Evento em Bagé inicia reforçando importância do agronegócio para a economia local

    5/julho/2016 às 10h45min
     Atualizado terça-feira, dia 5 de julho de 2016 às 17h50min
    (Foto: Cristiano Lameira/Folha do Sul)

    O setor do agronegócio gaúcho, nos últimos anos, já tem em seu calendário o mês de julho e a cidade de Bagé como sinônimos para o debate relacionado à produção de soja. E isso ficou evidente ontem, com a abertura da terceira edição do Simpósio Produção de Soja na Região da Campanha, quando um grande público prestigiou as palestras do economista do Sistema Farsul, Antônio da Luz,  e do diretor-presidente da empresa Stara, Gílson Trennepohl.

    A primeira palestra da noite, cujo tema foi “Agronegócio como eixo de crescimento e desenvolvimento regional”, teve como base um estudo feito por da Luz, quando houve uma análise do agronegócio na regional 2 da entidade, composta por sindicatos e associações rurais de municípios como Dom Pedrito, Bagé, Hulha Negra, Aceguá, Caçapava do Sul, Candiota e Lavras do Sul.

    Da Luz ressalta à reportagem que na pesquisa ficou comprovado o quanto é importante o agronegócio para o produto interno bruto desses municípios. “Além disso, conseguimos chegar a alguns aspectos que demonstram o que pode ser feito para que o setor transfira mais riqueza para a região e auxilie na geração de renda per capita”, declara o economista que aponta a comprovação do empobrecimento da região nos últimos 30 anos. “Ela tem ficado mais pobre, afastando-se da média de outras regiões do Estado, com queda na renda per capita. Portanto, nós da Farsul observamos que, com a expansão das lavouras na Campanha, há possibilidade de que ela tenha condições de ampliar seu status para o de uma região com forte produção agrícola, o que trará um resultado econômico muito positivo para toda a sociedade, porém isso dependerá da tomada de decisões corretas para a produção”, pondera.

    El Niño
    Em relação aos prejuízos causados pelo El Niño na safra 2015/2016, Da Luz reconhece que as perdas foram enormes para o setor na Campanha. “Toda sociedade vai sentir um pouquinho desse prejuízo”, afirma o economista que salienta que o seguro rural é prioridade para momentos como esse. “A principal política agrícola no país para o setor, atualmente, é o seguro rural”, reforça. Sobre a próxima safra na região, Da Luz ressalta que as projeções destacam que haverá manutenção da área com soja com o mesmo tamanho da de 2015/2016 na Campanha. “Acreditamos que não haverá, pelo terceiro ano seguido, um evento climático que afete com a mesma intensidade que esta ocorrência do El Niño. Além disso, o produtor está ciente dos riscos de empreender uma área com a soja; portanto, não observo uma diminuição na intenção de plantio da oleginosa, até porque a cultura ainda está com boa rentabilidade”, aponta.

    Stara
    A segunda palestra da noite foi com Trennepohl, diretor-presidente da Stara. Com o tema “O Brasil empreendedor que dá certo”, o executivo abordou a história da empresa, que é referência internacional na fabricação de máquinas e implementos agrícolas. É uma empresa nacional criada em 29 de agosto de 1960 na cidade gaúcha de Não-Me-Toque. Prestes a completar 56 anos de existência, a Stara, hoje, está na quarta geração da família de administradores e com presença em todos os estados agrícolas do Brasil e em mais de 35 países. “É a história de uma empresa que apostou em tecnologia, inovação e na parceria com os produtores rurais. Passamos por diversas crises econômicas no país e muitas dificuldades como empresa, mas conseguimos, com muito trabalho, demonstrar que uma empresa 100% nacional pode projetar para os próximos anos ampliar as exportações, mas também crescer cada vez mais no país”, comenta.

    Conforme o diretor-presidente, a crise econômica pela qual o país passa não é a primeira e nem a última que a Stara enfrenta. “Estamos preparados para essas dificuldades. Deve-se observar nos problemas as oportunidades. Acredito que os dois últimos anos serviram para que pudéssemos ajeitar a casa. Tivemos um crescimento muito forte. De um capital de R$ 60 milhões em 2006 chegamos a R$ 1 bilhão em 2013. De 280 colaboradores há 10 anos, chegamos a três mil em 2013. Então com esse cenário atual, ajustamos algumas coisas. Entre elas, apresentamos uma nova composição patrimonial com o BNDES – o BNDESPAR. Com isso temos uma instituição financeira da própria Stara, que opera direto com o BNDES, sendo a única empresa no ramo de máquinas que tem seu próprio banco”, destaca o administrador.

    Diferencial
    Sobre a expansão da soja na região, Trennepohl acredita que é um momento muito importante de transição na economia local e eventos como o simpósio proporcionam que o produtor inicie a atividade, ou prossiga, com informações pertinentes e atualizadas. O empresário vê na integração da pecuária com a agricultura um diferencial para a produção da região. “Em muitas regiões do país há uma busca pelo dinamismo que aqui poderá haver com a pecuária. Uma complementando a outra e trazendo muitos benefícios para a cultura da soja. A região já sai na frente com essa possibilidade”, declara o diretor-presidente da Stara.
    O Simpósio Produção de Soja na Região da Campanha prossegue hoje no Parque Visconde de Ribeiro Magalhães com palestras durante a manhã e a tarde. Amanhã, serão realizadas oficinas técnicas pelas empresas parceiras do evento.

    Folha do Sul