Professora e estudiosa da História busca resgatar a mulher gaúcha que os livros não revelam

    A professora aposentada Norma Gallo Tuerlinckx, ex-secretária de Educação e Cultura de Dom Pedrito e atualmente residindo em Alegrete, já possui livros editados e tem se dedicado, nos últimos anos, a estudar e pesquisar a história da mulher gaúcha e, no contexto, os vultos do sexo feminino que se destacaram ao longo da formação do Estado do Rio Grande do Sul.

    Ela garante que encontrou, na história gaúcha, um tipo de mulher que os livros não revelam, “(…) uma vez que nosso Estado é machista (e, por decorrência, também a história oficial). Pensamos, geralmente, na prenda bem vestida, bonita, ‘prendada’ (com muitos dotes), etc, mas a mulher gaúcha não é só isto”, lamenta Norma.

    Ela acrescenta: “Lamento que a verdadeira mulher gaúcha, nesta condição humana, nunca tenha tido a sua história contada em sala de aula, os livros não falam dela. Embora se registre que durante a Revolução Farroupilha, enquanto os homens lutavam, suas esposas e filhas ficavam em casa, nas estâncias (como sustentáculo do lar e da propriedade), o fato é que a história só vai até aí: as mulheres ficavam protegendo o patrimônio, a propriedade. Mas, há muito mais”.

    De acordo com a estudiosa, precisa-se fazer justiça às mulheres de duas etnias muito importantes na formação do ‘tipo’ atual da mulher gaúcha. “Só é mencionada a fazendeira branca e seu espírito guerreiro. Mas ela se inspirou na mulher índia, que ficava defendendo a aldeia enquanto o homem ia para a guerra ou para a caça. Enquanto que a mulher negra – e escrava – defendia os filhos das brancas como se fossem seus. E o fazia por amor àquelas crianças, não por serem submissas”, defende.

    Com tal linha de pensamento, Norma Gallo Tuerlinckx palestrará durante a programação da 12ª Feira do Livro de Dom Pedrito, nesta sexta-feira (7), às 15h, no salão de atos da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Smec), prédio ao lado da prefeitura. O título da palestra é “Mulher Gaúcha – Tempo e Espaço”, e a entrada é franca.

     

    Silvio Bermann