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QWERTY EDITORIAL – Nuvens escuras se aproximam

Análise sobre o atual cenário socioeconômico da região.

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Não é nenhuma novidade a crise econômica e política pela qual atravessa o Brasil, nas últimas décadas. Escândalos de corrupção alcançando até aqueles que erguiam alto a bandeira da retidão, fazem cair por terra as últimas esperanças que a maioria da população nutria. A cada eleição, renovam-se as promessas, despontam novos “messias” (sem referências ao atual presidente), sem que o cenário moral, principalmente, tome um novo rumo.

Em meio a esse cenário, as dificuldades financeiras afetam os governos de maneira geral, e o Rio Grande do Sul, como todos sabem, é um dos que mais se ressentem dessa crise – servidores com salários atrasados, incapacidade de investimentos, endividamento, venda de patrimônio, etc. Os municípios, sem receber os repasses que lhe são devidos, ficam a mercê da maior ou menor competência de seus gestores que, sem perspectivas, administram com “um olho no padre e outro na missa”, numa referência aos poucos recursos existentes e a lei de responsabilidade fiscal.

Dom Pedrito, município que tem sua economia baseada essencialmente no setor primário, começa a ver nuvens escuras no horizonte. Depois das chuvas e enchentes que castigaram as plantações, afetando tanto as culturas de arroz (20% de perdas) como a de soja (40% de perdas), para não citar as demais, o município terá uma queda brusca na produção de grãos e, consequentemente, na arrecadação de impostos. O último laudo da Emater apontou prejuízos superiores à R$ 222 milhões aqui em Dom Pedrito.

O Executivo municipal que já vem com o “cinto apertado” há bastante tempo, ao receber essas notícias do campo, fica, realmente, com um abacaxi nas mãos. A matemática é simples e cruel ao mesmo tempo. Os gastos com a máquina pública permanecem os mesmos, enquanto que a receita diminui. Como fechar essa conta? Eis a pergunta de “um milhão de dólares”. Prefeitos se socorrem de recursos cada vez mais escassos, quer vindos do Planalto ou do Piratini; de emendas parlamentares dos papa votos pedritenses; de financiamentos que preocupam por não se saber ao certo como vão se pagar essas dívidas no futuro, enfim, a vida no município precisa continuar, mas um efeito dominó vai, aos poucos, afetando diversos setores da vida dos pedritenses – é mais uma repartição que fecha as portas; dificuldades na área da saúde, com a Santa Casa de Caridade lutando para receber do Estado aquilo que lhe é devido; falta de efetivo das polícias; a infraestrutura do município cada vez mais sucateada. E tudo isso com a previsão de os recursos financeiros oriundos dos impostos diminuírem ainda mais.

O que fazer frente a esse cenário? Para os mais espiritualizados, rezar por dias melhores é uma boa dica; em qualquer caso, seguir confiante e trabalhando, também se faz necessário. Se é certo que nuvens escuras se avizinham, é certo, também, que depois da tempestade vem sempre a bonança.

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