Descarte irregular de resíduos em áreas públicas formam ‘lixões’ a céu aberto

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Na semana passada, mostramos a situação das ruas do município, questão esta que aflige os pedritenses. Na reportagem especial desta semana, vamos mostrar outro tema, mas que por vezes passa batido quando se trata dos problemas do município: descarte irregular de lixo. Visitamos alguns locais e conversamos com autoridades para mostrar a dimensão que o descarte de lixo atingiu e as consequências que traz para o meio ambiente.

No antigo galpão da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (CESA), o lixo espalhado pela antiga estrutura, onde um incêndio, no ano 2010, decretou a inutilidade do local, acaba espalhando-se para as residências nas proximidades. Na rua Raul Pila, na vila Argeny, um lixão clandestino revela-se a quem trafega pela via. Muitos resíduos ali foram descartados recentemente.

Mesmo cenário encontrado nas proximidades da ponte do Ponche Verde, poucos metros das margens do rio Santa Maria. O local é ponto de descarte de resíduos: televisores, latas e garrafas de bebidas, sacos plásticos, entre outros objetos. No Parque das Acácias, pontos de lixo amontoados perduram no local.

Fomos a outro extremo do município. Cruzamento da estrada do meio com a rua Aristides Caetano Dutra, repete-se a cena: animais mortos, máquinas de lavar abandonadas, garrafas pet, sacos e até pedaços de brasilit.

A coordenadora do Departamento de Meio Ambiente (Dema), Caroline Munhoz, reforçou que quem flagrar o descarte irregular deve comunicar o Departamento.  “Isso parte de uma conscientização da população. Nós temos no município uma empresa contratada para fazer a coleta, a empresa Ansus, então precisamos que as pessoas venham até o Dema, ou por telefone, para que nossos fiscais possam estar onde acontece esse tipo de coisa”, explica a coordenadora.

A primeira conversa dos fiscais terá, como fim, a conscientização e orientação. “Não vai partir para uma multa. É uma premissa do Dema, de primeiro partir para uma conversa com as pessoas”, ressalta. Caroline também enfatiza que o Horto Florestal recebe vegetação oriunda de podas de árvores, além de um caminhão que fará, periodicamente, recolhimento de lixo eletrônico e um galpão que recebe pneus velhos, diversas alternativas para o descarte. “Precisamos fazer um trabalho de conscientização. Se tem lugares para direcionar (os resíduos), agente pede para a população não fazer este tipo de coisa”.

O presidente da Associação dos Usuários da Água da Bacia Hidrográfica do rio Santa Maria (AUSM), Eldo Frantz Costa, lamenta o fato de o rio Santa Maria ser uma vítima contumaz do descarte irregular de resíduos. “Toda extensão da margem do rio, ao longo da área urbana. E o próprio lixo que é jogado indevidamente, de forma aleatória, na área urbana. A água que depois escorre quando chove, faz com que esse lixo chegue ao rio Santa Maria”, diz Eldo, que também traz um dado histórico preocupante: até a década de 1980, o lixo era depositado onde hoje está o Parque das Acácias. “Ele foi, na época, para resolver o problema, já que não existia nenhuma legislação mais adequada ou que determinasse a forma adequada para fazer esta disposição certa, soterrado”, conta.

Segundo o presidente, a questão também passa pela conscientização. “É comum se observar, algumas pessoas levam lixo em veículos e depositam perto do leito do rio. Quando há enchente, nossas árvores ficam ‘decoradas’ quando a água baixa”. Frantz afirma que não adianta realizar a coleta seletiva se antes não houver um processo firme de educação ambiental, que leve a população a realizar a separação do lixo dentro de suas residências.

Sobre os depósitos de lixo que se formam nas estradas e nas saídas do município, Costa avaliza este como um problema mais grave. Eldo diz que dos municípios que rio Santa Maria banha, a situação em Dom Pedrito é um tanto mais delicada em relação ao lixo, apesar de Rosário do Sul também ter uma situação similar, mas não tão intenso quanto Dom Pedrito.

O meio ambiente ainda não parece ser uma preocupação, ao menos de parte da população pedritense. A lembrança em relação ao lixo só surge quando consequências ocorrem, sejam os alagamentos ocasionados pelo entupimento de canos ou questões relacionadas à saúde. A conscientização precisa partir de toda população. Senão pela conscientização, pela punição através da lei.

O lixo será o tema do próximo programa opinião, na segunda-feira, as 16h30. Não deixe de opinar através da live no Facebook da Qwerty Portal de Notícias.

 

 


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