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Funcionários defendem manutenção do Hospital Universitário de Bagé

Uma passeata realizada pelo centro de Bagé, na manhã de ontem, composta por funcionários do Hospital Universitário (HU) Doutor Mário Araújo, defendeu a manutenção das atividades desenvolvidas pela instituição.

Após caminharem pela avenida Sete de Setembro, o grupo fez uma parada junto à Câmara, onde participaram de uma sessão especial para tratar do anúncio feito pela reitora da Universidade da Região da Campanha (Urcamp), Lia Quintana, de que o HU, em função de um déficit que já atingiu a cifra de R$ 2,9 milhões, iria fechar suas portas assim que o último paciente internado tivesse alta médica.

Em conversa com a reportagem, a técnica em Enfermagem Tanara Bueno, que atua há seis anos no HU, disse que a notícia foi uma surpresa para os trabalhadores. “Foi muito impactante. Até porque, mesmo com esta crise tendo iniciado há dois anos, para nós parecia que estava tudo tranquilo. Sabíamos que o Estado estava atrasando repasses, mas estávamos recebendo em dia. Ou seja, aparentava que estava tudo normal”, comentou ela.

Questionada sobre a movimentação da categoria, Tanara frisou que a meta, agora, é que uma solução seja encontrada para que o hospital não feche suas portas. “Espero que os governantes tomem uma atitude. Defendemos apenas um direito (Estado liberar repasses pelos serviços prestados) e que é dever que seja pago, até porque, é dinheiro de impostos que nós pagamos”, comentou.

Os servidores, durante boa parte da manhã e da tarde de ontem, ocuparam as galerias do plenário Lígia Almeida, para participar de um debate promovido na Câmara a respeito do assunto. Uma das metas, por exemplo, foi enumerar sugestões para que o HU não feche duas portas.

A secretária de Saúde, Janise Fagundes, que acompanhou a atividade, elencou que o serviço é essencial para a Saúde local. “O município teve um convênio”, disse ela, lembrando que tal parceria não existe na atualidade. Porém, frisou, como alternativa, a necessidade de cobranças dos valores atrasados por parte do Estado. “Estamos numa briga grande, porque querem diminuir recursos, colocar teto em gastos, o que é impossível em Saúde (…) Temos dificuldades, mas temos serviços. Não podemos abrir mão desses 92 leitos”, comentou.

Membro do conselho sugere gestão independente

Presente no ato realizado no Legislativo, o radialista e membro do Conselho Fiscal do HU, Edgar Muza, apresentou uma sugestão até então não levantada para que a situação financeira do hospital seja sanada.

Para ele, antes de tudo, é necessário que a gestão da instituição seja independente. “A Urcamp, além de não ter tempo de resolver seus problemas, que é o ensino, quer gerenciar o hospital?”, questionou ele ao citar que tal administração precisa ser feita por um grupo específico, capacitado para gerir uma unidade de Saúde.

Ainda, para evidenciar sua abordagem, indagou o porquê, até então, de o HU não ter apresentado uma ação judicial – a exemplo do que fez a provedoria da Santa Casa de Caridade – a qual obteve liminar obrigando o Estado a quitar os valores atrasados e, também, manter em dia um calendário de pagamentos devidos.

Uma das possibilidades levantadas por Muza é que um coletivo composto pelos próprios funcionários assuma o comando do HU e passe a responder pela captação e aplicação de recursos.

Feito isso, diz ele, podem ser buscadas correções as quais classifica como prejudiciais à saúde financeira do hospital. “A causa das perdas está inserida no atual cenário desde a última contratualização. O Estado impôs um valor abaixo do que vinha sendo praticado para a prestação dos serviços e o hospital aceitou, por isso está assim hoje”, destacou ao frisar que há tempos vinha levantando a questão de que, mais cedo ou mais tarde, o déficit seria o único destino possível.“Os governos têm culpa, sim, porque atrasam, sempre foi assim. Mas o HU tem solução, basta que a Urcamp não mais o administre”, opinou.

Tratativas junto ao Estado

Representantes do HU, lideranças políticas e demais interessados sobre o tema devem participar, hoje, em Porto Alegre, de uma série de agendas junto ao governo gaúcho para, num primeiro momento, pleitear a liberação de recursos por serviços já prestados pelo hospital mas, até então, não repassados. Um dos encontros já previstos está marcado para as 11h, com o secretário-adjunto da Secretaria de Saúde do RS, Francisco Paz. Outra meta é conversar, diretamente, com membros ligados ao gabinete do governador José Ivo Sartori.

Folha do Sul

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