Pedritense integra seleção da Guiné Equatorial

    São vários os atletas formados na região que alcançaram expressivos resultados no futebol. Contudo, nenhum tinha tomado caminhos tão alternativos como Diouzer da Cruz dos Santos, 31 anos, conhecido como “Dio”. Nascido em Dom Pedrito, o meia-esquerda tem no currículo mais de 20 convocações pela seleção de Guiné Equatorial, a contar eliminatórias para a Copa do Mundo e amistosos. Entre as partidas, a que mais o marcou foi o confronto diante da Espanha, garimpada por ter, no elenco, craques como Iniesta, Piqué, Busquets, Xabi Alonso, Pedro e Sérgio Ramos.

    A oportunidade de vestir a camisa do país africano surgiu em 2013, numa passagem pelo Gabes, da Tunísia. “Recebi o convite de um treinador brasileiro para me naturalizar. Ele me mostrou o projeto e eu aceitei. Joguei eliminatórias para copa de 2014, no Brasil, mas não nos classificamos. O que mais me marcou foi atuar contra a seleção da Espanha, em 2014, contra vários jogadores de alto nível”, salienta.

    A última convocação de Dio foi um amistoso, em junho de 2017, contra a seleção de Benin. O intercâmbio com a Guiné Equatorial fez com que o pedritense conhecesse lugares que jamais imaginaria visitar, como Serra Leoa, Camarões, Costa do Marfim, Cabo Verde e Nigéria.

    Malária e pobreza

    A convocação não trouxe apenas felicidade para a vida de Dio. O ano de 2013 foi marcado por impasses. Após participar de alguns jogos pela Guiné Equatorial, o pedritense contraiu malária. Ele e outros dois brasileiros – Danilo e Rincón que, inclusive, morreu posteriormente.

    Ao voltar de viagem, sentiu uma série de sintomas originados pela doença. Com o diagnóstico confirmado, o meia precisou ficar afastado das “quatro linhas”. Em 2014, Dio retorna aos gramados e passa a vestir a camisa 10 do país, número reverenciado por ser o do craque da equipe.

    Outro impasse vivenciado por Dio foram as condições de vulnerabilidade social por grande parte da população africana. “Tenho a experiência de conhecer outras culturas e realidades de vida, como a pobreza de muitas pessoas nos países africanos. Tem muita diferença em relação ao Brasil. Quando falamos em passar fome é porque nunca vimos a real situação, principalmente das crianças de lá (África) que já nascem, muitas delas, infelizmente, desnutridas e sem expectativas de vida”, frisa.

    Currículo

    Sobre a carreira nos clubes, Dio começou a trajetória profissional no Camboriú, de Santa Catarina, entre 2004 e 2007. Após, passou por Guarani de Palhoça (2007), Atibaia (2007), Itapirense (2008), Coruripe (2009 e 2010), Red Bull Brasil (2009), CRB (2010), CSA (2011), Anapolina (2011), Campinense (2012), Mixto (2012), Águia Negra (2013), Gabes, da Tunísia (2013), Quindío, da Colômbia (2013), Maghreb Fes, Tunísia (2014 e 2015), 7 de Setembro (2016) e Bahia da Feira (2017). Em 2018, acertou com o Rio Preto, para a série A-3 do Paulistão. “Meus planos são fazer um bom campeonato, abrir mercado aqui em São Paulo e conquistar o acesso para a série A-2”, pontua.

    Irmão inicia carreira

    Se por um lado Dio tem uma trajetória consolidada no esporte, o irmão, Diego Cruz dos Santos, 21 anos, conhecido como “Pulguinha”, começa a traçar sua carreira. Ele conta que fechou seu primeiro contrato profissional, em 2016, no clube 7 de Setembro, de Dourados (Mato Grosso do Sul), onde foi campeão estadual, junto a Dio. Em 2017, atuou pela Águia Negra, no mesmo Estado. Para 2018, permaneceu na equipe para o campeonato sul-matogrossense.

    Com residência fixada em Dom Pedrito, os irmãos carregam o desejo do pai, Aírton César dos Santos, de proporcionar um futuro melhor aos jovens que vivem em vulnerabilidade. “Nosso pai morreu inesperadamente em 2017. Ele tinha um projeto em que levava ações culturais e a prática de futebol e futsal para as crianças mais pobres. O Diouzer abraçou a causa. Quando não estamos em Dom Pedrito, tem um amigo que dá andamento ao projeto”, relata Diego. E assim prossegue a jornada dos irmãos, que vai dos campos da Capital da Paz até os gramados africanos.

    Fonte: Folha do Sul