Protesto pela reabertura do HU de Bagé mobiliza região

    Anderson Ribeiro/FS

    Representantes de mais de 10 municípios gaúchos realizaram mobilizações, na manhã de ontem, em prol da saúde pública. Em Bagé, o ato desenvolvido fez alusão específica ao Hospital Universitário, que teve o anúncio, em 16 de julho, de que suas portas seriam fechadas após a liberação dos últimos pacientes. Organizada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), a mobilização reuniu mais de 150 manifestantes na Rainha da Fronteira, entre sindicalistas da região, trabalhadores da saúde, políticos e comunidade.

    A concentração iniciou às 9h, na Praça de Esportes. Após, o grupo se dirigiu até a sede da 7ª Coordenadoria Regional de Saúde para entregar, ao titular da pasta, Daltro Paiva, uma carta com reivindicações. O documento destaca que o fechamento do HU implica na exclusão de 92 leitos, assim como na demissão de 178 trabalhadores.

    Por fim, os sindicalistas pediram providências urgentes das esferas estadual e federal. A perspectiva é de que Paiva encaminhe a solicitação para o secretário estadual de Saúde, João Gabbardo.

    “Já está sendo realizada uma negociação para novas contratualizações. Neste caso, seriam retomados os serviços de cardiologia, urologia, hemodiálise, bloco cirúrgico e o funcionamento do tomógrafo”, salientou o coordenador.

    Manifestações

    Após o protesto na 7ª CRS, o grupo foi até a Câmara de Vereadores. Sete legisladores receberam os sindicalistas e assinaram um termo de compromisso pela reabertura do hospital. O roteiro foi concluído às 11h, com uma movimentação em frente ao prédio do HU.

    O espaço serviu para vários pronunciamentos de líderes de movimentos sociais e integrantes da comunidade. “Precisamos de ações. Sartori, deixe de brincar com a saúde e com o povo. Respeite a população de Bagé. O governo foge do movimento sindical, mas nós não fugimos do governo”, salienta o coordenador regional da Fetag, Mílton Brasil.

    Se o impasse não tiver perspectivas nos próximos dias, Brasil não descarta a possibilidade de vários sindicalistas acamparem no prédio da entidade hospitalar. “A partir de agora, com o movimento, nós olharemos nos olhos dos governantes e diremos que estamos lutando não apenas por Bagé, mas por 30 municípios que são atendidos. Um hospital deste não pode estar com um cadeado na porta”, explana.

    O vice-presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Bagé (Sindicom), Júlio César Boer Filho, pediu para que uma comissão, formada por vereadores, busque uma agenda com o Estado. “Temos que pressionar o governador. Segunda-feira à noite soubemos que 22 pessoas estavam aguardando leitos na Santa Casa. Aquilo que vemos na TV, em outros lugares do país, está acontecendo aqui também. Agora é o pontapé inicial e não iremos parar enquanto não reabrirmos o HU. O Sindicom está engajado nessa luta”, observa.

    Falta de farmacêutico

    Paralela à manifestação, uma enfermeira e uma nutricionista fizeram uma inspeção no prédio do HU. No entanto, o alvará geral do hospital só será liberado com a averiguação de um farmacêutico. Paiva relata que a 7ª CRS não dispõe de um profissional capacitado para o trabalho. Portanto, pediu para que seja enviado um representante de Porto Alegre ou de Pelotas.

    No final da manhã, o coordenador regional da Fetag, a secretária municipal de Saúde, Janise Fagundes, e outros representantes sindicais estiveram reunidos com Paiva para tratar do caso. Na ocasião, ele alegou que a 7ª CRS não conta com um veículo disponível para buscar o farmacêutico. A fim de solucionar o problema, Janise deixou à disposição um carro da pasta municipal. “Até sexta-feira, teremos esta situação resolvida. Tenho convicção de que o Hospital Universitário não será fechado de vez. Esse problema será resolvido”, conclui o coordenador.

    O que diz a Urcamp

    Em nota enviada pela assessoria de comunicação da Universidade da Região da Campanha (Urcamp), a reitora Lia Quintana reconhece o movimento como positivo e fundamental para a manutenção das atividades do hospital. “Acredito que toda a ajuda de entidades e lideranças, desde que não seja considerada oportunismo político-eleitoral, deve produzir conscientização e alertar as autoridades para a solução do problema”, avaliou a reitora.

    Lia garante também que todos os servidores e médicos, registrados na folha de pagamento, estão com salários em dia. Os atrasos são com prestadores de serviços terceirizados. “É bom lembrar que uma entidade filantrópica como a Urcamp presta serviços de qualidade, mas quem deve repassar os recursos para cobrir os contratos é o órgão público, é o Estado. Quando isso não acontece com a regularidade necessária, ficamos sem condições de garantir atendimento”, finaliza o texto.

    Folha do Sul