Força-Tarefa de combate ao abigeato deflagra Operação Carne Legal em Dom Pedrito

Na manhã deste sábado (3), o grupo da Força-Tarefa coordenado pelo delegado Adriano de Jesus Linhares Rodrigues,  com o apoio da Brigada Militar de Dom Pedrto, Vigilância Sanitária Municipal e Grupo de Inteligência da BM, realizou uma grande operação no município. A ação visava combater a venda de carne imprópria para consumo e sem procedência. Os policiais fiscalizaram vários estabelecimentos comerciais e cumpriram mandados de busca em algumas residências. Quatro pessoas foram presas e recolhidas ao Presídio Estadual de Dom Pedrito. O delegado não divulgou a identidade dos acusados.

Foram apreendidos: três espingardas, um revólver, munições, linguiças, charque, 58 kg de peixe e dois capinchos, todos sem procedência e impróprios para consumo. Além disso, um bar foi interditado até que seja adequado às normas previstas em lei. O comercio também vendia remédios sem autorização legal, inclusive medicamentos que só podem ser vendidos com prescrição médica.

As operações estão ocorrendo em diversas cidades da campanha e tem por objetivo combater ações de roubo e furto de gado no Rio Grande do Sul, além de atender um apelo da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), devido ao crescimento de ocorrências de abigeato de 2014 para 2015.

Vale lembrar que na primeira reportagem sobre a força-tarefa, divulgada no final de agosto em nosso portal, o inspetor Patrício Antunes já havia declarado que as operações iriam se estender por todas as cidades da região da campanha, e hoje ela foi realizada em nosso município.

De acordo com a chefe de Polícia Civil, delegado Emerson Wendt, a escolha da cidade de Rosário do Sul como base da força-tarefa foi feita porque este município é estratégico na confluência dessas regiões.

Já para o presidente da Associação dos Médicos Veterinários e Zootecnistas (APMVZ) de Dom Pedrito, Francisco Cardoso “a carne oriunda de abigeato não traz qualquer segurança alimentar, pois não se sabe a origem dos animais abatidos e quais medicamentos foram feitos neles, tais como ivermectinas e benzimidazóis, os quais produzem câncer. Além disso, não temos como determinar se foram corretamente higienizados para combater bactérias e fungos que podem ter nesta carne”.

Um terceiro problema levantado por Francisco, que também integra a comissão de combate ao abigeato do Sindicato Rural de Dom Pedrito, diz respeito a outras doenças como zoonozes que afetam os homens e os próprios animais, acrescentando que “animais que não passaram por uma inspeção sanitária feita por um veterinário credenciado junto ao frigorífico de abate que ateste que esta carne está própria para consumo, pode trazer doenças como a hidatidose, tuberculose, brucelose, dentre outras, lembrando que Dom Pedrito tem hoje um alto índice de tuberculose”.

“Hoje podemos encontrar essas carnes no grande número de linguiçarias que existem no município, e muitas delas sequer tem a origem da carne e o selo da vigilância sanitária”, declarou o veterinário.

Sobre as ações de combate ao abigeato, Francisco disse que “a nova lei do abigeato irá facilitar muito, pois após a apreensão da carne, o meliante que praticou o crime agora será punido e, além dele, o próprio receptor que agora terá uma pena mais dura”, concluindo que as diversas ações que estão ocorrendo visam dar mais segurança aos produtores e consumidores.