Debate da RBS TV encerra ciclo de encontros entre candidatos à Prefeitura de Bagé

    Antonio Rocha/JM

    O último debate do pleito eleitoral de 2016, realizado ontem, pela RBS TV Bagé, foi marcado por embates entre três postulantes. Carlos Alberto Fico, do PCdoB; Divaldo Lara, do PTB e Sapiran Brito, do PDT, cujos partidos têm mais de nove parlamentares na Câmara dos Deputados, alternaram ataques e defesas em quatro blocos. Os postulantes falaram sobre geração de emprego, saúde, infraestrutura, educação, lixo, água, Deus, Messias e galo.

    Sapiran abriu o debate questionando Fico sobre suas propostas para a geração de emprego. Em sua resposta, o candidato do PCdoB destacou projetos de qualificação e empreendimentos que se instalaram na cidade, a exemplo da Probajé. Na réplica, o pedetista questionou sobre a fábrica de carrocerias, anunciada na gestão do prefeito Dudu Colombo. “Cada gestor tem sua maneira de trabalhar. Ajo com transparência e ética. Vou fazer meu governo”, rebateu o vice-prefeito.

    Divaldo questionou Sapiran sobre suas propostas para saúde. O pededista lembrou o que a legenda havia feito durante gestões anteriores, entre as décadas de 1980 e 1990. “Vamos criar um centro de tratamento de diabetes e postos de saúde volantes”, adiantou. Na réplica, o petebista alfinetou. “Precisamos de médicos nos postos”, disse, ao salientar que Bagé depende de um prefeito ‘que cuide dos hospitais’. “Aceguá investe mais de R$ 400 mil no hospital. Em Bagé, se deixa fechar um hospital, tendo um vice-prefeito que é médico”, cutucou. Na tréplica, Sapiran tornou a defender o investimento em medicina alternativa.

    Ainda no primeiro bloco, Fico e Divaldo travaram embate sobre educação. Fico disse que a cidade investe mais de 30% do orçamento no setor, criticando o petebista por apresentar, segundo ele, apenas um projeto para a área. “Existe um erro na sua informação. O Ministério Público emitiu um parecer dizendo que Bagé é um dos municípios que menos investe na educação. No nosso governo, vamos investir os recursos de maneira correta”, respondeu Lara. Na réplica, Fico rebateu. “O senhor falta com a verdade.

    O Tribunal de Contas confirma que o município investe mais de 30%. Pagamos o piso. É importante ter humildade. Bagé tem refeitórios, escola de qualidade, uniformes. O senhor desqualifica a educação ao não reconhecer a evolução”, pontuou. Em sua tréplica, Divaldo contraatacou. “Convido para que acessem o site do Tribunal de Contas. O valor que Bagé investe é de R$ 327 por aluno. Tivemos grandes conquistas, e vamos mantê-las. Vou manter o pagamento do piso do magistério”, garante, ao salientar que é preciso avançar.

    Na abertura do segundo bloco, quando o clima esquentou, Fico não chegou a concluir o questionamento a Divaldo. O candidato do PCdoB iniciou falando sobre a candidata à prefeitura de Hulha Negra pela PTB, Ester Koester, que é médica, mas não chegou a contrapor o discurso de Divaldo em sua pergunta, que acabou indagando sobre a contribuição do oponente, para a cidade, caso perca o pleito. “Defendo que médico deve atuar na sua área. Sou formado na área de gestão pública. Se sair da política, tem lugar em qualquer escritório. Posso atuar em qualquer prefeitura, emitindo pareceres e laudos. O que Bagé precisa é um prefeito dedicado, exclusivo”, respondeu.

    Fico rebateu com um agradecimento. “Obrigado por reconhecer que eu trabalho. Vou continuar trabalhando, este é meu lema. É importante reconhecer que vários médicos foram prefeitos. Temos exemplo de médico que além de fazer medicina, administraram bem Bagé. É isso que vamos fazer. Tenho experiência na gestão pública e privada”, disse. Na tréplica, Divaldo reforçou que reconhece o trabalho de Fico, mas na medicina. “Não podemos nos dar ao luxo de tirar os médicos da medicina e colocar na política. Entre o lazer e a atividade pública, me dedico à atividade pública”, cutucou.

