Rosário do Sul: Brigada Militar pede cancelamento do carnaval de rua; briga que resultou em pelo menos quatro esfaqueados foi um dos motivos

(Foto: Foto: GGI / Brigada Militar / Reprodução)

O comandante do 3º Esquadrão da Brigada Militar, capitão Magno Siqueira, solicitou em ofício à prefeita de Rosário do Sul o cancelamento do Carnaval de Rua do município. Os motivos seriam o baixo efetivo da BM, falta de reforços e de segurança privada, bem como irregularidades de veículos durante a festa. O caso da briga que resultou em pelo menos quatro pessoas esfaqueadas – veja o vídeo abaixo –  na madrugada desse domingo (11) também motivou o pedido.

O consumo de bebidas alcoólicas e os casos de embriaguez ao volante também foram apontados no documento como agravantes da situação. O capitão deixou ciente de que se a festa prossiguir, a responsabilidade será da Administração Municipal. “Solicito a Vossa Senhoria o cancelamento do carnaval, pois não existe segurança necessária, mas caso vossa senhoria decida manter o evento, fica ciente de suas responsabilidades como organizadora. Este oficial já informou o Comando do Regimento, e informará também o Ministério Público para providências”, é afirmado no documento, referindo-se à prefeita Zilase Rossignollo Cunha (PTB).

O ofício possui várias considerações. Conforme o Capitão Siqueira, o efetivo de policiais de serviço não é suficiente para o evento do carnaval. Na última quinta-feira (08), ele já teria anunciado isso na imprensa local, pois o déficit na segurança pública já superava 50% em todas as cidades da região.

A falta de contratação de segurança privada por parte da prefeitura também é citada no documento, bem como a questão de veículos rebaixados com som no local, que dificultariam o trabalho do policiamento. A situação teria sido informada à administração municipal, que alegou que poderia autorizar por ser um evento popular, e enviou uma lista de 19 veículos. Todavia, segundo a BM, destes, 14 estavam em situação irregular. “A Brigada Militar teve que recolher vários veículos no local, dificultando assim a segurança, pois estas medidas administrativas empenham um grande efetivo, e um tempo relativamente importante para que os policiais foquem em outros riscos, como brigas generalizadas que aconteceram”, cita o documento.

No ofício também é lembrado o fato de ter sido acertado com a prefeitura que o som não poderia ultrapassar às 5h da madrugada. Porém, no momento que foi desligado, a população teria se inflamado contra a Brigada Militar, proferindo ofensas aos policiais, que não possuíam efetivo para garantir sua própria integridade. “Considerando que muitos indivíduos tumultuavam e desrespeitavam a Polícia Militar, dificultando assim a instituição da segurança adequada e que muitos condutores estavam dirigindo totalmente embriagados, circulando com crianças”, completa o texto.

O Capitão Siqueira informou que a BM possui apenas 13 soldados para garantir a integridade de aproximadamente 10 mil pessoas, número que se aglomeraria nas imediações do Carnaval de Rua. Até a publicação dessa reportagem, o evento estava mantido pela prefeitura de Rosário do Sul e o desfile das escolas de samba aconteceria no entorno da praça Borges de Medeiros.

Reportagem: Julio Lemos / Gazeta de Rosário