5/fevereiro/2016 às 00h00min
     Atualizado sexta-feira, dia 5 de fevereiro de 2016 às 00h00min
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    Durante entrevista com o provedor da Santa Casa de Caridade de Dom Pedrito, Luiz Carlos Moraes Costa, foi levantada a questão da crise que enfrenta o Rio Grande do Sul e se essa crise está afetando ou não o hospital. Moraes comenta que o Estado tem uma dívida de R$ 770 mil com a Santa Casa. "Essa é a maior crise da saúde que já enfrentei desde que assumi o hospital", revela o provedor.

    Uma das maiores preocupações do provedor Moraes, é o pagamento dos funcionários do hospital, pois os salários podem não ser pagos de forma integral. "Acredito que vamos ter que pagar uma parte, cerca de R$ 800 ou R$ 900, para que os funcionários consigam passar o carnaval e depois vou ter que dar um vale, alguma coisa a se pensar", diz.

    Hoje, a Santa Casa conta com 250 funcionários e tem um gasto mensal de R$ 660 mil, com remédios, materiais de higiene, alimentação e pagamento de pessoal.

    “Com o dinheiro que o Estado está nos repassando hoje, só conseguimos pagar 63% dos nossos gastos. Os outros 37% não existe. Feliz de nós que temos essa comunidade que nos ajuda com doações e campanhas realizadas durante o ano, mas ainda assim estamos passando por dificuldades que estão nos preocupando bastante, pois o Estado não nos repassa o que nos deve", diz Moraes. 

    Felizmente, o nosso Hospital São Luiz não teve que fechar nenhum leito e nem demitir nenhum funcionário, o que está acontecendo com muitos hospitais pelo Estado. Em um documento entregue à nossa reportagem, é mostrado que 256 hospitais já fecharam as portas no RS.

    Consta no documento emitido pela Federação das Santas Casas do RS, que no ano passado o quadro de funcionários reduziu 6% (4 mil demissões). Ainda segundo o documento, 60% das instituições continuam com honorários médicos atrasados, 17% não conseguiram cumprir com o total de salários de novembro e dezembro, e 35% devem FGTS, INSS e IR.

    As dívidas acumuladas pelos hospitais alcançam um valor histórico de R$ 1,4 bilhões. A situação não é nada confortável. Muito pelo contrário, preocupa e exige atenção.

    Reportagem: Elliézer Garcez
    Setor de jornalismo: portal@qwerty.com.br