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Qwerty Editorial – Eleições 2020 – A festa da democracia?

Na iminência de mais uma eleição, o meio político municipal começa a se agitar. Dinheiro, interesses pessoais, status e disputas são alguns dos temas tratados no editorial dessa semana

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As eleições são, como dizem no meio político, a festa da democracia, muito embora não tenhamos muito o que comemorar nas últimas décadas. O Brasil, com seus poucos mais de 500 anos, ainda engatinha no que diz respeito a busca pela ordem e o progresso, que estão, inclusive, estampados em sua bandeira. De colônia chegamos à república, passando por um longo período de sistema imperial.

O período de ditadura, ou governo militar, como alguns preferem chamar, também deixou sua marca. A democracia, delegando ao povo o direito de escolher nele próprio os seus governantes, trouxe uma sensação de liberdade. Estava criada a chamada festa da democracia. O problema é que alguns convidados, que antes não partilhavam desse bolo, acabaram colocando a mão no merengue e se lambuzando.

Em síntese, a classe política, com raras exceções, durante as últimas décadas, construiu para si uma imagem muito feia, onde a maracutaia está quase sempre associada. É como o mentiroso inveterado – quando ele fala uma verdade, ninguém mais acredita. Desta forma, embora existam políticos honestos, a classe à qual pertencem faz com que a população tenha sempre um pé atrás, que desconfie, que só acredite vendo, qualificando-os, não raro, de “farinha do mesmo saco”.

Em Dom Pedrito, uma coligação pouco provável, elegeu Mario Augusto e Alberto para comandar o Palácio Ponche Verde. Muitos até especulavam até quando iria durar essa união, numa referência as experiências passadas, onde ideias divergentes e interesses escusos, separaram chefes do Poder Executivo Municipal.

A coligação, no caso presente, continuou, mas a união de esforços de Mario Augusto e Alberto se desfez. Passado mais da metade do governo, Mario Augusto, que de começo afirmava não ter intenção em se reeleger, já não pensa mais assim. Alberto, ao se filiar com o PSB, traz a sigla para a Capital da Paz e já se alinha para concorrer no próximo pleito.

Na casa ao lado, alguns vereadores que iniciaram seus mandatos com altos índices de aprovação, após pesquisa divulgada aqui nesse espaço, perceberam que a comunidade já não aprova tanto assim suas atuações.

Mas um fato curioso começa a ser registrado em Dom Pedrito e que coincidentemente ocorre sempre que uma nova eleição está por acontecer – recursos começam a aparecer, ou seja, dinheiro passa a chegar ao município. A maioria é oriunda de emendas parlamentares, que, embora não sejam dispensáveis, soam como esmolas institucionalizadas dos parlamentares que, estrategicamente, vão molhando a mão de instituições e governos, como a manter na memória do povo pedinte, a lembrança de quem ajudou. Aliás, os políticos são exímios na arte de usar os holofotes. Basta uma câmera ser erguida e lá estão eles de sorriso aberto, com crianças no colo, abraçando, apertando a mão, desfilando no 20 de setembro, sem falar nas obras, onde cada qual pretende ser “o pai da criança”.

Essa, também é a época em que começam despontar no cenário político, os aspirantes aos cargos públicos. De maneira que as vezes causam até estranheza, alguns passam a benfeitores da comunidade, promotores de campanhas em prol de necessitados, distribuidores de favores, iniciando, assim, como que uma campanha eleitoral antecipada.

2020 está logo aí. As eleições municipais se aproximam e a política local não dá mostras de renovação. Muito ao contrário, o que se vê são disputas pessoais por posições, status, poder, onde o bem comum, muitas vezes fica em segundo plano.

2020 está despontando, vem surgindo como o a alvorada, em que o sol ainda não apareceu, mas já é uma realidade.  Que o povo pedritense não se deixe mais uma vez, levar pelas falácias dos políticos de carreira; que as esmolas não sejam as únicas moedas a pesar na balança das urnas; que o eleitor não deposite seu voto só para ajudar aquele conhecido; que as próximas eleições tragam realmente, motivos para festejar a democracia.

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