Governo gastou R$ 8 mil em ‘muro’ que divide grupos pró e anti-Dilma

    Polícia teme que muros em frente ao Congresso potencializem violência. O material é feito de ferro e sustentado por bastões. Foto: Agência Estado

    A barreira de aço que divide a Esplanada dos Ministérios para os protestos desta semana custou R$ 7.850 ao governo do Distrito Federal e, a princípio, deve ficar erguida até a próxima segunda (18), caso a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff seja definida de fato no domingo (17).

    As chapas de aço, instaladas por presidiários do sistema semiaberto do DF, que possuem autorização para trabalhar fora da carceragem, geraram polêmica em Brasília. A barreira já vem sendo chamada por deputados de “muro da vergonha”.

    A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal alega que a medida é fundamental para garantir a integridade dos manifestantes. A pasta determinou que, do lado esquerdo do muro ficarão os manifestantes contrários ao impeachment, enquanto os favoráveis ao afastamento ficarão do lado direito.

    A barreira tem uma extensão de um quilômetro e vai do Congresso Nacional em direção à Rodoviária da cidade. O DF prevê a presença de 3.000 policiais militares, 500 bombeiros e 50 agentes de trânsito. A previsão informada pelos manifestantes ao governo é que cerca de 300 mil pessoas compareçam aos protestos convocados para domingo.

    Os governistas chegaram ao local no domingo (10) e se instalaram no estacionamento do Teatro Nacional, mas, a pedido do governo do Distrito Federal, mudaram para um local um pouco mais distante. Os pró-impeachment estão acampados no Parque da Cidade, do outro lado do eixo que divide a cidade.

    Manifestantes acampados em Brasília iniciaram nesta segunda (11) a onda de protestos contra o impeachment. Todos os dias, com exceção de terça (12), os manifestantes pró-governo farão uma caminhada em direção ao Congresso.

    Um grupo de aproximadamente 300 pessoas está acampada no Centro de Convenções Nilson Nelson, a cerca de 4 km do Congresso. São, na maioria, integrantes de grupos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e o MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores). Além do impeachment, as pautas dos grupos pró-Dilma já presentes na Esplanada são diversas. Vão da reforma agrária ao fim da reforma previdenciária.

    A causa comum é o pedido pela saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara e o repúdio a um eventual governo Michel Temer, o vice que assume em caso de impedimento da petista.

    Ao longo do dia, algumas palavras de ordem foram usadas para tentar inflamar os grupos. “Fogo no pavio”, gritavam os acampados da juventude do MST.

    “A palavra não quer dizer guerra, apenas dá ânimo a quem está na luta. A orientação é para não cair em provocações”, disse o coordenador nacional do movimento Antônio Pereira.

    A reportagem encontrou ônibus vindos de seis estados: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rondônia.

    “Quem é de Brasília não está acampado, mas está ajudando muito na manutenção de quem está. Dei R$ 50 e consegui mais R$ 50 com uma amiga para comprarem feijão, carne”, contou Geraldo Magela, do Núcleo de Defesa da Democracia.

    Folha de São Paulo