Sindicato Rural promove debate sobre mineração no 1º Fórum de Desenvolvimento Regional

    (Foto: Assessoria de Imprensa/Sindicato Rural)

    Com o objetivo de promover uma discussão em torno dos temas que envolvem o desenvolvimento da região, a Associação e Sindicato Rural de Dom Pedrito realizou na sexta-feira, dia 12, o 1º Fórum de Desenvolvimento Regional: por onde passa o desenvolvimento. O evento contou com apoio do Departamento de Meio Ambiente – DEMA, da Prefeitura Municipal de Dom Pedrito, e aconteceu no salão nobre da entidade.

    Com um público estimado em 100 pessoas, entre elas, produtores rurais, estudantes, representantes de entidades e autoridades políticas, o Fórum apresentou três palestras de professores e pesquisadores que mostraram, através de estudos feitos, os impactos ambientais, econômicos e sociais dos empreendimentos extrativistas que querem se instalar na região.

    A primeira palestra foi do doutor em Ecologia, professor na FURG em Rio Grande, Antônio Philomena, que falou com base no questionamento: “Pode haver desenvolvimento com mineração?”.

    Philomena disse que embora o Brasil seja rico em recursos naturais, tudo tem um tempo de vida útil, principalmente, quando não extraído com responsabilidade. O ecologista afirmou, também, que as mineradoras, em geral, deixam de considerar em seus laudos uma série de riscos ao meio ambiente, como por exemplo, as bacias hidrográficas, e citou a tragédia de Mariana, em Minas Gerais, mostrando várias fotos em contraponto ao que a mineradora Samarco havia garantido que não ocorreria, antes de sua instalação.

    Após a abordagem de Antônio Philomena, foi a vez do também professor universitário Althen Teixeira Filho. O médico veterinário, que tem Doutorado em Anatomia Humana e é professor da UFPel em Pelotas, trouxe para o encontro o tema “Alternativas para o Desenvolvimento do Bioma Pampa”, defendendo o trabalho realizado pelos produtores rurais, em especial os pequenos agricultores.

    Althen demonstrou falhas graves nos contratos e propostas de mineradoras, questionando se após a extração, as empresas garantiam a recuperação do ambiente. “Não. Por mais que digam, não fazem! Não da forma como era”, disse o professor que mostrou em slides alguns exemplos de mineradoras no Estado que, depois de concluírem o trabalho, segundo ele, deixaram o meio ambiente sem atenção, e a população da localidade desatendida, às margens de um grande problema.

    O Fórum foi concluído com a explanação do pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Marcos Borba, que é doutor em Sociologia, Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável.

    Marcos abordou o tema “Por onde passa o desenvolvimento regional? Uma disputa de modelos”, acrescentando à discussão a importância da comunidade dos municípios da região se apoderar de seu território, discutindo a instalação ou não de empreendimentos como os que desejam se estabelecer. “Isso é nosso! Não podemos deixar essa decisão para governos e empresários. Nós devemos decidir se queremos ou não esse tipo de empresa aqui”, declarou o pesquisador, que afirmou, ainda, que por haver um entendimento distorcido de que a Metade Sul do Estado é subdesenvolvida, “permite-se que qualquer tipo de empreendimento a explore, chamando isso de desenvolvimento”.

    Por fim, Marcos sugeriu que eventos como o Fórum deveriam ser realizados em todas as cidades da região, com o intuito de discutir o tema abertamente entre todos os envolvidos.

    Segunda edição pode acontecer ainda este ano

    Com a adesão da comunidade pedritense ao Fórum de Desenvolvimento Regional, e com a intenção de ouvir as empresas extrativistas que já propuseram seus projetos em outras ocasiões, no entanto, isoladamente, para órgãos e/ou entidades, a Associação e Sindicato Rural deve organizar uma segunda edição do evento ainda este ano. A data será marcada assim que as mineradoras tornarem público seus estudos e relatórios de impacto ambiental (EIA/RIMA), para que, a partir daí, se possa construir uma discussão em cima do que estarão propondo.

    De acordo com o presidente da entidade ruralista, Luiz Augusto Gonçalves, a iniciativa é criar um debate imparcial, proporcionando um ambiente de esclarecimento e discussão cujo único objetivo seja, de fato, o desenvolvimento sócio-econômico e a escolha consciente do que se quer para o futuro da região.

    Assessoria de Imprensa – Sindicato Rural