“Estamos pagando pelos erros cometidos e que não foram corrigidos”, diz prefeito de Bagé

    5/outubro/2016 às 12h16min
     Atualizado quarta-feira, dia 5 de outubro de 2016 às 12h16min
    (Foto: Divulgação)

    O prefeito de Bagé, Dudu Colombo, que irá finalizar oito anos no comando do Executivo em dezembro, avaliou, ontem, em conversa com a reportagem do Jornal Folha do Sul, a derrota do Partido dos Trabalhadores (PT), na coligação com o PCdoB, nas eleições municipais de domingo.

    Em uma conversa onde Colombo se mostrou bem franco, ele creditou a derrota nas urnas, em primeiro lugar, ao cenário político brasileiro, o qual classificou como caótico, em especial para o PT. “Essa foi a primeira grande oportunidade do partido para uma avaliação em processo eleitoral, depois das manifestações de rua em favor e contrárias ao impeachment da presidente Dilma Rousseff”, comentou.

    Na sequência, ressaltou ainda que o PT,no Estado, mesmo sendo o maior partido político de esquerda, perdeu muito da sua representatividade. Usando dados publicados pela imprensa nos últimos dias, Dudu argumentou que, em todo o país, o Partido dos Trabalhadores, que tinha em torno 630 prefeituras, ficou com apenas 260. Já no Estado, o PT passou de 74 prefeituras para 38. “Estamos pagando pelos erros cometidos e que não foram corrigidos, e pelo grande número de petistas envolvidos na Operação Lava Jato”, completou o prefeito, acrescentando que, além de Bagé, o partido perdeu as eleições em outras cidades da região como São Gabriel, Hulha Negra e Sant’Ana do Livramento.

    Problemas na infraestrutura
    Dudu também atribuiu o fracasso eleitoral do PT no pleito recente às fragilidades do seu governo no setor de infraestrutura, o qual não avançou como ele gostaria. Reconheceu, por exemplo, a má conservação das ruas e estradas vicinais e entraves em questões de ordem burocrática, que, em sua análise, inviabilizaram uma maior agilidade em obras importantes, como a pavimentação da zona leste. “As chuvas causaram prejuízos consideráveis, tanto na área urbana, como também na produção primária”, lembrou Colombo, ao argumentar que o clima também foi desfavorável.

    Barragem da Arvorezinha
    O embargo da obra da barragem da Arvorezinha por mais de dois anos e meio, por suspeita de fraude, também foi considerada importante na escala de fatos que comprometeram a administração.

    “Ainda que seja de domínio público que a prefeitura não tinha nenhum tipo de envolvimento em supostas fraudes que teriam acontecido na primeira fase da obra, envolvendo empreiteiras, nossos adversários exploraram muito esse fato politicamente”, disse Dudu ao defender que esse caso frustrou a comunidade.
    Colombo garantiu, porém, que nos próximos três meses o atual governo deverá dar sequência ao projeto da barragem, o qual aguarda apenas a liberação da licença ambiental para proceder à abertura de uma nova licitação para contratação da empresa que vai avaliar as obras até aqui realizadas. “Essa empresa é que vai apontar o que poderá ser aproveitado e o que precisará ser refeito”, adiantou o gestor.

    Por último, Dudu reiterou que não há envolvimento de nenhum gestor público da prefeitura ou do Daeb – e nem suspeita -, no processo, e que os recursos para a execução da obra estão assegurados pelo governo federal.

    Coligação não impactou
    A ausência de um candidato do PT na disputa à prefeitura como cabeça de chapa, este ano, na avaliação de Dudu, não teria sido a principal causa da derrota. Para ele, Carlos Alberto Fico (PCdoB) foi o escolhido pela coligação em razão da sua história “irrepreensível, de homem público e político”, e pela sua participação nos governos petistas dos últimos oito anos. “Fico representou um projeto que trouxe muitos avanços para Bagé, tanto na área da Saúde, como na da Educação, entre outras. Conquistamos a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), melhoramos escolas e ampliamos as vagas na rede pública municipal, além de valorizar os nossos professores, pagando o Piso Nacional de Salários”, frisou.

    Promessa de transição tranquila
    O prefeito, questionado sobre o processo de transição da gestão, disse acreditar que será algo “tranquilo”. Prometeu, ainda nos próximos dias, emitir um decreto definindo as normas sobre como o atual governo deverá se portar. “Vamos colocar todas as informações necessárias à disposição e facilitar todo o trabalho da equipe do futuro prefeito, para que tudo aconteça de acordo com a grandeza de Bagé”, finalizou.

     

    Jornal Folha do Sul