Projeto ‘Sentir para Ver’ foi o grande diferencial da Feira do Livro

Uma exposição fotográfica absolutamente diferenciada, assinada pelo Estúdio Ricordare, dirigido por Paula Fischer (do Grupo Itasul) e denominada ‘Sentir para Ver’, foi responsável por uma das iniciativas mais destacadas na 12ª Feira do Livro de Dom Pedrito, que conseguiu emocionar a todos quantos interagiram com a equipe da Ricordare e assistiram ao audiovisual apresentado em seu estande. O suporte técnico foi fornecido pelo Qwerty Portal de Notícias, através de seu produtor multimídia, Leo Vítor Prates.

“Em dias de tantas atividades e funções, poucos são os momentos em que paramos para olhar com carinho o próximo e agradecer pelo que possuímos. A ideia do projeto ‘Sentir para Ver’ surgiu para sugerir dois minutos de reflexão e sentimentos em meio à agitação”, explica Paula Fischer, acrescentando que sentiu o objetivo alcançado “(…) desde os primeiros olhos cheios de lágrimas e almas preenchidas de gratidão e indagações, como por exemplo:‘O meu sentir tem sentido?’”, depõe a empresária e fotógrafa.

“A partir desse olhar para si mesmo, desperta-se um olhar de amor sobre o outro que nos torna iguais, parceiros e irmãos. Não somente a necessidade especial, mas todas as nossas diferenças devem ser vistas, compreendidas e amadas. Realidades que parecem distantes estão ao nosso lado e as grandes mudanças ocorrem a partir de pequenos atos de afeto e respeito que todos possuem capacidade de realizar. Meu coração transborda de gratidão pela aceitação e presença da comunidade, foi lindo compartilhar tanto amor”, ela acrescenta.

O projeto consistiu em reunir os depoimentos em áudio de duas meninas e apresentá-los em um espaço de semi-penumbra, onde apenas suas fotos ampliadas eram iluminadas concomitantemente com suas falas. Os áudios, cuja degravação apresentamos abaixo, são suficientemente explicativos, mas adiantamos que Giuli é uma menina que nasceu com deficiência visual e estuda no Ciep Getúlio Dornelles Vargas, enquanto que Manuela estuda na Escola Coronel Urbano e é, por assim dizer, ‘normal’, isto é, não possui qualquer deficiência.

Áudio reproduzido:

Manuela:

– Meu nome é Giuli, tenho 8 anos e nunca enxerguei. Quando nasci meus olhos se abriram, mas eu nunca conheci as cores. Reconheci minha mãe, mas não por sua imagem, e me apresentei a um mundo sem luz e sem cor.

Não me perguntaram se eu gostaria de nascer com um sentido a menos, mas nasci.

Mas tenho aprendido e aprenderei cada dia mais, porque não adiantaria conhecer todas as formas do mundo mas não senti-las.

Me contaram que existem muitos olhos saudáveis em plena escuridão, pois confundem valores e esquecem de simplesmente sentir a vida.

Pergunto-me, então: quem não enxerga?

Logo entendo: só quem não sente.

Na verdade, meu nome é Manuela, tenho quase a mesma idade da Giuli e moramos na mesma rua.

Também me perguntaram se eu gostaria de vir com todos os sentidos, mas vim e a Giuli me ensinou que a nossa essência é o que importa, porque ela nos torna todos iguais.

Giuli:

– Meu nome é Giuli, tenho oito anos, um dos meus sentidos é sentir.

Manuela:

– O teu sentir tem sentido?

Silvio Bermann