Cemitério Municipal é novamente alvo de denúncias de depósito irregular e queima de lixo a céu aberto

    Na manhã desta quarta-feira (18), a reportagem da Qwerty foi novamente solicitada à comparecer no Cemitério Municipal, onde mais uma vez foram constatadas novas irregularidades: Além da queima de caixões, encontramos diversos entulhos com restos dos mesmos e roupas de pessoas falecidas, expostas a céu aberto, impondo sérios riscos à
    saúde dos visitantes, funcionários e moradores que vivem próximo ao local.

    A maior surpresa de nossa reportagem, no entanto, foi quando a colega do Folha da Cidade que também esteve no local, se deparou com uma dentadura caída no chão e próxima aos restos depositados junto ao forno de incineração que pela foto divulgada em nossa galeria demonstra estar desativado.

    Vale lembrar, que desde o mês de abril nossa reportagem vem insistentemente abordando e denunciando este problema de saúde pública. No dia 01 de abril, estivemos no cemitério, naquela oportunidade os vereadores Eroni Jorge de Souza e Jorge Vogel já denunciavam a situação. De acordo com Souza, “eu estava visitando o túmulo de um familiar quando senti um odor muito forte no local”, constatando logo em seguida, que se tratava de restos de caixões, roupas, flores e muito lixo a céu aberto nos fundos do cemitério. O fato foi registrado na Delegacia de Polícia por Souza.

    Cerca de duas semanas depois, no dia 14, após diversas denúncias de nossos leitores, nossa reportagem conseguiu flagrar o momento em que mais caixões estavam sendo queimados no mesmo local. De acordo com informações de alguns moradores das proximidades do
    cemitério, o incêndio foi criminoso. Porém, ressaltaram que, se não houvesse caixões ali, o fogo talvez não fosse aceso. “Temos crianças pequenas em casa, que ficam inalando essa fumaça proveniente da queima desse material”, manifestou um dos moradores.

    Na oportunidade o secretário de Obras, Marco Antônio Piriz – Totonho, disse que aquele local foi escolhido como depósito de lixo (flores e tábuas de caixões), pois é o único lugar do cemitério que dá acesso para um caminhão. “O lixo, ou seja, as flores e as tábuas de caixões, vão para um forno especial na cidade de Santa Cruz do Sul. Na administração
    passada queimavam tudo num forno, mesmo sendo proibido, mas estamos cumprindo a lei e a determinação da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental)”, diz o secretário, acrescentando que o caminhão só irá fazer o transporte do lixo quando haver uma grande quantidade.

    Recentemente, a Prefeitura de Itapeva (MG) foi multada em mais de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por queimar caixões a céu aberto no cemitério municipal. O caso se tornou público depois que uma adolescente que acompanhava um velório viu os caixões queimados. Ela fotografou tudo e postou em uma rede social. O fato foi divulgado no portal do G1: http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2016/03/prefeitura-de-itapeva-e-multada-por-queima-de-caixoes-ceu-aberto.html

    É bom lembrar ainda, que a legislação brasileira determina que promover queimadas a céu aberto, não autorizado pelo órgão ambiental, é crime ambiental sujeito a multas e quem o faz pode ser condenado.

    Todos sabemos, que os cemitérios podem ser considerados como fontes potenciais de contaminação devido à decomposição dos cadáveres que liberam microorganismos patogênicos e destruidores da matéria orgânica, bactérias, vírus e demais substâncias químicas. O próprio Conselho Nacional de Meio Ambiente prevê que os resíduos resultantes da exumação humana devem ter destinação ambiental sanitariamente adequada.