    Na sequência, Divaldo e Sapiran protagonizaram dois embates. No primeiro, os postulantes falaram sobre o aterro sanitário. O petebista criticou a gestão atual, lembrando que o TCE suspendeu a licitação para contratação de empresa para recolhimento do lixo, após sua denúncia, enquanto o pedetista reforçou a intenção de investir na reciclagem. Ao se dirigir ao presidente da Câmara de Vereadores, porém, Sapiran perguntou como pretendia fazer ‘milagres’, em referência à plataforma de governo. “Será que fez acordo com Messias?”, disse.

    “Não sou milagroso. Sou trabalhador. Sei o tamanho do desafio de assumir a prefeitura depois de 16 anos do PT. Sei a situação das contas, do endividamento, a estrutura e o problema com os equipamentos. Com muito trabalho e gente capacitada, podemos resolver os velhos problemas”, rebateu. Na réplica, Sapiran qualificou o petebista como ‘aprendiz de pastor’.

    “Promete, promete e promete. Não sei de onde vai conseguir tirar equipamento. Deve ter um acordo com Deus. Vai elegê-lo e governar no lugar dele. Ou fez com outro, não sei. Para fazer tudo que promete, deve ser Messias. Que milagre é esse?”, indagou. Em sua tréplica, Divaldo foi enfático. “A diferença é que converso com Deus, e tu fala com um galo”, alfinetou, em referência à campanha do pedetista. “Com trabalho e dedicação, podemos mudar a situação. Com gabinete de gestão e rigor, podemos reverter a situação”, reforçou.

    No terceiro bloco, Divaldo e Fico debateram sobre obras. “Fizemos a Leonel Brizola, o acesso ao bairro Kennedy, iniciamos a pavimentação da zona Leste e da avenida Itália. O governado do Estado não libera investimentos para o Anel Rodoviário. Com a usina de asfalto, vamos executar o que é exequível. Temos muitas realizações. Temos condições e maquinário”, pontuou o comunista. Na réplica, Divaldo relacionou suas realizações na gestão da Câmara. Os dois postulantes também falaram sobre a obra da barragem. Fico tornou a destacar que o município não tem culpa sobre o embargo, criticando a denúncia que resultou no processo. Divaldo reforçou que o embargo não foi viabilizado pela oposição, mas pela Justiça.

    Sapiran e Fico também protagonizaram um embate. O pedetista afirmou que o comunista representaria a reeleição de Dudu. O vice-prefeito foi enfático ao responder: “Sabes que tenho vida própria. Vou fazer minha gestão. Foste secretário. Sabes que tenho metas. Vamos implantar um governo novo”, garantiu.

    No último bloco, Divaldo e Sapiran tornaram a falar sobre a licitação do lixo. Sapiran, entretanto, questionou Divaldo sobre seu patrimônio. “Uma mansão na General Artigas. Esta é a obra de Divaldo”, alfinetou. “A casa é da minha esposa. Tu também moras numa mansão, que é da tua esposa”, rebateu o petebista, ao criticar o oponente, cobrando a elevação do nível dos questionamentos.

    No último embate, Fico questionou Divaldo sobre propostas para a saúde. “Como vai fazer para que as pessoas consultem em qualquer posto. Vai terminar com ESF?”, indagou. O petebista disse que conta com o apoio de Mário Mena Kalil para desenvolver projetos para o setor. Na réplica, Fico reforçou que Bagé adota um modelo nacional “A verba só vem para Bagé porque existe o projeto. Não conseguiu entender o que é a ESF é federal. É um programa nacional, não é do prefeito”, alfinetou.

    Em suas considerações finais, Sapiran disse que “Dudu é o grande cabo eleitoral de Lara”. Ele criticou o prefeito por ter ‘tirado Caio da disputa’. “Fico só se presta a este papel porque é honrado”, disparou. Fico, por sua vez, reforçou que pede um voto de confiança. “Me preparei. Faço política com seriedade. Sou médico, mas sempre exerci a política em benefício dos mais pobres. Teremos um governo novo, do meu jeito”, reforçou. Divaldo salientou que sua candidatura falou sobre propostas. “Durante a eleição, o que nos manteve forte foi a certeza de que existe um plano superior. Ao nosso lado, estão centenas de famílias. Temos muito a fazer. Vamos mudar Bagé com trabalho e dedicação”, concluiu.

    Francisco Estigarribia (Chico), do PSol e Uidson Ricardo Santos dos Santos (Zoinho), do PSL, que não participaram do programa, realizaram um debate paralelo, transmitido através da internet. Por meio do Facebook, os postulantes comentaram o debate exibido pela RBS TV.

    Sidimar Rostan/Jornal Minuano