Bagé não registra doação de órgãos em 2016

    (Foto: Divulgação/FS)

    Até o momento, não há registro de doação de órgãos, neste ano, em Bagé. A queda já havia sido sinalizada no passado, quando houve apenas uma. As informações foram repassadas pelo integrante de uma comissão responsável pelo assunto na Santa Casa de Caridade, o médico Ricardo Necchi. Em função do Dia Nacional do Doador de Órgãos, celebrado ontem, o profissional traz uma panorama da situação atual na Rainha da Fronteira. As informações são do Jornal Folha do Sul.

    De acordo com Necchi, as estatísticas apontam que, de três a quatro mortes por ano, em Bagé, há a possibilidade de aproveitamento de órgãos. Conforme a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Rio Grande do Sul é um dos Estados com resultados mais favoráveis no país, com 25,2 doadores efetivos a cada milhão de cidadãos. Os números são bem à frente da perspectiva nacional, que é de 14. Em seu relatório, a associação aponta que 23 crianças no Rio Grande do Sul esperam por transplante. “Já que não tem como doar em vida, o que pedimos é que as pessoas conversem com seus familiares. O que notamos é que muitas pessoas não entendem do assunto. A falta de diálogo dificulta o processo”, salienta.

    Segundo o médico, após a morte cerebral, os órgãos permanecem em funcionamento por mais algum tempo. “É nesse intervalo de tempo que dá para colocá-los em outras pessoas e salvar vidas. As pessoas não são essencialmente más, porém, individualistas. São poucas que conseguem ter esse raciocínio num momento difícil. Há uns anos se tentou uma lei que formalizasse as doações, mas isso fez com que os números retrocedessem. Aí voltaram atrás”, destaca.

    Nechi afirma que o transplante é feito na própria Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Santa Casa. “Cabe salientar que nem todos os pacientes da UTI são doadores. O que mais desejamos que repercutisse na imprensa são duas ideias: a primeira é a discussão do assunto ainda em vida, pois se torna bem mais fácil depois; a segunda, é que a pessoa que está disposta a doar o órgão do familiar pode vir, futuramente, a também precisar disso”, finaliza.