Justiça pronuncia Maicon Cunha Carvalho pelo assassinato de Igor Soares, no interior da Santa Casa de Dom Pedrito

    O Juiz da 1ª Vara da Comarca de Dom Pedrito, Luis Filipe Lemos Almeida, acolheu ontem (27), o pedido para pronunciar Maicon Cunha Carvalho, vulgo Maicon Cadeirante, pelo homicídio qualificado pelo perigo comum de Igor Soares Alves (art. 121, art. 121, §2, III, do CP) e porte ilegal do revólver .32 e 6 munições. Ainda segundo a decisão, Maicon, que hoje responde ao processo preso, não terá direito de recorrer em liberdade, sendo mantido na Casa Prisional. A acusação foi feita pelo Ministério Público.

    MATERIALIDADE:

    O legista atestou como causa mortis de IGOR “choque hemorrágico devido a ferimento transfixante de coração e pulmões por instrumento perfuro-contundente (projetil de arma de fogo)”. Outrossim, o resultado morte também é apreendido a partir da: apreensão de 5 estojos deflagrados .32, 1 cartucho .32 ; arrecadação de 1 projetil no quarto 30; 2 projetis nas vestes de IGOR; arrecadação de faca com 11cm de lâmina no quarto 30; relatório do circuito interno de monitoramento; levantamento fotográfico; imagens do circuito interno; relatório circunstanciado de imagens; Laudos IGP 91792/17; Laudo IGP 91789/17; remessa pelo IGP do projetil extraído do cadáver de IGOR; e mapa anatômico da vítima.

    AUTORIA:

    Não há controvérsia na medida em que MAICON admite ter realizado os disparos dentro do quarto e no corredor, o que foi referendado por JULIANE e MAURÍCIO, relatos estes que também se ajustam às imagens do circuito interno.

    LEGÍTIMA DEFESA/DESCLASSIFICAÇÃO:

    É incontroverso que os fatos que ocorreram dentro do quarto 30 cessaram, tendo Maicon saído do local e permanecido na intercessão dos corredores, o que foi afirmado pelo próprio réu, e por algumas testemunhas que estavam no local, bem como se afere das imagens do videomonitoramento. Portanto, se o disparo fatal ocorreu no segundo momento, ou seja, quando réu/vítima estavam no corredor, a injusta agressão de Igor deve ser aferida neste momento sucessivo ao embate no quarto. Com efeito, Maicon disse que a vítima saiu do quarto e passou a ameaçá-la de morte, quando efetuou um único disparo para fazer cessar a injusta agressão, o que firma a PRIMEIRA versão, ou seja, a absolvição por legítima defesa.

    RECURSO QUE DIFICULTOU A DEFESA DA VÍTIMA:

    Não se vislumbra que Maicon tenha utilizado um recurso que dificultou a defesa de Igor, pois não se trata de uma ação premeditada, até pelo contrário, na medida em que foi Igor quem foi no quarto do Maicon ainda que ao encontro de Maurício, circunstância aparentemente desconhecida e não querida pelo atirador, o qual já possuía a arma anteriormente e não com o propósito específico de matar Igor.

    Mais: quando Igor sai do quarto, visivelmente amedrontado, já sabia que o seu algoz portava arma de fogo, haja vista os tiros efetuados dentro do quarto, tando que andou se esgueirando pelo corredor, visivelmente amedrontado, o que afasta qualquer suposição de surpresa. E o emprego do revólver, em verdade, era o único meio idôneo que dispunha Maicon para consumar o crime, pois é paraplégico. Portanto, não se vislumbra que Maicon tenha realizado qualquer ato semelhante a uma tocaia, emboscada ou coisa do gênero, mas apenas se valido dos meios que detinha para consumar o crime que – segundo o Ministério Público – deliberou praticar.

    CRIME CONEXO:

    Considerando que Maicon admitiu que já possuía o revólver antes do evento envolvendo a morte de Igor, para sua segurança pessoal, mas sem autorização, há elementos mínimos para submeter também o crime conexo ao julgamento popular.

