Advogado do proprietário da barragem onde ocorreu mortandade de peixes fala sobre o caso

    4/março/2016 às 00h00min
     Atualizado sexta-feira, dia 4 de março de 2016 às 00h00min
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    Devido à recorrente repercussão da mortandade de centenas de peixes em uma barragem próxima à Associação dos Funcionários da Cotrijuí (Afucotri), o advogado do proprietário Valdivio Boijink, Geancarlo Loreto Laus, concedeu entrevista à nossa reportagem para falar sobre o caso, que está sendo investigado pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de Porto Alegre.

    Inclusive, segundo o portal G1, nesta quinta-feira (03), foram encontrados três tipos de agrotóxicos na propriedade de Valdívio, além de 40 embalagens vazias de diferentes tipos de produtos. Ainda foram colhidas amostras da terra para serem encaminhadas para a perícia, já que o Ibama já havia colhido amostras de água e dos animais mortos. Em depoimento à polícia, o proprietário da fazenda admitiu ter usado agrotóxicos na lavoura.

    Ainda de acordo com o G1, junto à barragem, existe uma lavoura de soja. Uma das hipóteses com que a polícia trabalha é que agrotóxicos aplicados na plantação tenham sido despejados na água. O proprietário da área foi detido e liberado após prestar esclarecimentos. Ele pode responder por crime ambiental, com pena que varia de um até quatro anos; além de receber uma multa.

    Confira o que o advogado falou sobre o caso

    “Os produtos apreendidos pela Polícia estavam todos devidamente acondicionados e, como ele é o proprietário da lavoura e da barragem, eles (policiais) apreenderam todos esses materiais que estavam na propriedade dele. A lavoura é de soja, mas existem produtos apreendidos que não são para soja. Devem ter uns dois galões apenas usados em lavouras de soja. Os agrotóxicos combatem lagartas e todos os produtores os utilizam.

    Essa ação foi apenas para averiguação. O seu Valdívio, que é o proprietário da lavoura e da barragem, já providenciou um exame de análise da água para constatar qual o princípio ativo que existe na água e no peixe.

    Outro detalhe muito importante, é que essa investigação não pode se limitar apenas a ele, pois existem outras possibilidades de contaminação. Uma delas é uma lavoura que existe ao lado. Existem córregos que vêm de outra propriedade. A lavoura dele foi pulverizada com um trator.

    Ele planta, no local, há 20 anos; e essa é a primeira vez que acontece isso. O seu Valdívio iria estar fazendo um mal para ele mesmo com a mortandade desses peixes. A questão técnica laboratorial será definida através dos exames – o que não significa que o princípio ativo encontrado na soja, na água ou no peixe, seja motivo para ele ser o causador; porque a Polícia não levou amostras das outras propriedades. E se o princípio ativo estiver na propriedade do lavoureiro do lado também? Foi lá ou foi aqui?

    Outra variante é que existe a questão de falta de oxigênio na água, que às vezes acontece por uma proliferação excessiva de algas. Nada é de se descartar. Tudo é possível Só que a Polícia está focando apenas no proprietário, por ele ser o dono e ser o lavoureiro que planta na barragem, mas existem essas outras questões que já citei. Pela quantidade de peixes mortos, presume-se que foi pego um galão e foi jogado dentro da água.

    Foram apreendidos inúmeros produtos normais, utilizados em qualquer lavoura, não só em plantações de soja; mas também em outras lavouras. Mas não quer dizer que os galões apreendidos sejam os que contaminaram a água.

    A forma como está se divulgando, é como se o seu Valdívio tivesse intencionalmente matado os peixes, sendo que existem muitas outras hipóteses. 

    Setor de jornalismo: portal@qwerty.com.br