“Baleia Azul”: mais de 10 casos são investigados em Bagé

    A titular da Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA), Daniela Barbosa de Borba, confirmou, em entrevista à Folha do Sul, que mais de 10 casos de suspeita da prática do chamado jogo da “Baleia Azul” são alvo de averiguação em Bagé.

    Ela sustenta a informação ao relatar o registro de boletins de ocorrência junto à DPPA.
    A comissária Nara Oliveira, também à reportagem, salienta o pedido de que os pais e/ou responsáveis prestem atenção em seus filhos. “Esse jogo está envolvendo jovens e adolescente país afora.

    Nos preocupamos, pois já recebemos ocorrência policial relatando que jovens bageenses estão jogando. Os desafios não são públicos, então não sabemos o que as vítimas estão recebendo de orientação”, salienta.

    Ela enfatiza que os responsáveis não deixem seus filhos à mercê da internet. “Vasculhem, sim, o Facebook. Olhem o WhatsApp. Porque as missões são dadas durante a madrugada. Normalmente, em horários em que os pais estão dormindo ou não estão por perto. Uma dica é que não deem liberdade total de acesso à internet e que, se o adolescente tiver computador no quarto, tenha uma atenção especial”, destaca.

    Ainda à Folha do Sul, a comissária explica que a polícia está atenta ao jogo, independente dos registros de ocorrência. “Estamos de olho. Recebemos um comunicado e fomos averiguar.

    As conversas eram convites, dizendo ‘o jogo começou, quem se habilita’. Portanto, fomos conversar com os envolvidos e pais desses adolescentes. Em um dos casos, foi alegado que era uma brincadeira, mas em outro, os pais se assustaram bastante”, relata.

    Ela destaca que os principais cuidados são prestar atenção nas atitudes e comportamento. “Averiguar o corpo dos seus filhos, – tatuagens suspeitas, piercings em lugares indevidos, cortes longitudinais, paralelos – e dialogar. O jogo é perverso. É perigoso.

    Esperamos que as escolas debatam com seus alunos, para que eles não caiam nessa. Estamos diante de uma geração de ilhas: adolescentes isolados em seus quartos, sozinhos. Acompanhados de uma multidão, mas completamente sós. Sem o olho no olho, sem o afago, sem o abraço. Isso está fazendo falta”, ressalta a comissária.

    Caso recente
    Daniela, por sua vez, contou que no final de semana, houve o registro de que um rapaz que estaria instigando outros jovens a participar do jogo. “O que nos preocupa é que vários adolescentes tenham interesse em participar. É uma situação que pode chegar a um fato grave. Precisamos alertar.

    A missão final do jogo é o suicídio. Induzir, instigar ou auxiliar o suicídio é crime, e, dependendo, se gerar lesão corporal, tem pena de reclusão”, explica. A delegada destaca, ainda, o perigo do tema. “Vou fazer contato com o Conselho Tutelar. E vamos seguir averiguando. Queremos evitar o que estamos vendo em centros maiores”, complementa.

    Debate em escolas
    Em diversas instituições, tanto particulares como públicas, os professores e equipes diretivas estão realizando ações de prevenção. Conforme relatado pelo diretor de uma escola municipal, Rafael Alves, as ações não são exclusivamente devido ao Baleia Azul, e sim contra a mutilação. “Uma das fases do jogo é o corte.

    Isso não é uma prática nova. Há muitos anos acontece de os adolescentes se mutilarem. Não posso dizer que não têm alunos com algum tipo de corte. Mas não quer dizer que seja relacionado ao jogo”, salienta. Em contato com escolas particulares, a reportagem foi informada de que os professores estão debatendo o tema em sala de aula.

    Como funciona
    O desafio denominado “Baleia Azul” vem causando preocupação em todo o mundo. Isso porque incentiva jovens à automutilação e até mesmo ao suicídio. A origem do jogo, supostamente, teria sido em uma rede social russa, em 2015, mas isso ainda é investigado.

    Mesmo assim, desde que surgiu, o assunto vem causando curiosidade e temor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) chama atenção para o fato de que o suicídio já é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 24 anos.

    O jogo tem um curador ou moderador, que distribui os desafios a partir de um grupo secreto onde os contatos são iniciados pelo Facebook. Entre os desafios estão provas mórbidas que, de certa forma, preparam os participantes para o suicídio.

    São 50 tarefas, em 50 dias. Entre os desafios mais macabros estão: escrever com uma navalha o nome do grupo na palma da mão e desenhar uma baleia em seu corpo com uma faca, até chegar ao desafio final, que ordena tirar a própria vida. Os desafios cumpridos devem ser fotografados ou filmados e postados no grupo, como prova de que o jovem está seguindo o jogo.

    Além disso, os jovens são induzidos a assistir a filmes de terror de madrugada, subir no alto de um telhado ou edifício, escutar músicas depressivas e ir a uma estrada de ferro também durante a madrugada.

    Se relutar em cumprir as ordens e manifestar a vontade de sair do jogo, o jovem provavelmente será ameaçado. Como o moderador tem acesso ao perfil dos participantes em sites de relacionamentos, os administradores pressionam os jovens.

    Folha do Sul