A luta de um morador de rua por emprego em Bagé

    Francisco Bosco/FS

    Viver nas ruas não é uma opção individual, nem uma escolha de livre vontade. Homens e mulheres são levados a essa situação por condições impostas pela vida, como falta de trabalho – e, consequentemente, de renda -, rompimento dos vínculos familiares, adversidades pessoais ou até doenças. Além de acabar na rua por uma série de perdas, a população nesta situação também está sujeita a todo tipo de preconceito. Não é raro ouvir expressões como “mendigos”, “pedintes”, “vagabundos”, “essa população é assim mesmo” para definir quem está sem um local definido: julgamentos feitos sem levar em consideração que acima destas definições estão seres humanos em busca de respeito e oportunidade.

    Vergilio San Martin dos Santos, de 38 anos, é um exemplo de pessoa que vive na rua. Portador do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), ele enfrenta sozinho uma luta diária contra a fome, a exposição ao frio ou ao calor e às chuvas. “Trabalhei durante cinco anos de carteira assinada. Em 2013, descobri que era soropositivo. A partir daí, enfrento essa situação. Desempregado e sem dignidade para viver. Ninguém quer ficar doente. Faço tratamento e preciso de ajuda, principalmente nesta época em que as imunidades ficam baixas”, comenta.

    Santos relata que tem dois filhos: uma menina e um menino, 19 e 17 anos, respectivamente. Desempregado, separado e sem ter onde ficar, está em busca de trabalho. “Sou pintor profissional. Já trabalhei como pedreiro e servente”, conta.

    O morador de rua enfatiza que não tem o hábito de pedir dinheiro. “Peço comida e doação de roupas. Dinheiro só peço se eu prestar algum serviço, porque, então, estarei sendo remunerado por um trabalho realizado”, diz. Hoje em dia, enquanto não consegue mudar sua situação, vive na área central da cidade e, normalmente, fica em uma casa abandonada, . “Tenho medo de mandarem eu sair daqui. A única coisa que terei que fazer é pegar minhas roupas e sair”, teme.

    Santos afirma que sente a solidariedade, mas também o desprezo das pessoas. “Aqui (onde fica), praticamente todos me conhecem. E muitos me ajudam. Sou grato. Mas busco uma melhoria de vida. Um lugar para tomar banho. Não tenho a mínima condição de higiene. Sei que não posso ficar por muito tempo no albergue municipal. Me explicaram que a demanda é grande. Eu já trabalhei. Sei que da maneira que estou: sujo, cabeludo e mal vestido, ninguém quer me oferecer emprego”, salienta.

    Auxílio
    A titular da Secretaria de Assistência Social (SMTAS), Andréia Quadros Rosa, explica que a pasta oferece serviços como o albergue municipal, que conta com toda a infraestrutura para atender moradores de rua. “Em termos de logística, estamos com o albergue remodelado, agora próximo à secretaria, com toda a casa bem equipada e duas profissionais, uma psicóloga e uma assistente social, que atuarão com o intuito de prestar toda a assistência a essas pessoas”, informa Andréia, que salienta que o espaço trabalha com um regimento para que as pessoas em vulnerabilidade possam ser auxiliadas a buscar uma reinserção na sociedade.
    “Aqui, a psicóloga irá atendê-lo para trabalhar um projeto de vida com essa pessoa. Já a assistente social irá atuar para que ele possa ser reinserido na sociedade, dando os encaminhamentos necessários, pois ele tem uma profissão. Iremos procurá-lo para incluí-lo em nosso cadastro para que nossas técnicas possam fazer um plano terapêutico a ele”, completa a secretária. A população que quiser e puder ajudar Santos pode procura-lo pelo telefone (53) 9964-7692 (contato disponibilizado por uma família que o ajuda).

    Folha do Sul


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