    Relembre o caso

    Na manhã de 16 de junho, um adolescente de 17 anos foi morto a tiros no interior da Santa Casa de Dom Pedrito. Segundo informações, por volta das 7h15, a vítima, Igor Soares, entrou em um quarto do hospital onde estava Maicon Cunha Carvalho, mais conhecido como “Maicon Cadeirante”, já com passagens pela Polícia. Conforme informações, Igor estava acompanhando seu avô e teria ido até o quarto onde estavam Maicon e mais duas pessoas internadas – uma delas, um indivíduo que também possui registro em sua ficha criminal.

    No local, segundo o inspetor Lauro Telles, ocorreu um desentendimento entre as partes, quando Igor acabou sendo surpreendido por Maicon, que desferiu alguns disparos de arma de fogo contra ele, sendo que um tiro atingiu o ombro e o outro o peito de Igor, que ainda correu por alguns metros, mas acabou caindo e logo depois vindo a óbito. Um homem que está internado no quarto onde iniciou o crime quase foi alvejado por um tiro que passou próximo à sua cama. Pacientes, acompanhantes e funcionários da Santa Casa ficaram em pânico no momento do crime e acionaram a Polícia.

    A Brigada Militar chegou rapidamente no hospital e prendeu Maicon, que negou ter cometido o crime. A Polícia Civil e o Instituto Geral de Perícias (IGP) estiveram no local para averiguar os detalhes do crime.

    Sobre a informação de que Igor estaria portando uma faca e, de posse dela, teria ameaçado Maicon, Telles informou à reportagem que a faca foi encontrada no local dos fatos e com o resultado de um exame de papiloscopia, a Polícia pretende confirmar se a faca era ou não de Igor. Esse é o terceiro homicídio no ano em Dom Pedrito.

    Apesar da pouca idade, Igor possuía dois homicídios. O primeiro ocorreu no ano de 2015, quando matou Pedro Vinícius Borges da Fontoura “Pedrinho”, com inúmeras facadas. O segundo crime de Igor aconteceu um ano depois, no dia 16 de janeiro de 2016, quando matou sua segunda vítima com uma facada no peito.

    Maicon tem registros por tentativas de homicídio e será encaminhado ao Presídio Estadual de Dom Pedrito, onde está à disposição da Justiça. O outro indivíduo e sua namorada, que estavam no quarto com Maicon, serão arrolados posteriormente como testemunha deste caso.

    Câmeras internas da Santa Casa gravaram o crime

    O pânico causado na Santa Casa de Dom Pedrito devido a um homicídio foi notícia em todo o Rio Grande do Sul e chocou muitas pessoas nesta sexta-feira (16). Nossa reportagem teve acesso ao vídeo e mostra, por 11 minutos, como tudo ocorreu no interior do hospital na manhã de hoje. Primeiramente, vemos o adolescente que viria a ser morto a tiros, Igor Soares, no corredor do hospital, próximo ao quarto de Maicon Carvalho, “Maicon Cadeirante”. Ele veste um capuz e está de bermuda, limpa as mãos na bermuda e entra no quarto de Maicon. Logo depois, aparece uma enfermeira e, sem notar nenhuma anormalidade, sai do quarto e segue seu caminho.

    Na sequência, um paciente de camiseta amarela sai do quarto acompanhado de sua namorada, parecendo claramente que notam alguma discussão entre vítima e acusado, quando alguns segundos depois Maicon sai do local em sua cadeira de rodas e chama os funcionários do hospital. Neste momento, Igor está baleado no ombro. De acordo com o inspetor Lauro Telles, o cadeirante esconde a arma embaixo da perna e sai pelo corredor, sinalizando que iria trancar a passagem de Igor, caso o mesmo tentasse fugir.

    Igor sai do quarto e, alguns minutos depois, tenta sair pelo corredor, é quando Maicon atira contra ele. Ele corre, mas cai logo depois já vindo a óbito. Enfermeiros correm e pedem ajuda, como mostram as imagens.

    Minutos depois, às 7h26, Maicon retorna ao quarto com o casal que estava no local antes dos fatos e lava as mãos – segundo o inspetor, ele tem o intuito de retirar o resto de pólvora que estava nas mãos. Logo depois ele ainda lava os braços para retirar os resíduos até a chegada a Brigada Militar.


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