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Qwerty Editorial – O fim do ano se aproxima. O cidadão pedritense tem motivos para comemorar?

Com 2019 chegando ao seu final, e nas vésperas de mais um aniversário de Dom Pedrito, vamos refletir um pouco sobre a trajetória da cidade que foi o nosso berço, e comparar os ideais de nossos pioneiros com a política dos dias atuais. Leia e deixe sua opinião sobre o assunto tratado no editorial dessa semana.

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O ano 2019 vai se encaminhando para seu final e muitas atividades estão sendo realizadas, entre elas a Farm Show 2019, exposição agropecuária que pode ser considerada como uma das mais antigas e tradicionais do Rio Grande do Sul. O evento que iniciou em 1907, através da Sociedade Agrícola e Pastoril Pedritense, talvez não imaginasse que, mais de cem anos depois estivesse no patamar atual.

E não poderia ser diferente. As terras pedritenses, aliás, férteis terras, fazem desse que é um dos maiores municípios do Rio Grande do Sul, um verdadeiro celeiro do Brasil, com destaque para a qualidade de rebanho bovino, genética que é exportada para todo o país, e em especial a lavoura de arroz, que elevaram a Capital da Paz a um nível que a tornou referência nacional do agronegócio.

Há décadas, a Farm Show expõe o que o município tem de melhor. O agronegócio gerou divisas, empregos e renda. Infelizmente o modelo de agronegócio que se desenvolveu na metade Sul do Estado, seguiu uma tendência antiga que concentrou muito a renda, deixando uma desigualdade social marcante em nossa comunidade.

A despeito disso, o município tornou-se próspero, muito embora essa prosperidade não tenha se revertido em oportunidades iguais para todos, nem em condições de vida mais igualitárias. Nossa infraestrutura parou, literalmente, no tempo. As estradas rurais integram a lista de necessidades básicas que continuam até hoje, longe daquilo que seria minimamente ideal, fato que pode ser confirmado por qualquer um que precise se aventurar por entre a extensa malha rodoviária do município de Dom Pedrito.

Poderão dizer alguns, que o município é muito grande, que a manutenção dessa imensa infraestrutura demanda muito dinheiro. Sim, é verdade. Mas, por outro lado, essa mesma grandeza é a que gera divisas equivalentes, afinal, o PIB de nossa cidade é oriundo quase que em sua totalidade, do setor primário, ou seja, Dom Pedrito só aparece no mapa econômico brasileiro, graças ao campo, de onde saem alguns dos melhores produtos – grãos e carne de qualidade, referência para todo país.

Em se falando em motivos para comemorar, não podemos olvidar a quarta-feira da próxima semama – 30 de outubro, aniversário de Dom Pedrito. Quase um século e meio de história, de batalhas, literalmente falando, de colonização, de crescimento econômico, cultural e urbano. Talvez Pedro Ansuategui não imaginasse que daquela picada aberta nas matas do Rio Santa Maria, uma cidade se ergueria; talvez Bernardino Ângelo, quando indicou a transferência do povoado das margens do rio para o local onde hoje está a igreja matriz e arredores, não tivesse em mente que praticamente cento e cinquenta anos depois estaríamos a braços com problemas que ele enfrentou naquela remota época; talvez Padre Bastos, quando perambulava pelas ruas de chão batido do centro da cidade, não pensasse que depois de tantas décadas, Dom Pedrito continuasse, em termos de infraestrutura, muito quem para uma cidade de tal idade e número de habitantes.

Para quem ama sua terra, como a grande maioria dos pedritense, pesa ter que ver outras cidades do mesmo porte com ruas asfaltadas, semáforos, educação e saúde de qualidade e uma gama de serviços e produtos que poderiam existir aqui também.

Mas é inegável que não precisamos refletir se a balança dos prós e os contras indica que devamos comemorar ou não. Com uma política local fervilhando de interesses e acusações, a comunidade descrente desses representantes que olham mais para seus bolsos do que para seus representados, a grande maioria da comunidade pedritense, que permanece fixa na linha da pobreza, certamente não enxerga motivos para comemorar.

Depois de quase 150 anos de história, a sociedade pedritense permanece culturalmente e economicamente pobre, sem perspectivas de alcançar por meios próprios, a independência e dignidades que a faria se orgulhar de viver nessas terras.

O fim do ano se aproxima. O cidadão pedritense tem motivos para comemorar?

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