Pais relatam que aulas estão em atraso nas escolas Anna Riet e Sepé Tiarajú e temem a não recuperação dos dias letivos

    A situação das aulas a serem recuperadas nas escolas da zona rural está ficando preocupante, conforme estamos apurando com algumas mães do interior do município, principalmente nas escolas Anna Riet e Sepé Tiarajú.

    Algumas crianças já terão que recuperar de 30 a 45 dias, em virtude das diversas aulas que não puderam ser dadas em função dos dias chuvosos e também da condição das estradas, que não tem ajudado no deslocamento do transporte escolar para estas localidades.

    De acordo com informações, a Secretaria de Educação só iria retomar as aulas quando todos os alunos tivessem acesso as escolas, o que não está ocorrendo, segundo alguns pais. A situação da educação no interior do município é a mesma em quase todas as localidades, constituindo um verdadeiro problema para estes pais e alunos, principalmente nestes duas
    escolas.

    Ainda conforme uma mãe que tem o filho matriculado na escola Municipal Anna Riet Pinto, localizada há 19 km da cidade, às margens da BR 293, algumas crianças estão levantando as 4h da manhã para ter aulas, mesmo assim, os períodos não estão sendo completos, segundo elas.

    Escola Anna Riet Pinto

    De acordo com Ercilia Vargas Soares, integrante do CPM (Circulo de Pais e Mestres), “faltam 31 dias para recuperar e ontem mesmo poderia ter tido aula, pois não estava chovendo, mas a secretária disse que não era para o micro trafegar naquela localidade. E se este veículo não vem, os outros também não”, disse ela acrescentando que acha injusto por duas ou três crianças que não comparecem, as outras serem prejudicadas com a suspensão das aulas.

    “Ela não sabe se conseguirão recuperar todos estes dias, e fazendo dobradinha várias vezes fica dificil, porque tem algumas professoras com suplementação que dão aula no Anna Riet e também em escolas da cidade. Mas na realidade os mais prejudicados são os alunos do sexto ano em diante”, disse a mãe.

    Ainda conforme Ercilia, outras escolas estão com o mesmo problema, como por exemplo o Sepé Tiaraju. “Caso o seu Beto, que é motorista, não consiga ir, as aulas também ficam prejudicadas. Se a secretaria tivesse um pouco de força de vontade, faria eles pegarem os micros e levar estas crianças até um pedaço, como fazem na Sucessão dos Moraes. Os
    pais também fariam sua parte e dariam um jeito no resto do caminho”.

    Escola Sepé Tiarajú (Campo Seco)

    Para Maria Cecilia Hernandez Trindade, “a nossa preocupação é com os dias letivos que não se completam. Em abril não houve aula em nenhum dia, em julho tivemos 15 dias de férias e os outros 15 sem aula, e fora outros dias. Posso te dizer que de certeza teria pelo menos dois meses para recuperar”.

    “A diretora disse que esta recuperado, com as dobradinhas das terças e quintas-feiras, mas nós sabemos que não tem como fazer desta forma, pois mesmo indo até 14h45 da tarde, nós sabemos que para recuperar mesmo, seria necessário que estas aulas fossem até as 17h, para fechar dois dias neste período de recuperação”, afirmou Cecilia.

    “Para elas fica recuperado, porque os professores fazem cursos na cidade do Pacto da SMEC, mas o que realmente interessa são os nossos filhos, que estão perdendo e ficam atrasados. Eu já falei com a secretária, estive na rádio e falei sobre o assunto, mas nada foi resolvido”, disse a mãe, acrescentando que “no ano passado, as aulas terminaram 08 de dezembro e naquela oportunidade elas falaram que iriam recuperar, mas chegou no dia 08 e terminaram as aulas, porque o transporte era terceirizado”.

    Maria Cecilia finalizou dizendo que “nossa indagação é que se o transporte é pago pelos 200 dias letivos, eles deveriam cumprir com o que foi determinado para que assim nossos alunos não fossem prejudicados, e eu gostaria de saber se os motoristas que não fazem o transporte nestes dias que não são recuperados se eles recebem igual?”

