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QWERTY EDITORIAL – É só um minutinho

O dia a dia em que as mais simples regras de convivência são burladas pelas pessoas

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Muito se fala sobre as grandes corrupções, os crimes em geral, que de uma forma ou de outra, tem o dedo da sociedade a lhe apontar na face. São os julgamentos vindos de todos os lados por pessoas de variados setores da sociedade. Acusam e emitem prejulgamentos. Em meio a isso tudo, esses mesmos que apontam o dedo, se esquecem de que no seu dia a dia, cometem os mesmo erros, talvez em menor escala, ou se não os cometem, é por falta de oportunidade. Parafraseando o dito popular, digamos que “o ladrão ainda não teve a ocasião”.

Vamos aos exemplos: o trabalhador termina o expediente, e como é natural, pega o seu carro e vai rapidamente para casa. No caminho, excede o limite de velocidade, e na sinaleira, para em cima da faixa de segurança. O sinal fica verde, um pedestre está na faixa, ele avança sem esperar a pessoa concluir a travessia. Ele segue o percurso, pega uma bala do porta objetos e joga a embalagem na rua. No trajeto, recebe a ligação da esposa que pede para ele passar no supermercado para fazer algumas comprinhas. Enquanto dirige, pega um papel e uma caneta e começa a anotar os itens que a esposa encomenda. O carro da frente para bruscamente e ele quase bate. Furioso, coloca a cabeça para fora e xinga o motorista da frente que esperava um idoso concluir a travessia. Chegando ao super, percebe que não há vagas de estacionamento. O trabalhador, então decide que vai ficar apenas alguns minutinhos, afinal, são apenas umas poucas coisas, e que não fará mau nenhum estacionar no local destinado ao acesso de cadeirantes. Na fila para comprar o presunto, o queijo e o pão, começa a reclamar da demora da balconista. Trinta minutos depois, finalmente está no caixa para pagar as compras. De repente, percebe que um dos itens de sua lista acabou passando duas vezes, acidentalmente pelo leitor de códigos de barras, o que já foi o motivo para acusar a operadora de ladra, chamar o gerente e fazer um escândalo. Ironicamente a mesma pessoa que reclamava há poucos instantes, fica quieto ao perceber que a operadora do caixa, nervosa por ter sido acusada, entrega o troco para mais. Depois de resolvido o empasse, e trabalhador vai ate o carro que ficou mais de meia hora em frente ao acesso de cadeirantes. Alguns minutos e pronto, ele chega em casa, senta em frente à televisão, onde já havia começado o noticiário das 19h. E vejam quais as principais notícias anunciadas pelo apresentador: infrações de trânsito crescem no RS; toneladas de lixo são jogadas nas ruas todos os anos; homem é condenado a dois anos de cadeia por calunia e difamação; mais um indiciado na Operação Lava Jato. Etc.

Como é possível perceber, nosso personagem fictício cometeu diversas infrações, quebrou diversas regras de convivência social, ficou quieto diante do troco a mais, ofendeu os outros e ainda se considera na posição de julgar aqueles que agem da mesma forma, apenas em uma escala maior.

As imagens que ilustram esse editorial nos foram enviadas por um leitor e são daqui mesmo. Elas retratam apenas um dos comportamentos sociais que são considerados faltas leves, mas que não deixam de serem faltas. São erros relativamente pequenos, mas que não deixam de serem erros.

O que falta em nossa sociedade, talvez seja precisamente a capacidade de se colocar no lugar do outro, daquele que atende na loja, de quem limpa as ruas, do que trabalha nos órgão de segurança, de quem tem necessidades especiais. Pensemos nisso!

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