Como se proteger e denunciar crimes de internet

    Francisco Bosco/FS

    Policiais da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) prenderam, na última quarta-feira, Vinícius Silva Marques, de 19 anos. O jovem é acusado de extorsão, de ter ameaçado divulgar fotos e vídeos de uma estudante universitária, de 20 anos, nos quais ela apareceria nua. O crime, segundo os investigadores, ocorria por meio de uma rede social.

    O apontamento é que o acusado conversava com a estudante, por meio de um perfil falso (fake), e pedia que ela enviasse imagens dela. Após um período do fato, ele teria começado a dizer que iria divulgar as fotos e vídeos na universidade onde ela estuda. Em troca, Marques solicitava dinheiro.

    Ele foi preso em flagrante, quando aguardava a vítima – que havia acionado a Deam – levar R$ 500 para que ele não publicasse as imagens. Após o registro, o acusado foi encaminhado para o Presídio Regional de Bagé.

    A delegada Cárem do Nascimento, titular da Deam, destaca que este tipo de crime é crescente. “ Temos que alertar as mulheres que não troquem imagens, vídeos e informações pessoais pelas redes sociais. Muitas vezes, com o término do relacionamento, este tipo de informação vira uma arma contra a vítima”, explica.

    Cárem destaca que os famosos “nudes” têm sido problemas para muitas pessoas. “Estas fotos nuas (conhecidas como “nudes”) são armas nas mãos de pessoas mal intencionadas que, muitas vezes, não aceitam a separação e querem tirar alguma vantagem, querem a volta do relacionamento e, como neste último caso, querem benefícios financeiros das vítimas, cometendo, assim, um crime de difamação”, alerta.

    Vítima
    A reportagem conversou, ontem, com uma vítima – o nome não será revelado – de um crime deste tipo. Ela contou que passou por tal situação com um namorado com quem havia se relacionado por cinco anos. “Ele era muito ciumento desde o início, mas era normal. Com o tempo ele foi ficando mais possessivo, quando vim morar em Bagé. Ele é de outra cidade.

    No primeiro momento, ele vigiava minhas contas nas redes sociais”, relatou. A jovem lembra que após essas “vigias”, eles acabaram brigando. “Brigamos, mas tivemos um período juntos e, neste momento, ele fez imagens (vídeo), sem eu saber, de momentos íntimos entre nós. Então, ele invadiu minha rede social (do Facebook) e enviou para amigos e colegas”, relatou.

    O episódio trouxe um sentimento de frustração. Ela disse que, por um período, não conseguia nem denunciar, pois ficou com muita vergonha de todos. “Eu relutei em procurar a Delegacia. Primeiro fiz um print (cópia) da tela em que ele havia usado a minha rede social. Depois, então, eu resolvi procurar ajuda.

    Na Delegacia, eu obtive ajuda necessária e sei que o processo está em andamento. O que senti foi muita vergonha, constrangimento, fiquei um bom tempo sem ter rede social. Agora, já tenho, mas até no trabalho eu ficava com vergonha de todos”, ressaltou.

    O caso da jovem tramita no Judiciário e o acusado está respondendo processo por difamação e invasão de dispositivo de informática, podendo ser detido de três meses a um ano, com acréscimo de um terço da pena por violação do dispositivo eletrônico.

    Denúncias
    Cárem enfatiza que a investigação deste tipo de crime é complicada, pois o perfil dos criminosos é variado. Segundo ela, a maioria são pessoas que trabalham, estudam, têm condições financeiras boas e não possuem antecedentes criminais.

    “Sempre alertamos que não confiem em ninguém, não repassem. O relacionamento pode ser sólido, não há necessidade de fazer esse tipo de exposição. Vemos quantas vítimas, por inocência e confiança, fazem isso, mas após o primeiro repasse, não sabemos onde estas imagens poderão circular. Às vezes, nem são os cônjuges, companheiros e namorados, mas outras pessoas. Se está no celular, pode ser enviado, o telefone pode ser roubado, perdido e, então, tudo se dissemina”, reitera a delegada.

    Orientações Após descobrir o crime
    – Fazer um print (cópia da tela do computador)
    – Salvar esta imagem, antes que desapareça (criando assim a materialidade)
    – Registrar ocorrência na Deam e na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA)
    Após o crime descoberto, é confeccionado um inquérito policial e realizada uma investigação apontando todos os fatos. “A tranquilidade que podemos passar é que há punição e iremos descobrir os responsáveis. Pode ser mais complicado encontrar, pois crimes virtuais são complicados mesmo, mas não ficam na impunidade”, garante a delegada.

    Folha do Sul