Sem luz e sem água, família relata situação de precariedade

    25/agosto/2016 às 14h05min
     Atualizado sexta-feira, dia 26 de agosto de 2016 às 00h47min

    Diversas moradias extremamente precárias estão sendo construídas no bairro Ataliba Coutinho, num terreno que pertence a extinta RFFSA (Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima) do governo federal, entre as ruas Mariano Camboim e Pedro Cesarine. São barracos que ainda não possuem luz, água e nem rede de esgoto – principalmente porque a grande maioria não possui numeração, o que, segundo a Corsan e a CEEE, é necessário para que estes serviços sejam prestados as pessoas que estão vivendo nesta localidade.

    Uma destas famílias é a de Simone Madruga dos Santos, 36 anos. Ela morava em Rio Grande e veio para Dom Pedrito há quase quatro meses, juntamente com seus quatro filhos com idades de 11, 13, 14 e 15 anos, em virtude das dificuldades que estavam passando naquela cidade.

    Em entrevista a nossa reportagem, ela nos disse que veio porque a família do marido mora aqui, e o custo de vida em Dom Pedrito poderia ser menor do que lá. Simone está trabalhando como auxiliar de cozinha na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), nos turnos da manhã e tarde e, nestes dois períodos, dois filhos estudam pela manhã e os outros dois à tarde. O marido dela deve chegar até o final desta semana, pois também ficou desempregado.

    “Como trabalho o dia inteiro, em alguns períodos uma vizinha toma conta das crianças e na casa dela, inclusive, tomam banho, pois no barraco onde estamos morando agora não tem luz e nem rede de água e esgoto”, falou Simone.

    “Logo quando chegamos na cidade, eu aluguei uma casa para morar com meus filhos, mas o dinheiro só dava para pagar o aluguel e as demais despesas, por isso tive que optar entre os gastos ou alimentar e vestir meus filhos; até porque trabalho para sustentar quatro crianças”, disse Simone.

    Ela falou também que esteve na prefeitura, fez um protocolo e preencheu alguns documentos para conseguir o número para a casa o que, segundo ela, sairia dentro de uma semana – acrescentando que sem a numeração não conseguiria ligar nem água e nem luz. “Esta semana, teve um dia que acordei mais cedo e fui lá para pegar os papéis, só que desta vez me disseram que não poderiam mais dar o número, porque era uma área invadida. Não dá pra entender, porque do lado da minha tem outra casa e esta já tem número e até luz”, acrescentou Simone, dizendo que não quer nada de graça e que não se nega a pagar as despesas, mas quer ter o mínimo de condições para atender seus quatro filhos.

    Na manhã de hoje (25), entramos em contato com o gerente da CEEE, Lionso Furtado, que nos informou que realmente a energia só pode ser ligada se a prefeitura der um número a estas casas. O mesmo motivo foi alegado pelos funcionários da Corsan.

    Na Prefeitura Municipal, falamos com o responsável pelo NURF (Núcleo de Regulamentação Fundiária), Irio Batista, que falou sobre o assunto. De acordo com Irio, hoje existe em torno de 320 famílias cadastradas para receber moradia no município, e outras 50 já foram selecionadas e estão esperando receber uma casa.

    No caso desta e outras famílias que invadiram o local é complicado dar a número porque este é um terreno federal. Embora todas as casas construídas ao longo da via férrea estejam na mesma situação, pois foram invadidas pelas famílias e, nestes casos, receberam numeração da prefeitura para que as famílias pudessem receber as condições básicas como energia elétrica e rede de água e esgoto, o que provavelmente irá acontecer com a
    família que construiu o barraco na rua Mariano Camboim.

    Também conversamos com a Secretária da Ação Social, Adriana Peixoto da Fonseca Dambrósio. Ela nos disse que de imediato irá encaminhar as crianças para serem atendidas pelo Centro Juvenil, onde terão café da manhã, almoço, lanche da tarde e principalmente reforço escolar e atividades extra curriculares.

    A secretária disse ainda que irá ajudar com roupas e alimentos, entre outras formas de auxílio que serão proporcionados a esta família, até que a mãe tenha condições de pagar um aluguel, sem ter que deixar de atender as crianças em suas condições básicas como saúde, alimentação e vestuário.

    Adriana disse ainda que a secretaria tinha uma equipe volante com um quadro mínimo de profissionais para atender e auxiliar estas famílias, só que isso era feito com verba do Governo Federal. “infelizmente, por falta de projetos e atualização de dados do sistema, a secretária anterior acabou perdendo a verba, e agora estamos tentando compensar através dos CRAs, mas ainda não tivemos resposta”, completou Adriana, acrescentando que o dinheiro chegou a ser depositado, mas acabou sendo devolvido porque a gestora da pasta não apresentou projetos e nem prestou informações sobre o programa.

    O direito a uma moradia decente para famílias de baixa renda deveria ser um dever do estado, principalmente para aquelas que vivem em condições precárias como esta e, assim, não tivessem que estar optando entre a situação de uma casa de aluguel ou alimentar e cuidar da saúde dos filhos.

    Neste momento, nos perguntamos onde estão os núcleos habitacionais prometidos? Os governantes de todo o país – sejam eles federais, estaduais ou municipais – precisam entender que questões como estas não envolvem apenas construções habitacionais, e sim pessoas e famílias que realmente necessitam ter um apoio permanente destes órgãos.