Reuniões com especialistas da Santa Casa de Bagé podem iniciar na próxima semana

    19/maio/2016 às 11h23min
     Atualizado quinta-feira, dia 19 de maio de 2016 às 11h32min
    (Foto: Divulgação/FS)

    O auditório da Santa Casa de Caridade de Bagé, sediou, na noite de terça-feira, uma assembleia convocada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Sime/RS). Na ocasião, foram abordados temas como a falta de repasses, de material e funcionários para auxiliar nos procedimentos. Conforme o delegado regional do Sime/RS, Roberto Assumpção Gaffrée, a decisão foi por manter o diálogo. A partir da próxima semana, devem ocorrer as reuniões. “Iremos debater com cada especialidade para decidir quais serviços serão mantidos e o que irá paralisar. Sempre pensando em como prejudicar menos a população”, comenta.

    O médico ressalta que a situação é de extrema gravidade. “Nesta semana, uma idosa precisava de uma cirurgia e não tinha material. Um procedimento cirúrgico, para dar certo, depende de um bom ambiente, profissional capacitado e da situação do paciente. Não temos um bom ambiente, com materiais necessários”, salienta. Ele reconhece que a provedoria da Santa Casa está fazendo o possível para passar pela atual situação. “Temos um bom diálogo. Estão sempre abertos à conversa. Porém, os médicos estão trabalhando sem receber. Mas tudo tem limite. Algo vai ter que acontecer”, enfatiza.

    Nas próximas reuniões, serão avaliados os serviços que irão parar, exceto urgência e emergência, que devem permanecer, conforme previsto em lei.

    O vice-provedor da Santa Casa, Manif Curi Jorge, comenta que, agora, é aguardar o posicionamento de cada especialidade. “A situação do país é muito preocupante, no Estado mais ainda. A saúde está vivendo um dos piores momentos. Os cortes nos repasses impacta as instituições. Neste momento, cerca de R$ 3 milhões é a dívida com a Santa Casa, referente a quatro meses de atraso nos incentivos”, relata.

    Jorge reafirma que isso gera dificuldades para pagamento da folha médica, do quadro funcional e de fornecedores, como já foi citado em outras publicações pela provedora Cledinara Salazar. “Não conseguimos ter um planejamento. Não se tem certeza de quando e quanto iremos receber. A Constituição é clara: a saúde é um direito de todos e dever do Estado”, completa.

    Jornal Folha do Sul