB/RS 84.490 – FENAJ 8202
Setor de jornalismo: portal@qwerty.com.br

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