    O que diz a diretora da Escola Anna Riet

    Conversamos Lilian Marques Goularte, que confirmou a pendência de pelo menos 30 dias à recuperar na escola, mas que as aulas serão recuperadas com as dobradinhas de terças e quintas-feiras, no horário das 13h às 15h30. Ela disse ainda, que em dois sábados de cada mês, as aulas serão recuperadas; acrescentando que nas dobradinhas serão estendidos os horários com a chegada dos dias mais quentes e, se mesmo assim ainda for necessário, estender dezembro para que as 200 horas sejam cumpridas este ano, isso será feito.

    Ela também confirmou a versão de uma das mães do Anna Riet, que no ano passado as 200 horas não foram cumpridas entendendo, com isso, a preocupação deles – mas que isso não irá acontecer novamente, pois a gestão passada era de outra diretora.

    “Concordo que realmente estas horas não cumpridas comprometem o aprendizado, mas como disse, isso não ocorrerá este ano. Fui nomeada como diretora porque ninguém quis assumir o cargo, e desde que me efetivaram como diretora, estou correndo e fazendo como tem que ser”, disse Lilian acrescentando que pelo calendário, “os professores do município irão sair dia 12 de férias, mas que se for necessário ir até janeiro, faremos isso, que por sinal ocorreu quando a Gislaine era diretora da escola”.

    O que diz a secretária:

    Para a Secretária da Educação, Geruza Gonçalves Franco Severo, a recuperação das aulas vai até o final do ano, por isso, “não quer dizer “faltam tantas”, vamos recuperar. Além disso, é uma autonomia da própria escola, que organiza as recuperações, faz as dobradinhas e registra, e assim vai recuperando até chegar no final do ano, quando fecham os dias letivos.

    “Na verdade, nós da secretaria estivemos na escola Anna Riet no início do ano, e acordamos todos juntos que não era justo, por exemplo, se tem 30 alunos e elas tem quase 100, registrar somente para os trinta que compareceram, e os outros ficarem em casa. Neste caso, esta criança seria prejudicada”, disse a secretária.

    “Veja bem, temos na escola um universo de 90 alunos e em dois carros cabem apenas 45. Como ficam as outras? prejudicadas? Isso não seria priorizar qualidade para todos, e sim registrar apenas dias letivos e não é o que eu, como educadora, que venho de uma escola, quero priorizar”, afirmou Geruza.

    “No inverno nem tem como fazer até as 17h, pois eles chegariam muito tarde em casa, na zona rural esta hora já é noite. Agora quando passar a ficar melhor o tempo, com certeza será estendido o horário – e sem contar que nestes dias de dobradinha eles ficam desde cedo, até a tarde”, disse ela.

    Sobre os motoristas

    “No Anna Riet, por exemplo, o transporte é da prefeitura, e enquanto a escola tiver dando aula e a direção disser que tem dia para recuperar, eles estarão a disposição para ir até lá. Isso ocorre também no terceirizado, porque eles ganham por quilômetro rodado. Mas isso é uma organização da escola com o calendário”, esclareceu a secretária.

    “Tem escolas que estão dando aula inclusive no sábado para recuperar. Mas os professores devem constantemente informar aos pais nas reuniões quantos dias faltam para recuperar, tudo isso normalmente é falado para esclarecer estes direitos que são deles”, disse Geruza.

    Sobre os dias à recuperar na Escola Sepé Tiarajú, segundo ela, não faltam 60, pois 15 dias são de férias, e desde que inicia o ano letivo já começa com dobradinha para quando acontecer estes dias de chuva. Além disso, no Sepé Tiarajú as professoras só estão lecionando nesta escola.

    A secretária finalizou, afirmando que “o professor da zona rural também tem que começar a entender que ele não irá ter as mesmas férias do professor da zona urbana, e vai ter que estender o seu período por mais tempo porque ele tem mais dias para recuperar, e quem se propõe a atuar na zona rural sabe que irá ocorrer estes dias de chuva e que a recuperação é necessária. Além do que, se eles ficam na cidade sem trabalhar, ninguém chama eles para nada”.