Seu Ozório: retirada de quiosque gera indignação em familiares do idoso

Quiosque foi retirado do local e levado para o Parque de Máquinas

Durante a semana passada, servidores da prefeitura atuaram na revitalização da Praça General Osório, os bancos foram pintados e o local foi enfeitado para as comemorações de Natal e Reveillon. Até aí estaria tudo normal, no entanto, um fato tem causado indignação e revolta nas redes sociais.

Tudo começou quando o quiosque do “Seu Ozório”, como é conhecido o sorveteiro que há  28 anos comercializa picolés e sorvetes na esquina da avenida Rio Branco com a rua Borges de Medeiros foi retirado pelos servidores e levado para o Parque de Máquinas.

Veja o relato feito pelo filho de Ozório em uma rede social

VIOLAÇÃO À DIGNIDADE.

“É de conhecimento público que em fevereiro do corrente ano, meu pai, seu Ozório da praça, sofreu um AVC enquanto trabalhava. Foi prontamente socorrido pela equipe do Samu e após ficou aos cuidados do dr Ari, na Santa Casa de Caridade por alguns dias.
Como estou estabelecido por condições de trabalho em Jaraguá do Sul, trouxe ele para ficar aos meus cuidados enquanto se recuperava do problema de saúde. A luta não está sendo fácil e nem barata, envolveu vários médicos como Clinico Geral, Neurologista, Fisioterapeuta, nutricionista e Geriatra. Aos poucos ele está se restabelecendo e tendo todas as necessidades atendidas. Para isso inclusive tivemos que nos desfazer de bens materiais para conseguir bancar seu tratamento.
Também tivemos que manter o quiosque fechado pelo fato do inverno não ser a temporada certa para mantê-lo funcionando. Após nos organizarmos, tentei por várias vezes dentro da prefeitura a segunda via do alvará para reabrir de maneira legal e fazer um reforço na renda para tratar o pai, não consegui. As desculpas foram muitas e principalmente de um setor especifico o que causou muita estranheza. A ideia seria abrir a partir de setembro como meu pai faz há 28 anos.
Como estava ocupado com compromissos profissionais e com o tratamento dele, não pude estar em Dom Pedrito sempre. A surpresa foi que no dia 26 de outubro uma pessoa, assinando por subsecretário de uma esfera municipal, me passou por aplicativo de telefone (isso é meio de comunicação da prefeitura?) uma mensagem solicitando a retirada do quiosque. Lógico, respondi que não e fui buscar os meios formais.
Esta semana recebi outra mensagem agora assinada por uma secretária com uma notificação datada do dia 06/12/2017 dando prazo de 05 dias para retirar o quiosque. Dia 07 protocolei um requerimento que não foi respondido. Por surpresa ontem, 08/12, o quiosque havia sido retirado. FORA DO PRAZO. ABUSO DE AUTORIDADE? VIOLAÇÃO DE DOMICILIO? FURTO? ONDE ELE ESTÁ?
A tristeza e indignação são tremendas. Isso mostra que estamos sendo dirigidos por um governo sem palavra. O que falar para seu Ozório que ama tanto Dom Pedrito e seus munícipes. Todo dia ele fala da praça e dos papos com seus amigos. A desculpa dada foi que o quiosque está atrapalhando a estética da praça. Há 28 anos atrapalhando? Pergunto: E os buracos nas ruas, e os valos à céu aberto, e o asfalto da Júlio e a falta de calçamento, isso também não é estética?

Em resposta aos comentários aqui postados venho agradecer a todos, não imaginávamos que o pai era uma pessoa tão querida.

Em resposta ao prefeito Mario Augusto e também a vereadora Rosimeri venho esclarecer alguns pontos:

1- Desde junho venho tentando junto a prefeitura saber se há algum tipo de documento irregular para buscar a regularização necessária. O que foi passado que a concessão havia vencido e que não seria mais renovada. Então pedi para ver tal concessão a qual não foi encontrada dentro da prefeitura em nenhum setor.

Desde então venho por vários meios buscar essas informações já que tenho documentação necessária provando o tempo de permanência dele lá. Inclusive entrando em contato direto com o prefeito e não sendo atendido.

2 – Em momento algum falei em transferir a concessão, o que pretendíamos era contratar uma pessoa com vínculo empregatício para trabalhar.

3- Minha maior indignação foi pelo fato da prefeitura ter dado prazo de “05 dias” via aplicativo de celular, para a retirada a partir do dia 06/12/2017 e ter retirado dia 08/12/2017, não dando tempo para nenhum tipo de recurso administrativo conforme feito no dia 07/12/2017.

O que diz o Poder Público sobre o fato

Em contato com a reportagem da Qwerty Portal de Notícias, a diretora do Departamento de Comunicação e Relações Públicas do município, Karohelen Dias, justificou que seu Ozório, há mais de 20 anos, possui um documento de permissão de uso do quiosque, que é intransferível, ou seja, somente o permissionário tem direito de utilizar o local. “A prefeitura, em momento algum tentou tirar o quiosque do seu Ozório, como ele ficou doente, a família dele foi notificada. A única informação que a prefeitura tinha sobre a família do seu Ozório era um número de telefone, tendo o município tentado contato com a família deste modo. Inclusive, no mês de outubro, a intenção era homenagear seu Ozório durante a Feira do Livro, no entanto, a família não concordou”, relatou Karohelen, acrescentando que a família do seu Ozório não entende como funcionam os trâmites envolvendo o documento de permissão de uso. “Em virtude da realização do Natal da Paz, a prefeitura está ocupando a praça, com isso, buscou entrar em contato com a família para que ela autorizasse a prefeitura a retirar o quiosque daquele local. O quiosque está no Parque de Máquinas, é dele, a família pode tirar de lá quando quiser, houve uma falta de comunicação. De forma alguma a prefeitura teve a intenção de tirar ele de lá, muito pelo contrário, assim que ele se recuperar, poderá retornar ao mesmo local onde trabalhava”, destacou Karohelen.