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QWERTY EDITORIAL – Falsos segredos e o gráfico da violência

Um olhar sobre a crença na impunidade e os números da criminalidade

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Para nós da imprensa, assim como para os que trabalham na área da segurança pública, existe uma constatação, que não se trata de previsão, mas um de fato que se pode observar conforme os anos passam – a violência é como um organismo vivo, ela se adapta, migra, aumenta e diminui na mesma medida em que é combatida. Representada em um gráfico, pareceria uma Montanha Russa, ora subindo, ora descendo.

Poderia ser, ainda, comparada ao vírus do HIV – é possível conviver com ele, se a medicação for administrada religiosamente, a ponto de a carga viral se resumir a uma contagem mínima no sangue do portador, porém, sem erradicá-lo.

Com a segurança pública é assim. O crime, se combatido fortemente, assim como uma medicação, será capaz de diminuí-lo muito, a ponto de ele chegar a índices muitos baixos, sem, contudo, extingui-lo totalmente.

Outra particularidade por nós observada é que, quando um ou dois crimes da mesma espécie começam a se repetir, é como uma onda que se alastra e toma conta. Parece que os criminosos em geral, dela se alimentam e assim, tentam se impor mais ferozmente sob a sociedade. São execuções sumárias, como a que ocorreu no dia 12 de fevereiro, onde um casal perdeu a vida diante de seus carrascos, presos dois dias depois pela polícia Civil. Assaltos começam novamente a surgir; arrombamentos a residências; agressões às mulheres; crimes passionais e até os casos de suicídio aumentam nessas épocas de nuvens espessas. E assim segue até que sejam novamente sufocados pelas ações das forças de segurança. Os ratos retornam para suas tocas.

Há um tipo de criminoso que literalmente opta por viver perigosamente, visto que alguns possuem empregos regulares, mas, associados ao tráfico, por exemplo, acabam pendendo para uma estrada de mão única. Uma vez que este criminoso sente prazer por viver no limite, não é possível mais voltar, o tráfico cobra um preço alto demais. De consumidor, muitos passam a traficantes, por conta de dívidas não pagas. Mas o trabalho já não se resume a apenas vender a droga, é preciso também, cobrar daqueles que devem. A moeda nesse comércio macabro é a vida dos devedores e concorrentes, daí os picos de violência que atingem toda a sociedade.

Felizmente, o segredo é uma falsa crença que o ser humano inventou para que uma verdade apareça em um contexto diferente. Crendo-se infalíveis, matadores como os da semana que passou, se julgam acima da lei. Com um ferro na mão, eles decretam quem pode ou não vier, até que são lembrados por homens e mulheres, combatentes empunhando a bandeira da ordem, do bem e da justiça, de que não há segredo, não há crime que não venha à tona, mais cedo ou mais tarde. Ontem pela manhã, a comunidade teve um exemplo dos mais notórios: dois dias depois de um duplo homicídio bárbaro ser cometido, os dois assassinos, já de calças molhadas, estavam agora amedrontados, algemados, nas mãos da polícia. Eles que se julgavam poder sair impunes, e seguir com sua sanha de atentados, terão que ver o sol nascer “quadrado” por um bom tempo, enquanto a sociedade respira aliviada sem as suas presenças.

O crime vai terminar depois desta ação? Certamente não. Mas os bandidos, como ratos que retornam para suas tocas, pensam duas, três ou mais vezes antes de tentarem, mais uma vez, transgredir as regras impostas pelos homens de bem.

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